Sábado, 14 de Dezembro de 2019
DIA DE FINADOS

Visitas a túmulos em cemitérios de Manaus iniciaram na quinta-feira (1°)

Muitos preferiram adiantar a visita aos cemitérios para escapar do meio milhão esperado para o dia de hoje



cemit_rio_87449724-6172-4760-8346-F22F7A285C07.JPG Privacidade e mais tempo para arrumar para a data comemorativa. Foto: Euzivaldo Queiroz
02/11/2018 às 02:18

Mais de 500 mil pessoas devem passar pelos cemitérios urbanos existentes na capital amazonense para prestar homenagens a entes queridos no Dia dos Finados, celebrado hoje. Alguns visitantes preferem arrumar os túmulos, fazer preces e se reunir junto aos familiares com mais tranquilidade antes da data.

Há 13 anos, as irmãs Ruth Martins, 61, e Rosineide Lima, 54, costumam visitar o jazigo onde estão cinco integrantes da família um dia antes do feriado para tentar driblar a intensa movimentação no Cemitério Santa Helena, localizado no bairro São Raimundo, Zona Oeste de Manaus. Foi o que fizeram ontem.



“Todo ano a gente vem no dia 1º para limpar e deixar tudo preparado para o segundo dia, que é quando a gente retorna com as flores e com outros parentes para passarmos um tempo relembrando juntos. É muito movimentado para deixarmos para o próprio dia”, afirma Ruth.

Com o olhar marejado de lágrimas, dona Ana Vieira Pontes, 83, não consegue conter a saudade do esposo que partiu há 12 anos. “Oro por ele. A gente se acostuma sim, mas sinto ainda muita saudade. Lembro perfeitamente do primeiro Natal que ele já estava ausente e ninguém ficava na mesa, sentindo falta dele. Era um homem muito querido por todos”, recordou a idosa.

Ela contou que o rito anual geralmente é feito no próprio Dia dos Finados, no Santa Helena, quando se reúne com netos e filhos por volta das 17h e onde costumam permanecer até às 21h. “A gente veio para limpar hoje (ontem) porque minha filha vai trabalhar no feriado e ela que sempre me traz, por isso esse ano vai ser diferente. A gente faz esse horário por causa do calor e do sol”, explicou.

No campo santo de São João Batista, Zona Centro-Sul, o militar Paulo Ricardo Silva, 37, com ajuda da mãe Dilamar Silva, 57, organizava a sepultura de seu pai, falecido há mais de duas décadas. “Eu morava fora, mas há oito anos eu mantenho esse ritual. A gente antecipa a visita para evitar o tumulto e aproveitar o feriado”, disse.

A mãe do militar conta que a família se divide em mutirões também no Cemitério Parque Tarumã, situado na Zona Oeste. “Eles não está mais conosco, mas sempre estará em nossos corações. É importante manter essa chama acesa e lembrar com carinho”, diz Dilamar.

Os irmãos Leudo, 32, e Eurileuda Jesus, 37, ajudavam na limpeza do túmulo da mãe de um amigo da família, mas também pretendiam fazer a manutenção do local de descanso eterno da mãe deles. “Há seis anos a gente mantém essa tradição de vir com antecedência, pois a cada ano o congestionamento dentro do cemitério fica maior. É um momento de reflexão e de comunhão entre nós”, afirmou a cobradora de ônibus.

Renda Extra

Em contrapartida aos visitantes, vendedores ambulantes aproveitam o feriado para fazer uma renda extra com venda de velas, flores artificiais, prestação de manutenção aos túmulos e até mesmo de alimentos e de   água para enfrentar o calor amazônico.

O vendedor Arailson Lima, 52, instalou a barraquinha de flores e vela estrategicamente bem em frente ao portão de entrada do Cemitério Santa Helena. “Venho com dois dias de antecedência. Há 25 anos estou nesse ramo, então já venho preparado para uma maratona. Pernoito entre o dia 1º e 2 para guardar o lugar, vou em casa apenas em algumas situações. Esse ano estou com expectativas que seja melhor que o ano passado”, comparou.

Uma combinação perigosa

Durante a manhã de ontem, dois focos de incêndio em vegetação assustaram pessoas que transitavam pelo Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus. No momento do sinistro, nenhuma equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM)  atuava no local preventivamente para garantir a segurança de quem fazia a manutenção nos jazigos.

Segundo a vendedora ambulante Joice Lima, 34, em uma das quadras as chamas de velas acesas foram sopradas pelo vento, o que fez com que a queimada gerasse muita fumaça e incomodasse os visitantes. “Um rapaz jogou areia, tentou apagar, mas não tem como conter, pois o capim está alto e se espalha mais ainda quando as velas caem acesas”, disse ela.

Em outra quadra do cemitério, o fogo gerava grandes labaredas e se alastrou por entre as sepulturas, onde a vegetação estava mais densa. “Os olhos ficam ardendo, além do cheiro insuportável. Tinha mato amontoado, que capinaram e deixaram aí. Hoje (ontem) não vi nenhum apoio dos bombeiros e nós mesmos tentamos apagar batendo com vassouras e jogando areia”, contou o autônomo Jhony Farias.

Recomendação

O titular da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Paulo Farias, explica que uma equipe composta por 70 homens do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas  deve se revezar em rondas entre os seis cemitérios espalhados em diversos pontos da capital.

“Com o calor intenso somado ao fator do mato seco é imprescindível que o visitante tome cuidado ao acender as velas”, recomendou Paulo Farias.

“O risco de o fogo se alastrar é muito grande, então a gente pede que o visitante se atente a esses fatores e, em caso de incêndio, deve acionar a equipe administrativa do cemitério para as primeiras providências e não tentar apagar sozinho”, orientou o secretário.


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