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Manaus
protesto

Vítimas de deslizamento no Nova Vitória cobram posicionamento da Prefeitura

Moradores afirmam que desde o dia 27 de dezembro, quando quatro pessoas da mesma família morreram, a prefeitura não honra com a promessa de auxílio-aluguel 12/01/2017 às 11:17 - Atualizado em 12/01/2017 às 15:35
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Moradores da área se reuniram na Prefeitura de Manaus para cobrar o auxílio
Isabelle Valois Manaus (AM)

Mais de 50 moradores da rua Abraão, Nova Vitória 2ª etapa, Zona Leste de Manaus, realizam na manhã desta sexta-feira (12) uma manifestação pacífica em frente à sede da Prefeitura de Manaus, localizada na Avenida Brasil, Zona Oeste da cidade. Conforme os manifestantes, o principal motivo é o não cumprimento da prefeitura com o repasse do auxílio aluguel para as famílias que foram prejudicadas pelas alagações que vem ocorrendo desde o dia 27 de dezembro, quando um barranco desabou e vitimou as famílias, principal a do autônomo Samir Menezes de Castro, que perdeu três filhas e a esposa que foram soterradas.

Representantes do grupo foram recebidos pelo vice-prefeito, Marcos Rotta, após o ato. E segundo a Prefeitura de Manaus, os comunitários não falaram sobre o auxílio-aluguel, apenas sobre melhorias na comunidade. 

Na última segunda-feira (9) a reportagem de A CRÍTICA retornou ao local para saber como se encontrava as famílias que foram afetadas com essa tragédia. Encontramos Samir, o filho Samir Costa Castro, 13, a enteada Sabrina Costa Protásio, 17, e mais o animal de estimação da família, a cadelinha Esmeralda, acolhidos nas casas de vizinhos que também ficam localizadas em áreas de risco.

Samir estava preparando a ferragem de uma coluna que iria dar início a reconstrução da antiga casa perdida no desastre. De acordo com o autônomo, ele tinha desistido de esperar os auxílios prometidos pela prefeitura. Duas semanas haviam passado e a família de Samir continua morando de favor. A prefeitura, por nota,  informou que o dinheiro do Auxílio Aluguel, benefício concedido a 88 famílias prejudicadas pela chuva do dia 27 de dezembro, estava sendo liberado na manhã de ontem, quarta-feira (11), estando as famílias cientes dos procedimentos necessários para o recebimento e permanência no auxílio.

O líder comunitário do Nova Vitória 2ª etapa, Carlos Silva, que acompanhou o A CRÍTICA no retorno ao local do desastre,  alegou, na manhã de hoje, que desde o dia do desastre as famílias não tiveram mais nenhum contato com qualquer órgão da prefeitura e por isso, decidiram realizar uma manifestação pacífica em frente à sede do órgão.

“As famílias continuam desassistidas, todo dia é dia de chuva e a situação na rua Abraão é totalmente preocupante, pois temos medo que o desastre venha se repetir. Os moradores a cada chuva estão perdendo os bens materiais, pois a rua fica totalmente alagada. Eles prometeram retirar essas família de lá com o auxílio aluguel, mas nada foi feito e por isso viemos procurar a prefeitura para termos um posicionamento”, disse.

A dona de casa Kelre Anselmo Timóteo, 29, também ficou soterrada da cintura pra baixo no dia 27 de dezembro, disse que chegou a receber colchão, uma cesta básica e roupas. Mas ficou desabrigada, morando na casa dos vizinhos, no aguardo da promessa do auxílio aluguel. “Se passaram duas semanas e não tenho pra onde ir. Perdi tudo com a chuva do dia 27 de dezembro. Fiquei soterrada quando o barranco desabou, cheguei a receber algumas roupas, colchão e um rancho no dia do acidente e me prometeram ajudar com o aluguel, mas até agora não tive retorno. Se não fosse ajuda dos vizinhos que também estão em situações parecida com a minha, talvez estaria morando na rua”, detalhou.

O vigilante Delmo Matos da Silva, 36, reforçou que desde o dia do desastre nenhum órgão da prefeitura de Manaus retornou a rua Abraão. “Moro há mais de 11 anos no mesmo local. Sempre só recebemos promessas e mais promessas. Nem depois de vidas que foram perdidas algo foi feito. Estamos totalmente entregues e não temos culpa pelo o que houve, só queremos que nos ajudem e cumpram com o que foi prometido”, disse.

Reunião

O líder comunitário do Nova Vitória 2ª etapa, Carlos Silva, foi recebido na sede da prefeitura pelo vice-prefeito de Manaus, Marcos Rotta, no final da manhã desta quinta-feira. De acordo com a Prefeitura, houve o compromisso de se montar uma força-tarefa para atender as reivindicações da comunidade. Dr acordo com a Prefeitura, não houve exigências pelo auxílio-aluguel durante a reunião.

Mesmo com moradores afirmando que a Prefeitura não tem atuado no local, o secretário de Assistência Social, Elias Emanuel, afirmou que equipes estão no local desde o ocorrido no dia 27, segundo ele, fazendo monitoramento para impedir que novas casas sejam construídas no local do desmoronamento. A reportagem de A CRÍTICA mostrou que Samir Castro vem construindo novamente sua casa no lugar onde houve o acidente que vitimou a mulher e as filhas.

Sobre o auxílio-aluguel, a Prefeitura de Manaus informou que, no Nova Vitória, há quatro famílias inseridas no auxílio-aluguel, nove que recusaram deixar o local e uma que tem direito mas não deu entrada no pedido.

 

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