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Manaus
ECONOMIA

Zona Franca de Manaus atraiu 28% menos investimentos adicionais em 2017

Para o superintendente da Suframa, Appio Tolentino, a queda de investimentos no ano passado foi curta em comparação com outros anos. Ele atribui a retração aos reflexos da crise econômica 04/01/2018 às 05:35
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Positivo Tecnologia é uma das únicas empresas com investimentos aprovados em 2016 que voltaram a investir em 2017. Foto: Arquivo/AC
Rebeca Mota Manaus (AM)

Os projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS) no ano de 2017 somam R$ 2,9 bilhões em investimentos adicionais, mais de  R$ 1,1 bilhão a menos que o registrado no ano anterior, quando o investimento adicional foi de R$ 4,1 bilhões. No total, em 2017 foram aprovados 142 projetos industriais e de serviços, sendo 51 de implantação e 91 de atualização, diversificação e ampliação. Em termos percentuais, a queda nos investimentos adicionais foi de 28% no ano passado.  

Para o superintendente da Suframa, Appio Tolentino, a queda de investimentos  no ano passado foi curta em comparação com outros anos. Ele atribui a retração aos reflexos da crise econômica. 

“Se formos comparar de reunião para reunião não é problema estar caindo, a questão é cair cada vez menos. Em 2015 foi cruel, já em 2017 essas perdas foram menos intensas. E esperamos que a partir de 2018 possamos recuperar esses níveis de investimentos”, avalia.

O economista Wallace Meirelles explica que a atração de investimentos para a FM fica em segundo plano na agenda do governo federal. “As políticas do governo são direcionadas para corte de gastos e, infelizmente, a Zona Franca nunca foi prioridade nas pautas do Governo Federal”, diz.

Ele explica ainda que um dos motivos para os investimentos minguados na Zona Franca é o fato de o governo estar controlando os gastos e ver a Zona Franca mais como uma máquina de isenções do que de arrecadação. “Qualquer quantia que o governo deixe de arrecadar, ele já não considera transição. Os números da economia deram uma melhorada, mas não podemos dizer que 2018 vai dar um salto. Eu coloco um suspiro de crescimento em 2018”, detalha.  

A expectativa geral é que a retomada do crescimento da economia, que se verificou nos últimos meses de 2017 se intensifique ao longo de 2018, independentemente das incertezas políticas causadas pelas denúncias de corrupção, por exemplo. As eleições gerais de outubro também devem ter impactos no  panorama econômico, mas apenas no último quadrimestre, quando o mercado já estará em avançada recuperação. Esses fatores devem favorecer o aporte de novos investimentos na Zona Franca de Manaus.

Além disso, projetos já aprovados que aguardavam o melhor momento para sair do papel podem se concretizar em 2018, com reflexos também na geração de empregos. Porém, Wallace Meirelles ressalta que as incertezas persistem.

“Hoje ainda não podemos dizer com certeza que a economia vai melhorar, mas temos que manter o otimismo”, finaliza.

"Investimentos estão caindo menos"

Para o Superintendente da Suframa, Appio Tolentino, os investimentos estão caindo menos em comparação a outros anos. “Apesar cair, a queda está ficando cada vez menor. Entre 2014 a 2015 foi reduzindo bruscamente, já em 2016 a 2017 foi bem menos. Por isso estamos com uma perspectiva de 4 mil empregos para os próximos três anos contando com os dados de hoje”, conta.

Appio destacou que a Suframa tem seis projetos e entre eles tem o projeto de atração de investimentos, na área Zona Franca verde da Suframa intinerante.

“Isso faz com que o nosso nível de emprego e renda comece aumentar. Plantamos para colhermos no futuro. Achamos pouco que em 50 anos nós tivemos no máximo 600 indústrias e hoje temos 450. Lideramos 127 mil empregos no máximo hoje nós temos 85 mil. E isso é devido a falta de projetos na atração de investimentos. Acreditamos que a Suframa via conseguir alavancar os números de empregos se continuarmos com esses projetos”, diz.

Menos reuniões do CAS no ano passado

Por causa da baixa demanda das empresas, foram realizadas menos reuniões do CAS no ano passado do que em 2016, resultando, também, em número menor de projetos aprovados. 

O CAS é o conselho responsável pela análise e aprovação de projetos industriais visando a concessão de incentivos fiscais com a implantação na Zona Franca.

A última reunião ordinária do conselho em 2017 aconteceu na primeira quinzena de dezembro em Porto Velho (RO). Os problemas do modelo foram tema de debate na ocasião. O evento foi marcado por discursos de apoio à ZFM, com o anúncio da formação de uma frente de governadores da região Norte em defesa da Zona Franca e a luta pelo descontingenciamento de verbas para serem utilizadas em ações de desenvolvimento regional.

A última reunião do CAS em 2017 contou com a participação do superintendente da Suframa, Appio Tolentino, do governador de Rondônia, Confúcio Moura, e de demais autoridades e personalidades ligadas à classe política e econômica da Amazônia Ocidental e Amapá.

“O contingenciamento dos recursos da Suframa fere de morte muitos municípios carentes da região. Essa união dos governadores é para lutar contra isso. Vou lutar essa luta porque ela é justa e necessária", frisou o governador de Rondônia, Confúcio Moura.

Potencial

Uma demonstração de que a Zona Franca pode voltar a ter investimentos regionais foi a aprovação do projeto da empresa rondoniense "Bigsal Indústria e Comércio de Suplementos para Nutrição Animal", com aporte de US$ 3.6 mi.

BLOG: José Laredo - Economista

A verdade é que ainda estamos saindo da recessão do ano passado e essa retomada está sendo demorada.  Então 2017 não deu para ter essa recuperação, mas acredito que em 2018 vai ter uma resposta mais concreta. No primeiro semestre 2018 vai ter uma resposta mais acentuada na busca dos investimentos caso a reforma tributária beneficie a Zona Franca. Estamos correndo o risco se caso não haver uma cláusula de proteção do PIM. Além disso, também pode prejudicar os investimentos é a implementação de outras Zona Francas no Brasil, como no Maranhão, são coisas que conseguiram que postegar para 2018. A retomada dos investimentos está dependendo de uma série de variáveis políticas, pois a parte econômica da recessão a economia já conseguiu responder, mas estamos dependendo de decisões políticas e se essas decisões não forem favoráveis os investimentos vão demorar a voltar.

 

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