Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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HISTÓRIAS

Vítimas do incêndio no Educandos relembram ‘preciosidades’ que perderam na tragédia

Entre essas pessoas está a salgadeira Rosimar Fortes Cunha, 69, que vai sentir falta das cerca de 100 panelas que viraram metal retorcido em meio ao fogo


20/12/2018 às 03:00

As chamas do incêndio ocorrido na última segunda-feira no Educandos, além de destruir residências, também acabaram para sempre com recordações que se transformaram em cinzas e que nunca mais vão voltar. De objetos a animais, o sentimento é de perda e, ao mesmo tempo, saudade.

Entre essas pessoas está a salgadeira Rosimar Fortes Cunha, 69. Nascida e criada na área conhecida como “Bodozal”, ela vai sentir falta das cerca de 100 panelas que viraram metal retorcido em meio ao incêndio. “Eu entregava salgadinhos em lanches, mas fiquei sem as máquinas e os materiais para trabalhar. Mas o pior foram as 100 panelas que eu perdi”, contou, chorando, a quase septuagenária, lembrando que, quando saiu de casa, faltavam cerca de oito metros para o fogo chegar até sua residência.

“Foi um Deus nos acuda. Saímos desesperadas. Fui acudida por uma vizinha. Meu filho ainda conseguiu tirar a minha geladeira, máquina de lavar, fogão e aparelho de TV, mas acabaram roubando. Não adiantou nada”, disse dona Rosimar, que morava com mais três pessoas – dois filhos e uma nora, recém-operada de retirada de pedras da vesícula. A residência era de alvenaria no térreo e madeira no 1º piso.

“Tudo que eu consegui foi no sacrifício. Eu gostava muito de cozinhar com aquelas panelas. Foi vendendo churrasco que eu criei meus filhos. Tive três, um já é falecido. Depois, fui vender salgados. Agora, só Deus sabe o que vai acontecer”, disse ela, abrigada na casa de uma irmã de 68 anos de idade, no próprio Educandos. Os dois filhos estão cada um alojados em casas de um amigo e de sogra.

Nessas horas, dona Rosimar lembra do sobrenome para buscar forças para reiniciar a vida. “Uma hora nós vamos nos juntar de novo e recomeçar a vida. Temos que ser fortes e estou sendo forte. Vou vencer em nome de Jesus e ter tudo o que eu tinha de novo”, disse a salgadeira.

O casal Marinete Souza da Silva, 35, e Jezimar de Melo, 37 morava na área atingida com cinco filhos (entre eles duas grávidas) e mais o genro. Todos estão na casa de um amigo dele na Colônia Oliveira Machado. A saudade maior é de uma fotografia na qual o casal aparece homenageado numa festa surpresa. “Agora, tudo são cinzas”, disse Jezimar.

Cães perdidos

Todos os dias, o auxiliar de eletrônica José Paixão de Souza, 64, passava boas horas do seu tempo vendo programas de TV em sua casa no “Bodozal”. Na noite de segunda-feira, com o incêndio, sua vida mudou e ele passou a ser um dos abrigados da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Educandos. O mais dramático é constatar que os dois cães que moravam com ele, pai e filho, de nome Negão e Neguinho, se perderam em meio ao corre-corre para fugir das chamas e, até hoje, ele não sabe o paradeiro dos animais de estimação. “Não sei se eles se salvaram ou não. Acho que já os tinha há uns oito anos. Estou curioso para saber onde eles estão”, disse ele.

Na mesma sala da paróquia, outro José, de sobrenome Jorge Bindá Cavalcante, catraieiro e beneficiário do INSS, trazia um semblante triste após a casa pegar fogo. “O que eu mais queria era a minha casa de volta. Essa é a maior lembrança que eu tenho”, lamentou ele, com olhos marejados de tristeza.


Seu José Paixão perdeu tudo e não sabe do paradeiro dos cães de estimação

José Paixão de Souza, auxiliar de eletrônica

Perdi tudo o que eu tinha. Foi tudo por água abaixo. Na hora da explosão me deu um ‘treco’ quando eu abri a janela. Não soube o que fazer. Havia muitas pessoas gritando, foi aquela maior coisa. Tenho problema de próstata e outras coisas. E todos os dias, em casa, o médico me orientava a fazer caminhada. Vou sentir falta de tudo. Só de TV eu tinha três  - uma de 32 polegadas, outra de 48 e tirei uma recente grandona de 60 e poucas polegadas. Vou sentir saudades de um álbum de fotos de uma neta minha. Mas o que quero saber é onde estão os meus dois cachorros. Estou curioso.

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