Domingo, 15 de Setembro de 2019
MAUS CAMINHOS

Wilson Alecrim diz que relação com Moustafa era 'estritamente profissional'

Em depoimento, o ex-secretário de Saúde do Amazonas disse também que nunca recebeu propina no esquema criminoso



wilson_alecrim_2_B70E9B98-1DC6-4222-88D3-C2B2A15BB39E.jpg Foto: Márcio Silva/ A Crítica
07/08/2019 às 16:17

O ex-secretário de Saúde Wilson Alecrim depôs na tarde desta quarta-feira (7), na sede da Justiça Federal, no processo oriundo da operação Maus Caminhos. À juíza da 4ª Vara da Justiça Federal, Ana Paula Serizawa, ele declarou-se inocente das acusações.

Alecrim disse ter participado parcialmente da descentralização das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales e Tabatinga e a maternidade de Tabatinga, mas que o edital de chamamento para gestoras das unidades era feito pela Comissão Gestora de Avaliação de Projetos, criada por ele na Secretaria Estadual de Saúde (Susam). Dessa forma, ele contou que assinou o contrato com o Instituto Novos Caminhos.

Questionado sobre a relação com Mouhamed Moustafa, ele disse ser puramente profissional. "Minha relação com esse senhor era a mesma que tinha com todos os outros empresários,  tipicamente republicana".

"Posso lhe assegurar com a verdade da minha vida que nunca me encontrei fora da secretaria com esse senhor, enquanto secretário. Depois que deixei a secretaria, ele me procurou para questionar contratos, acho que no shopping ou no escritório de algum advogado. Nunca dei privilégio para ele, se alguém disse isso está mentindo", emendou.

Alecrim disse ainda que interagiu com Jenifer Nayara e Priscila Coutinho na inauguração da UPA de Tabatinga e quando deu carona no avião do governo que os levou até o evento. Ele disse que esse era procedimento de praxe de quando há vagas na aeronave.

A investigação do Ministério Público Federal (MPF) apontou que o ex-secretário recebia mensalmente o valor de R$ 133 mil, o que ele também negou. "É uma das maiores mentiras já ditas contra mim", argumentou.

O MPF destacou que Alecrim teve oportunidade de não assinar os contratos com o INC. Sobre isso, ele afirmou que todo contrato só chegava para ele depois de passar por comissões e, por ter passado por elas sem ressalvas, não teve suspeitas, exceto em um parecer do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) que questionou a decisão de privatizar a gestão, mas por fim concordou com a gestão privada.

O processo, com base nos dados da Controladoria Geral da União (CGU), informa que o Instituto de Moustafa recebia mensalmente R$ 11 milhões para gerir as unidades. O valor foi contestado pelo ex- secretário. "A CGU errou ao afirmar isso, não checou unidades, não fez o que eu fiz, que foi conferir. Pegou dados soltos", garante.

Por fim, Alecrim disse que acredita que a justiça será feita e ele será inocentado no caso.

Ainda nesta tarde, o ex-secretário da Fazenda (Sefaz) Afonso Lobo terá o depoimento colhido na sede da Justiça Federal.

Repórter de A Crítica

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