Domingo, 19 de Maio de 2019
Manaus

Vizinho indesejado: casas e terrenos abandonados dificultam guerra pública ao Aedes aegypti

Imóveis abandonados ajudam o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya a se proliferar e acendem alerta para quem mora no entorno. Início do período de chuvas reforça cuidados



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Imóveis fechados ou abandonados viram preocupação para os vizinhos: além de marginais, descaso atrai o Aedes aegypti, transmissor da dengue, Zika e Chukungunya, que fazem, da água acumulada em lixos e entulhos, criadouros
13/01/2016 às 11:50

Na contramão do interesse da coletividade, os imóveis abandonados, encontrados com frequência em diversos bairros de Manaus, geram preocupação aos moradores vizinhos, uma vez que são locais que acumulam entulhos favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, Zika vírus e febre Chikungunya. Com o início do período chuvoso, o temor da população é ainda maior.

Esse é o caso dos moradores do Japiim 2, na Zona Sul, que denunciaram ao A CRÍTICA a situação de uma residência abandonada há pelo menos cinco anos na rua A 12. Eles relataram que o local está coberto de mato, podendo causar danos à saúde dos vizinhos. Esse cenário pode ter contribuído para o bairro ser um dos 22 classificados como área de “alto risco” para a proliferação do mosquito.

De acordo com o Levantamento Rápido de Índice de Infestação para Aedes aegypti (LIRAa), realizado em novembro de 2015, pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), outros 29 bairros da capital amazonense estão com “médio risco” para a transmissão de arboviroses pelo mosquito vetor da dengue, Zika vírus e febre Chikungunya, e 12 considerados de “baixo risco”.

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, ressaltou que os moradores das áreas de menor risco não devem se despreocupar, pois o Aedes aegypti tem capacidade para chegar a qualquer outra localidade além da que nasceu. “O voo médio inicial desse mosquito é de em torno de 300 metros, isso num determinado momento. Ele pode parar e depois continuar voando novamente sem problemas”, ressaltou.


Bernardino destacou que a altura também não é problema para esse mosquito, que vive em torno de 50 dias e tem hábitos de picar no período diurno. “Todo mundo deve ficar preocupado porque, às vezes, a pessoa relaxa por achar que não tem perigo e, quando vira de frente, vê que o Aedes aegypti se reproduziu. Então, devemos ficar em alerta porque morar num bairro de baixo risco não é segurança para ninguém”, alertou.

Portas fechadas

Além do desafio de conscientizar os moradores a eliminarem os focos do Aedes, outro obstáculo para o combate ao mosquito é a dificuldade de acessar residências e estabelecimentos comerciais para a fiscalização de rotina, revelou a Semsa.

Dados da secretaria mostram que mais de 28,13 mil imóveis foram encontrados fechados, por vários motivos, durante a visita dos agentes de endemias nos locais, em 2015. Isso no primeiro ciclo, que compreende os meses de janeiro, fevereiro e março. Na segunda fase (abril, maior e junho) foram detectados mais 28,46 mil; na terceira (julho, agosto e setembro), 40,48 mil e, na última (outubro, novembro e dezembro), 22,61 mil.

Mais de 3 mil focos em 2 meses

Foram inspecionados, no período de novembro e dezembro de 2015, de acordo com a Semsa, aproximadamente 64.792 imóveis no município de Manaus, sendo 26.485 na Zona Leste, 13.587 (Norte), 10.137 (Oeste) e 14.583 (Sul). No mesmo período, os agentes de endemias da secretaria realizaram o tratamento de aproximadamente 3 mil depósitos considerados potenciais criadouros do Aedes aegypti.


Mapa mostra as área de risco nas diversas Zonas da capital. Vermelho é "risco alto", enquanto verde apresenta os "riscos baixos"


No ano passado, o Departamento de Vigilância Sanitária (Visa Manaus) autuou aproximadamente 70 estabelecimentos durante as fiscalizações de focos do Aedes. As multas para esse tipo de autuação variam de 10 a 100 Unidades Fiscal do Município (UFMs), podendo chegar até 400 UFMs, o que pode equivaler a mais de R$ 33 mil.

Neste início de 2016, a visita aos imóveis pelos agentes de endemias da Semsa continua de forma intensificada. O objetivo, conforme a secretaria, é orientar e estimular os responsáveis a adotarem os cuidados necessários. Eles também ensinam, durante a visita, medidas rotineiras de controle.

A Semsa conta ainda com os drones, veículos aéreos com tecnologia controlada por controle remoto, com equipamento para captação de imagens, que inspecionam terrenos e residências expostos à proliferação do inseto.

Denúncias

A Semsa informou que, para denunciar um imóvel com focos do mosquito Aedes aegypti, a população pode ligar para o número 08002808280 ou denunciar via email para o saude.semsa@pmm.am.gov.br ou ainda para o Facebook Semsa Manaus.


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