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Vítima de ataque em academia nega envolvimento em triângulo amoroso que motivou crime

A estudante de direito Denise Almeida da Silva contou que sofria ameaças há mais de um ano de Marcelaine Santos Schumann, quem descreveu como "psicopata". "Meu marido não é o corno da jogada", contou Denise 13/01/2015 às 11:42
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Denise Almeida da Silva sobreviveu após levar um tiro no pescoço, dentro do seu Mercedes-Benz
Joana Queiroz Manaus (AM)

Investigações policiais feitas pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) revelaram que a advogada Marcelaine Santos Schumann, a “Elaine” ou “Ane”,  de 36 anos, pagou R$ 7 mil para que pistoleiros executassem ou deixassem aleijada a bacharel em direito Denise Almeida da Silva, de 34, atingida com um tiro de arma de fogo quando saía de carro, no estacionamento da academia Cheik Clube, no Centro de Manaus, no dia 12 de novembro. Marcelaine acreditava que Denise tinha um caso com o seu amante, o empresário Marcos Souto - todos os envolvidos são casados.

Em contato com a reportagem, Denise negou conhecer Elaine e Marcos: “Eu não sou a amante desse homem (Marcos) que sequer conheço, assim como não conheço essa mulher (Elaine). Sou casada e vivo muito bem com o meu marido". "O que aconteceu é que há pelo menos um ano essa mulher começou a ligar para a minha casa, para mim e para o meu marido. Ela dizia que tinha encontrado algumas ligações com o número do meu celular na conta do telefone do amante dela. Algumas vezes eu e o meu marido fomos seguidos pelo carro do amante dela. Ele chegou a ligar para o meu celular dizendo que queria se encontrar comigo para me pedir desculpas pelos insultos e ligações que ela fazia, mas não aceitei e acabou acontecendo o que vocês já sabem", conta.

No final da tarde desta quinta-feira (18), Elaine teve a prisão preventiva decretada pelo juiz da 3ª Vara do Tribunal do Júri, Mauro Antony. Ainda por telefone, Denise explicou que a história não é como parece. "O meu marido não é o corno da jogada. Ele sabia de tudo, sofria comigo e estava sempre ao meu lado. Eu a descrevo (Elaine) como uma pessoa sem noção que passa a perseguir a outra baseada em suspeita. É uma psicopata”, finalizou.


Marcelaine Santos Schumann, casada com um empresário do ramo publicitário de Manaus

O delegado Paulo Martins disse não ter dúvidas sobre a motivação do crime. Segundo ele, em depoimento, Marcos se mostrou surpreso, confessou ter um caso amoroso com Elaine há nove anos, mas se negava a acreditar que a amante teria sido capaz de encomendar a morte de Denise. Ele chegou a repetir várias vezes "Eu não acredito que ela foi capaz. A Elaine não”, conforme relatou Martins. 

Revelações

A trama do crime foi revelada pelos suspeitos Rafael Lael dos Santos, o “Salsicha”,  autor dos disparos contra Denise; Charles Mac Donald’s Castelo Branco, que fez a intermediação do crime entre Salsicha e Elaine; e Karen Arevalo Marques, 22, que arrumou a arma usada no crime, um revólver calibre 38. Além deles, a polícia ainda procura uma quarta pessoa, um homem identificado como “Itaituba”, que forneceu a arma do crime e está foragido.

Mac confessou que conheceu Elaine quando trabalhava como promotor de vendas de uma loja de cosméticos no Studio 5. Segundo ele, Elaine ofereceu a ele R$ 7 mil para assassinar Denise ou deixá-la aleijada. Ele disse ter chamado Salsicha e oferecido R$ 3,5 mil a ele, que topou fazer o “serviço”. O atirador procurou Karen dizendo que precisava de uma arma, e ela conseguiu o revólver com Itaituba. Ela recebeu R$ 200 por isso.


Trio foi contratado por R$ 7 mil para matar Denise

Elaine forneceu a fotografia da vítima aos executores, assim como os locais – academia, salão de beleza e faculdade – e os endereços onde Denise poderia ser encontrada. Salsicha escolheu a academia para executar a vítima, porém não conseguiu alcançar o objetivo. “Só dei três tiros nela porque eu não queria matá-la” revelou durante sua apresentação à imprensa na sede da DEHS.

O suspeito disse, ainda, que só aceitou fazer o serviço porque estava desempregado e queria fazer a festa de aniversário de um ano do filho, mas acabou não fazendo porque a mulher descobriu a origem do dinheiro e disse que não ia fazer festa para o filho com "dinheiro sujo". “Eu comprei uma árvore de Natal e gastei o resto comprando besteiras”, disse Salsicha. Ele foi preso na tarde de quarta-feira (17), no Município de Anori, a 234 quilômetros de Manaus.

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