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Manaus
FLUXO INTENSO

Volta às aulas transforma tráfego pesado em rotina e condutores buscam alternativas

As rotas alternativas estão insuficientes para as horas de congestionamento e os pais e responsáveis buscam novas maneiras de evitar transtornos mas sem perder o horário 11/02/2017 às 05:35
Show transito
Entorno das escolas tem sido marcado pelo trânsito pesado (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Lídia Ferreira Manaus (AM)

Uma semana da voltas às aulas na rede pública e particular e Manaus parece  outra cidade, o trânsito “parou”  com o aumento de 30% do fluxo de veículos no horário escolar, de acordo com dados do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans).  As rotas alternativas estão insuficientes para as horas de congestionamento e os pais e responsáveis buscam  alternativas.

O policial militar Isaque Lima colocou na ponta do lápis os custos de levar o filho Alef de automóvel próprio. Primeiro ele fez o cálculo durante um mês ao levá-lo de carro e comparou ao usar a motocicleta. “Desistimos da moto pelo tráfego intenso, que tornava a viagem perigosa e limitada pela chuva em alguns dias”, conta. A terceira opção foi o transporte escolar e com ele uma surpresa -  50% a menos de gasto com combustível.

“Só para levar e buscar, eu gastava R$700. A mensalidade da condução é R$350. Não tive dúvidas. Ele sai uma hora mais cedo de casa, mas gosta porque já vai brincando com outras crianças e eu ganho tempo para ir para o trabalho com mais calma. Já é o segundo ano dessa forma”.

As vizinhas e administradores Naila Ferreira e Samara Macedo mal se conheciam e perceberam que os filhos estavam no mesmo colégio. Decidiram fazer uma “carona solidária”: uma leva as crianças, a outra vai buscar. Os congestionamentos foram a motivação. “Deu super certo, pois era contramão do trabalho dela para ela levar, e eu tinha dificuldades para ir buscar na hora do almoço. Estamos no segundo ano nesse esquema e agora tem mais uma vizinha com  filho que se juntou a nós, ou seja, temos uma motorista reserva”.

Há três anos, a manicure Rosiele da Silva Souza trocou o ônibus pela bicicleta para levar a filha Carolina ao colégio. “É uma economia de tempo principalmente. Em 10 minutos chegamos lá, sem estresse e sem ter que acordar muito cedo. Dá para programar o horário”, diz. O problema, segundo ela, é a falta de ciclovias na cidade, o que atrapalha o trajeto. “Eu moro perto da escola dela, por isso me ‘arrisco’ em levá-la, mas com muita atenção. Tem um trecho que precisamos descer da bicicleta e ir a pé, pois é bem perigoso e movimentado”, explica a moradora do bairro Compensa 1, zona Oeste. Rosiele também é estudante universitária e, no dia da reportagem, precisou usar o transporte coletivo para ir à faculdade. “Vou trabalhar e estudar de bicicleta, somente quando preciso ir resolver outra coisa que vou de ônibus, como hoje. É péssimo, estou há uma hora na parada esperando o ônibus chegar. De bike saio da aula e em 15 minutos estou em casa”. 
 
Na porta da escola

Filas duplas, veículos estacionados e parados irregularmente por até 30 minutos são cenas diárias encontradas na frente de várias escolas da cidade. “Não é só uma questão de comodidade, é a insegurança que faz parte também da nossa cultura. Os pais querem deixar só deixar na porta da escola, querem ter certeza que o filho entrou em segurança”, ressalta Geraldo Alves, doutor em Engenharia de Transportes e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). “Ainda assim, os pais precisam dar bom exemplo, vemos muitas infrações na porta da escola”, diz.

Para ele, o medo da violência afeta limita os pais e estudantes que poderiam optar pelo transporte escolar e a bicicleta, no caso de alunos adolescentes. “A condução tem que pegar na porta de casa e deixar na porta da escola, se não o pai não se sente seguro, diferente dos Estados Unidos que eles vão para o ponto do ônibus esperar, cita como exemplo. “Não há ciclovias nem ciclofaixas, nem mesmo bicicletários nos colégios para estimular o uso delas, precisamos pensar em políticas públicas para mobilidade urbana como um todo, hoje só se pensam nos veículos”, ressalta. 

Outra medida mais rápida pode ser o estabelecimento de horários difernciados para saída das escolas e horários de trabalho, funcionamento do comércio e bancos, por exemplo. “É preciso se conversar sobre esta opção, muitas cidades fazem isso e funciona. É uma alternativa possível”, desta o pesquisador. 

Contudo, para ele, a grande questão é o transporte público. A capital de 2 milhões de habitantes se movimenta, em maior parte, com  707.935 veículos, entre carros e motos, além de uma frota de 1.580 ônibus.  “Nós temos uma cultura do automóvel no Brasil, há uma valorização ao individualismo e o carro valoriza isso. Fundamental  mesmo é o transporte público, é um direito que precisa funcionar, ter mais opções”, diz  Geraldo Alves.
  

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