Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
Violência

Violência: Manaus registra média de três homicídios por dia

A realidade preocupa autoridades civis, militares e religiosas que a comparam com países que estão em guerra



1103389.JPG O médico Emerson Rios Sena, 56, foi encontrado morto na tarde da última segunda-feira, com uma facada no pescoço (Foto: Divulgação)
06/07/2016 às 12:05

Dezesseis pessoas foram assassinadas nos cinco primeiros dias do mês de julho, uma média de mais de três pessoas por dia. Se os homicídios continuarem nesse mesmo ritmo, até o final do mês pode se aproximar de 100. De sábado até ontem foram registrados dois triplos e um duplo homicídios. A realidade preocupa autoridades civis, militares e religiosas que a comparam com países que estão em guerra. “O Estado não consegue proteger as pessoas, estamos desprotegidos”, diz o arcebispo metropolitano de Manaus, dom Sérgio Castriani.

O comandante da Polícia Militar coronel, Augusto Sérgio, disse que é uma situação preocupante e que estão sendo traçadas estratégias para baixar os índices de homicídio. No dia 1º, o cabo fuzileiro naval Carlos Afonso Lopes de Gouvêa, 29, foi executado com seis tiros, na avenida Mário Andreazza, Distrito Industrial, Zona Sul.

No mesmo dia, o desempregado Adriano Siqueira Castro, 35, foi morto com um tiro no peito na frente do filho de 12 anos, enquanto ia para a residência da mãe, na rua Itália, conjunto Parque das Nações, Flores, Zona Centro-Sul.

No dia 2, dois homens foram executados em ruas diferentes na Compensa, Zona Oeste, durante a noite e madrugada. A Polícia Civil acredita que os crimes tenham ligação com acerto de contas decorrentes do tráfico de drogas. O primeiro foi o pedreiro Wercules Gomes Mesquita, 37, morto com cinco tiros e o outro foi Silas Moisés Januário, 26, foi morto com mais de sete tiros.

Helbeson Marinho de Souza, 30, o “Bode”; Kaik Havely Freitas de Miranda, 21, o “Negrete”; e José Rafael Pires Batista, 25, o “Thiel”, foram executados com tiros de pistola calibre ponto 40, no último dia 3 no beco Mirasselva, Redenção, Zona Centro-Oeste.

No dia 4, o coordenador da clínica médica do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, Emerson Rios Sena, 56, foi encontrado morto com uma facada no pescoço e também nos dois braços, no lavabo do triplex do condomínio Moradas do Parque, na avenida Nilton Lins, Flores.

Outro triplo homicídio ocorreu no dia 4, no condomínio Santorini, Ponta Negra, Zona Oeste, tendo como vítimas Jonathan Rafael Lima da Silva, 20 anos, Thiago Rodrigo Grangeiro, 22, e Felipe Galdino da Silva, 18. Os três acabaram mortos na troca de tiros com a polícia.

À noite, na rua 5, Parque Mauá, Mauazinho, Zona Leste, a polícia registrou o duplo homicídio de Roger de Moraes Andre, 21, e Daniel Kelven Souza de Almeida, 17.

Fatores que aumentam os crimes

O comandante da Polícia Militar coronel Augusto Cezar disse que os números de homicídio acenderam a luz vermelha e que ontem à tarde esteve reunido com o comando de policiamento da capital para tratar do caso das mortes violentas e traçou planos para ações que façam cair os índices.

Ele atribui as mortes à situação complicada pelo qual o Brasil está passando como crime política, moral, ética e principalmente a cultural de desprezo pela vida.

O procurador geral do Ministério Público Fábio Monteiro atribuiu as mortes ao tráfico de droga. De acordo com ele, com as apreensões de grandes quantidades de droga e as prisões dos chefões do tráfico está havendo um certo descontrole onde a disputa pelo comando.

Falta de opção

Dom Sérgio Castriani ressalta que há outros fatores como o desemprego, a ação do crime organizado e a falta de opção que contribuem o aumento dos casos de assassinatos. “A sociedade está respondendo a violência com violência e isso tem de que parar de alguma forma”, disse.


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