Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
MANIFESTAÇÃO

Vítimas de incêndio no Educandos fazem protesto: 'a gente quer a nossa moradia'

Incêndio na Zona Sul de Manaus, em dezembro de 2018, destruiu centenas de casas no local e deixou mais de 700 pessoas desabrigadas



WhatsApp_Image_2019-06-07_at_17.10.28_A9864C75-FE25-4A34-A42C-C763FD8403C5.jpeg Foto: Antônio Lima
07/06/2019 às 18:14

Moradores vítimas do incêndio que ocorreu no bairro de Educandos, Zona Sul de Manaus, em dezembro do ano passado fizeram um protesto na tarde desta sexta-feira (7) para reivindicar o direito à moradia e pedir um posicionamento do Poder Público em torno do assunto.

A maioria, hoje morando alugado, fez um protesto pacífico pedindo  apoio para reconstruir suas casas, já que até hoje, segundo eles, as promessas feitas na época do sinistro ainda não foram cumpridas pela Prefeitura e pelo Governo do Estado.

"Estou aqui manifestando pelos direitos da minha mãe e minha irmã que perderam tudo. A minha irmã tem dificuldade de arrumar um local para morar porque ninguém quer alocar famílias com crianças. A gente quer a nossa casa de volta. Temos documentos que provam que é nosso e queremos construir", reclamou a auxiliar de escritório Rosicleia Menezes.

Assim como ela, a operadora de produção Carla Pereira, 32, revindicou. “Disseram que iam nos indenizar, mas até hoje apenas um aluguel tem sido dado e os R$ 900 reais que o governo deu. Isso não resolve nada. A gente quer a nossa moradia, poder voltar e construir de novo. Só que ninguém fala nada. Não explicam nada e a gente fica nesta situação", reclamou.

Muitos moradores reclamaram ainda da falta de apoio a pessoas que ficaram com sequelas por conta do incêndio.

"Foram muitas doações e muita gente não recebeu nada. Meu marido ficou com problemas de saúde, assim como muitos outros idosos e crianças e não temos apoio nesse sentido. Então, queremos pelo menos, nossa casa de volta. Um local digno para morar já que o aluguel é pouco. Eu pago 500 reais em um quarto e tenho que completar o valor do meu bolso", falou Cione Marinho, 47.

O incêndio, ocorrido em dezembro de 2018, destruiu centenas de casas no local e deixou mais de 600 pessoas desabrigadas. O mesmo, considerado o segundo maior da história em Manaus, foi causado, conforme o laudo pericial do Instituto de Criminalística (IC), do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), por um fogão com defeito, ligado diretamente ao botijão de gás.

Executivo

Segundo a Prefeitura, atualmente 658 famílias vítimas do incêndio no bairro Educandos recebem o Auxílio-Aluguel da Prefeitura de Manaus, benefício social pago com recursos públicos do município para famílias vítimas de alguma calamidade. O valor repassado é de R$ 300, pelo período de um ano, podendo ser prorrogado por mais seis meses, conforme a Lei Municipal nº 1.666, de 25 de abril de 2012.

"Além do Auxílio-Aluguel, a prefeitura tem oferecido apoio psicossocial e entrega de donativos arrecadados por meio da campanha #ManausSolidária, como cestas básicas, itens de limpeza e higiene pessoal, roupas e sapatos, entre outros. Como já divulgado, o município também disponibilizará a essas famílias parte dos apartamento populares da etapa A do residencial Cidadão Manauara 2, ainda em construção no bairro Santa Etelvina", afirma a Prefeitura em nota.

"Quanto à área no bairro Educandos, por se tratar de terra alagadiça, não é interesse da Prefeitura de Manaus e nem do Governo do Estado que a mesma volte a ser ocupada. Um trabalho conjunto entre as duas esferas já está sendo realizado com o objetivo oferecer outras opções de moradia digna a essas pessoas", finaliza a nota da Prefeitura.

A reportagem entrou em contato com o Governo do Amazons, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), e aguarda posicionamento.

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