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Vítima de acidente com carreta morre após passar um mês e meio na UTI, em Manaus

Déborah foi a única vítima que ficou gravemente ferida após carreta atingir três carros em acidente. Familiares cobram fiscalização contra carretas 05/06/2015 às 15:32
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O caso que vitimou Déborah já está na Justiça, mas pode mudar de trajetória após a morte dela
Vinicius Leal Manaus

Faleceu na manhã desta sexta-feira (5) em Manaus a empresária Déborah Maryneth Rubim Freitas, 34, vítima de um grave acidente de trânsito envolvendo uma carreta e três veículos que ocorreu no último dia 23 de abril na av. Cosme Ferreira, Zona Leste da cidade. Familiares dela querem mais fiscalização contra carretas e cerco contra motoristas e empresários.

Desde o acidente, Déborah estava internada, e faleceu hoje após falência múltipla dos órgãos. Dentre os familiares, todos muito abalados, o primo da vítima conversou com a reportagem. “Teve um período em que ela se recuperou, quando ela ficou lúcida, mas nas últimas 48 horas o quadro piorou”, explicou Adson Matos.

A empresária estava internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital e Pronto Socorro João Lúcio, e foi a única vítima do acidente a ficar gravemente ferida. Ela chegou a respirar com a ajuda de aparelhos e passou por várias cirurgias, como reconstrução da bacia e do tecido da pele, e procedimentos no abdômen, quadril e pernas.

O estado de saúde dela era tão grave que Déborah não podia nem ser transferida para outro hospital, como queria a família. Caso isso acontecesse, a vida da empresária sofreria riscos. Até então, a família ainda tinha esperanças em conseguir trocar Déborah de hospital de uma forma segura.

Na Justiça

O caso sobre o acidente envolvendo Déborah já virou um processo judicial e tramita na Vara Especializada de Crimes de Trânsito desde a última segunda-feira (1º). O documento foi originado de um inquérito do 11º Distrito Integrado de Polícia (DIP) que pedia a condenação do motorista do caminhão, Glauco Wilson Gil Costa, por lesão corporal culposa.


Carreta descontrolada arrastou veículos

Na época do inquérito, o Instituto de Criminalística emitiu um laudo da perícia que verificaria as causas do acidente. A reportagem não conseguiu ter acesso nem ao laudo nem aos autos do processo judicial. Segundo o delegado titular do 11º DIP, Marcos Paulo Graciano, agora que Déborah morreu, o motorista Glauco pode ser indiciado por homicídio culposo.

“O procedimento foi finalizado como lesão corporal culposa em trânsito. Considerando que existe óbito, agora tanto o Ministério Público quanto o Judiciário podem requerer que o inquérito volte para a delegacia e que modifiquemos para homicídio culposo. Mas nós enviaremos uma cópia da certidão de óbito para que a Justiça tome conhecimento”, disse Graciano.

O acidente

O acidente ocorreu no dia 23 de abril na av. Cosme Ferreira, conj. Tiradentes, bairro Coroado. O motorista da carreta SR Random, de placas AOH-3331, perdeu a direção, possivelmente devido a um problema no freio, e atingiu três carros de passeio, entre eles o de Déborah, um Civic de placas NOZ-4401. Ela foi socorrida e levada ao hospital inconsciente.

Carretas

Lamentando o falecimento de Déborah, familiares da empresária também criticaram a situação atual das ruas de Manaus, onde regularmente são registrados acidentes com carretas, com ou sem vítimas fatais. “Manaus ainda permanece essa balbúrdia: carreta sem manutenção, motorista sem preparação. Tem que focar na questão das carretas, ela foi mais uma vítima desse pessoal”, finalizou Adson Matos.

Investigação

Com base no crescente volume de acidentes e flagrantes de irregularidades envolvendo carretas, o Ministério Público Federal do Amazonas (MPF/AM) e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) abrirão um inquérito civil conjunto para investigar as ações de fiscalização contra as carretas, e o excesso de cargas desses veículos pesados, nas rodovias federais e também nas ruas da capital.

Segundo o MPF e o MP-AM, houve muitos danos à malha viária das rodovias e, claro, à vida humana. Os órgãos ressaltam a ausência de normas ou de fiscalização sobre o intenso fluxo de caminhões, carretas e veículos pesados que transportam mercadorias e insumos destinados ou oriundos do Polo Industrial de Manaus pelas vias da capital.

MPF e MP-AM solicitarão informações sobre as carretas ao Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas, à Polícia Rodoviária Federal, à Câmara Municipal de Manaus, Secretaria de Estado da Fazenda, à Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), ao Centro de Indústria do Amazonas (Cieam) e ao Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Amazonas (Setcam).

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