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Manaus
CAOS NA SAÚDE

Vistoria flagra estrutura precária e falta de curativos no Hospital João Lúcio

"A situação encontrada foi pior que as denúncias", afirmou defensor público. Em vídeo, parente de pessoa internada mostra luvas e até máscaras hospitalares compradas devido ausência no hospital 16/10/2018 às 19:38 - Atualizado em 17/10/2018 às 07:46
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Foto: Divulgação
acritica.com Manaus (AM)

Ambiente insalubre, fétido, goteiras em leitos e marcas de sangue em banheiros. Estes foram alguns dos problemas encontrados após inspeção realizada pela Defensoria Pública do Estado (DPE) no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste de Manaus. “A situação encontrada foi pior que as denúncias”, declarou o defensor público Arlindo Gonçalves Neto.

A vistoria foi realizada no dia 9 de outubro na unidade hospitalar a pedido de parentes de pacientes internados no hospital. De acordo com o defensor público, durante a visita a um leito do João Lúcio, onde quatro pacientes estavam internados até a semana passada, Neto constatou medicamentos e materiais comprados pelos próprios familiares dos pacientes. Um vídeo comprova a falta de curativos na enfermaria do hospital. Uma mulher mostra uma bolsa repleta de esparadrapos, gazes, máscaras hospitalares e até luvas compradas por ela. “A gente vai pegar lá e não tem”, diz ela.

Outro problema diz respeito à estrutura do hospital. O defensor viu goteiras que saíam de um ar-condicionado pingando em cima do leito de um paciente. Camas quebradas, colchões sujos e ausência de lençóis também foram registrados.

Outro vídeo encaminhado pela DPE mostra as condições precárias do banheiro do local. As imagens registram que para se manter fechada, a torneira de um chuveiro foi amarrada pelos pacientes com uma corda, mas, ainda assim, permanece com um vazamento ininterrupto. A gravação mostra ainda que os doentes com locomoção reduzida usam de forma coletiva o mesmo assento para banho.

‘Força-tarefa’

O defensor público Arlindo Gonçalves Neto afirmou que imediatamente após a inspeção feita no hospital, pacientes e acompanhantes relataram a ele, por telefone, que uma espécie de “força-tarefa” passou no quarto inspecionado para limpar o ambiente, especialmente o banheiro, e iniciar reparos hidráulicos.  

“Isso a gente entende como maquiagem. Significa que está havendo a falta do serviço. Mas existe a necessidade de um atendimento no aspecto coletivo, sistemático, e não somente após uma inspeção”, comentou Arlindo Neto.

Reclamações

As condições do hospital estão documentadas. A DPE encaminhou ofício à direção do complexo hospitalar no dia 9 de outubro cobrando providências.

“Não há no hospital os materiais solicitados que são básicos, como luvas, máscaras, gases, e ect. Tais materiais são primordiais para quem está acompanhando o paciente, inclusive para a realização de limpezas e prevenção de infecções no âmbito hospitalar”, diz trecho do documento, que solicita respostas num prazo de 15 dias.

O texto também relata que um paciente vítima de acidente de trânsito precisou passar por uma nova cirurgia em razão de uma infecção hospitalar, possivelmente ocasionada pelas condições de higiene do hospital - e por estar acomodado em um leito próximo a um ar-condicionado que “jorra água”.

“Além disso, foi constatado pelos familiares a precariedade dos móveis que acomodam o paciente e higienização de locais no referido hospital, respectivamente cama, colchão, condicionadores de ar, banheiros e etc”, acrescentando que há colchão “rasgado e sujo, sem qualquer condições”.

O documento ainda sustenta que “segundo os familiares as condições dos banheiros são péssimas, de modo que poucas vezes têm se constatado a limpeza regular, e em face dessa irregularidade, tem chegado relatos a essa defensoria a respeito de ocorrências de infecções hospitalares no referido hospital”. 

Posicionamento

A Susam e a direção do Pronto-Socorro João Lúcio afirmam que não procedem as denúncias. Segundo eles, a unidade dispõe de todos os materiais relatados pela denunciante. Sobre “respingo de ar condicionado”, a direção da unidade ressalta que possui empresa de manutenção e quando há qualquer problema de dreno de água, o mesmo é resolvido assim que identificado. Sobre limpeza e manutenção, a Susam informa que trocou recentemente a empresa que fazia o serviço na unidade e não tem detectado problemas dessa natureza.

Leia a nota na íntegra: 

A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e a direção do Pronto-Socorro João Lúcio Pereira Machado afirmam que não procedem as denúncias. A unidade dispõe de todos os materiais relatados pela denunciante. Sobre “respingo de ar condicionado”, a direção da unidade ressalta que possui empresa de manutenção e quando há qualquer problema de dreno de água, o mesmo é resolvido assim que identificado. Sobre limpeza e manutenção, a Susam informa que trocou recentemente a empresa que fazia o serviço na unidade e não tem detectado problemas dessa natureza.

A Susam e a direção do Hospital João Lúcio esclarecem que em nenhum momento foram informadas ou notificadas sobre tal inspeção feita pela Defensoria Pública do Estado (DPE), no dia 9 de outubro, nas dependências do hospital. A inspeção, se houve, foi feita sem o conhecimento e acompanhamento da direção, o que causa estranheza. O ofício do dia 9 de outubro, protocolado às 16h50 pela DPE, no HPS João Lúcio, refere-se a uma denúncia feita por acompanhante de um paciente, sobre o qual o órgão deu prazo de 15 dias para que o hospital respondesse. 

A atual gestão da Susam esclarece que está há 12 meses à frente do órgão, tendo encontrado, ao assumir, todas as unidades de saúde com diversos problemas. Investimentos de mais de R$ 65 milhões estão sendo feitos em obras e manutenção,  em todas as unidades.  O Hospital João Lucio, que foi abandonado em gestões anteriores, vem passando por reforma geral, em quase todos os ambientes.

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