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Vítimas da insegurança em Manaus vivem ‘atrás das grades’ como se fossem os infratores

Cidadão que já foi vítima de algum ato de violência prefere viver atrás de grades, evitar locais onde foi assaltado e investir na própria segurança 16/03/2015 às 10:29
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Vítimas do medo
Fábio Oliveira Manaus (AM)

Que a segurança pública é um problema do país inteiro isso já está mais que comprovado. Hoje, o manauara convive com o medo de, de repente, ser vítima de uma bala perdida, um assalto, um sequestro relâmpago, estupro ou até mesmo um homicídio. O MANAUS HOJE foi às ruas pra saber como é o dia a dia das pessoas que já passaram por essa terrível experiência, de comerciantes da cidade que, normalmente, são os mais vulneráveis a esses tipos de violência, além de falar com uma mulher que perdeu o filho, com um tiro nas costas, durante um assalto ao restaurante da família. Histórias que marcaram pra sempre a vida de milhares de cidadãos.

Para a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), as operações integradas e individuas, além das novas viaturas que devem chegar ainda neste semestre, devem ajudar a reduzir a criminalidade no estado.

Enquanto isso não acontece, as pessoas continuam entregues à própria sorte, com a esperança de que esse quadro realmente mude. A única coisa que se tem certeza é que, pra ao menos tentar ter uma segurança plena, os amazonenses precisam procurar serviços de segurança particular. E o custo é alto!

O grande problema é que o medo do amazonenses tem tomado proporções que, muitas vezes, se vê a “troca de papeis”: pessoas de bem tendo que viver, literalmente, atrás das grades. Em Manaus, é comum encontrar nos bairros das zonas Norte e Leste, comerciantes que já tenham aderido ou pensam em aderir à grades de proteção ou câmeras de circuito interno em seus estabelecimentos comerciais.

Grades são a solução

Esse é o caso da microempresária Patrícia Santos, 32. Com os frequentes assaltos no bairro São José 2, na Zona Leste, ela preferiu se adaptar às grades de proteção, onde atende seus clientes.

Mesmo afirmando que sua padaria nunca foi assaltada, ela teme pela segurança da família, já que alguns vizinhos passaram por essa terrível experiência. “Coloquei grade porque temo pela minha família e principalmente pelo meu filho, que às vezes precisa ficar sozinho aqui”, contou.

Memórias ruins no T4

Nos terminais de ônibus, a segurança vai de mal a pior. No T4, assaltos diários são a principal reclamação dos usuários do transporte coletivo.

O caso mais grave ocorreu no dia 7 de fevereiro deste ano, quando Jhonata da Silva Pimentel, 17, morreu esfaqueado após um roubo.

A família contou à reportagem que não frequenta mais o terminal e desvia a rota com medo. A mãe do estudante, Maria Pinheiro, 64, ainda não superou a morte do filho e relatou que anda traumatizada quando pensa em pegar ônibus em terminal de integração.

A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) ainda investiga o caso.

Nem ‘Ronda no Bairro’ ao lado adiantou

Em outubro de 2013, Marlene Barros perdeu o filho durante um assalto no restaurante da Família, no conjunto Santos Dumont, Zona Centro-Oeste da cidade. O dentista Diego Maciel Almeida Castro, 26, foi assassinado com dois tiros quando chegava em casa. Diego teria percebido a estranha manifestação e ao perceber que se tratava de um assalto, se armou com uma faca. Um dos assaltantes acabou atirando no dentista, que morreu na hora.

O pai de Diego, Francisco Xavier, ouviu os tiros, quando olhou pela janela, viu o filho caído. Ele tentou sair pela laje do restaurante, mas acabou sendo atingido com um tiro na mão, quando desequilibrou-se e caiu, batendo a cabeça. Francisco morreu na manhã seguinte, no hospital João Lúcio.

O MANAUS HOJE voltou ao local do crime pra tentar falar com Marlene, mãe de Diego, mas ela não quis falar com a equipe por ainda sentir muito medo. A quadrilha que assaltou o restaurante e matou Diego foi autuada em flagrante.

Na época, os cinco suspeitos foram autuados em flagrante e continuam presos, respondendo pelos crimes de homicídio qualificado, porte ilegal de arma e formação de quadrilha. A família morava em uma casa em cima do restaurante, que fica a cerca de 50 metros de uma das bases do programa Ronda no Bairro.

Cerca, câmeras ou alarme são opções

A reportagem do MH entrou em contato com uma empresa que presta serviços de segurança particular. O metro da cerca elétrica custa em torno de R$ 23. Já para quem quer ter a residência ou o estabelecimento/empresa monitorados, paga R$ 250 mais o custo da câmera, que gira em torno de R$ 150 ou mais a unidade, dependendo do modelo do equipamento. Pra quem prefere o sistema de alarme, o custo deve ser de R$ 1,5 mil.

De acordo com um funcionário da empresa, a maior procura por esses equipamentos de segurança são de pessoas da Zona Norte de Manaus, para residência.

A SSP informou, por meio de nota, que nos próximos meses, a cidade de Manaus contará com 200 novos carros novos para policiamento ostensivo, dentro do programa Ronda no Bairro, que irá melhorar a sensação de segurança da população em geral, e ampliar a presença das polícias nas ruas.

A nota informa também que as novas viaturas e ainda motocicletas serão distribuídas como forma a atender toda a cidade. A SSP-AM ainda orienta que a população deve ter em mãos os telefone das Companhias Interativas Comunitárias da Polícia Militar (Cicoms), além de poder contar com o 190.

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