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‘Viúva Borel’, primeira moradora da Compensa, morre aos 99 anos

Maria do Nascimento Borel faleceu de causas naturais, por volta das 9h, depois do café da manhã. 'Ela acordou, sentou na mesa para tomar café, e quando terminou, virou para o lado e faleceu', contou um neto 17/11/2015 às 16:22
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Os um milhão e 200 mil metros quadrados do bairro eram formados de plantações de pimenta do reino, limão, laranja, pupunha, entre outras frutas
Luana Carvalho Manaus (AM)

A primeira moradora do bairro da Compensa, Zona Oeste, Maria do Nascimento Borel, conhecida por todos como ‘Viúva Borel’, faleceu na manhã desta terça-feira (17), aos 99 anos, como consta em seu registro de nascimento. Em julho deste ano, ‘Borel’ concedeu uma entrevista ao Portal A Crítica e disse que, na verdade, ela já tinha mais de 100 anos. “Erraram ao me registrar”, contou.

‘Borel’ faleceu de causas naturais, por volta das 9h, depois do café da manhã. “Ela acordou, sentou na mesa para tomar café, e quando terminou, virou para o lado e faleceu. Ela já estava muito idosa e com a saúde debilitada. Sentimos muito essa perda”, relatou o neto dela, Edson Borel.

O velório vai acontecer na Igreja Assembleia de Deus, na rua 21 de Junho, bairro Compensa, a partir das 21h desta terça-feira. O enterro será na quarta-feira (18), no Cemitério Municipal São João Batista, onde será enterrada ao lado do marido, Osca Borel, que faleceu em 1968 por câncer.

‘Dona da Compensa’

Em julho deste ano, um mês após o aniversário de 51 anos da Compensa, Maria recebeu a equipe do Portal A Crítica em sua casa para contar a história do bairro. Gentil e com uma excelente memória, ela relembrou os momentos e detalhes de como surgiu uma das primeiras e maiores invasões de Manaus: o bairro da Compensa.

Toda a história remonta aos anos 60, quando vindos da Alemanha no período da 2º Guerra Mundial, a família de Oscar Borel comprou as terras onde o bairro, que hoje é um dos mais populosos de Manaus, foi invadido e dividido entre Compensa 1,2 e 3. 

Era um milhão e 200 mil metros quadrados de plantações de pimenta do reino, limão, laranja, pupunha, entre outras frutas.

“Para mim não tem muita importância essa questão de terras, talvez para meus filhos sim. Mas sei que ajudei muita gente, criei muitas crianças que precisavam e até ajudava a comprar a madeira de quem realmente precisava de uma casa para morar”, contou a aposentada, na época da entrevista.

Ela ajudou muitas famílias do bairro, doando lotes para que eles construíssem suas residências. Apesar de já ter sido dona de mais de um milhão de metros quadrados de terras, Borel vivia da pensão da morte do marido, em uma casa ainda inacabada, na Rua da Prosperidade.

Depois da morte de Oscar, viúva, criou 10 filhos sozinha. “Amei muito meu marido, só tive ele na minha vida e foi aqui neste bairro onde moro até hoje que vivi tudo. Hoje nós temos hospitais, mini shopping, supermercado, tudo que precisamos. Não me imagino vivendo em outro lugar”, declarou, na ocasião da entrevista.

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