Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
RISCO

Zona Franca de Manaus: mais um ataque ameaça 10 mil empregos no Amazonas

Pressão desleal de concorrentes pode levar a Transire, uma das maiores empresas do segmento eletrônico, a deixar a Zona Franca



transire.JPG Diante da pressão, Gilberto Novaes, do Conselho Deliberativo da Transire, reuniu fornecedores para expor as dificuldades que a empresa tem enfrentado. Foto: Jair Araújo
19/06/2018 às 06:00

Maior empresa de maquininhas de cartão de débito e crédito do Brasil, a Transire Eletrônicos, responsável por dez mil empregos diretos e indiretos no Amazonas, está no centro de uma guerra patrocinada por empresas concorrentes que, com o apoio da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), fazem lobby para que a empresa feche as portas. Historicamente, a Abinee nunca favoreceu  a Zona Franca de Manaus.

Em favor das empresas concorrentes, a associação aponta questões burocráticas para tentar travar as operações da indústria amazonense, que mesmo atuando em plena conformidade com a legislação, tem sua permanência ameaçada no Polo Industrial de Manaus (PIM).  A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) já tomou conhecimento dos prejuízos que a eventual saída da Transire pode acarretar e estuda alternativas.

A Transire é um case de sucesso: saltou de 370 mil unidades vendidas em seu primeiro ano de produção, em 2015, para 2,3 milhões em 2017. A expectativa é de que a venda de maquininhas ultrapasse a casa dos 6 milhões neste ano. Outro detalhe: a indústria do Amazonas popularizou as maquininhas ao possibilitar aos pequenos comerciantes e pessoas físicas a oferta de pagamento online.

 “Ainda estamos investigando qual a motivação para essa perseguição das empresas concorrentes. A Transire é uma empresa Tupiniquim, 100% brasileira e sem suporte algum de uma multinacional, nem de pessoas influentes”, reclama um dos membros do conselho administrativo, Gilberto Novaes.

No alvo da disputa está o processo de importação e produção da placa de comunicação dos terminais que compõem as máquinas fabricadas pela Transire. A Abinee acusa a empresa amazonense de baratear o produto por meio da importação de componentes da China. Ocorre que a empresa, com aval da Suframa, já regionalizou toda a produção.

“Todos os laudos de produção e operação constantes no processo produtivo são observados e quando fomos notificados sobre a denúncia da Abinee pela Suframa, a empresa não se opôs em respeitar as adequações, tanto que um mês após essa notificação, já estávamos operando mediante aos novos requisitos adotados pela Suframa em seu novo entendimento”, informou Gilberto Novaes.

Dessa forma a Transire passou a produzir o componente eletrônico com o aval da Suframa, que segundo Gilberto Novaes, modificou o Processo Produtivo Básico (PPB) do produto para se adequar às normas da autarquia que comanda as indústrias do PIM.  

“É uma denúncia infundada da Abinee, pois tudo  quanto foi modificado teve o aval da Suframa. A autarquia aprovou, incluiu as alterações para a fabricação dos dispositivos das maquininhas. Foram concedidos por eles os laudos operacionais e de produção. Então está tudo debaixo da legalidade”, justificou Novaes.

A reportagem tentou ouvir a Abinee, mas não obteve resposta.

Impactos

A denúncia da Abinee pode forçar o fechamento da Transire Eletrônicos, o que traria impacto em pelo menos 10 mil postos de trabalho na ZFM. Isso porque diversos pequenos fornecedores dependem da Transire para manter seus negócios em operação, como o setor de componentes plásticos e embalagens. A Suframa avalia o caso e não respondeu à reportagem.

Fieam quer a permanência da empresa

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) afirma que a instituição está trabalhando para evitar a saída da Transire do polo de eletrônicos de Manaus. Segundo a instituição, a empresa tem todos os credenciamentos, licenças e projeto aprovado pelos órgãos competentes. O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, afirma não entender o motivo da pressão sobre a empresa.

“Não pensamos, em hipótese alguma, a perda de uma empresa desse porte. Vamos trabalhar para que as pessoas que decidem e que cuidam do nosso desenvolvimento, a Suframa, cumpra o seu papel de agente de desenvolvimento para estimular a permanência da empresa e dos empregos e dos investimos para o PIM”, declarou Azevedo.

O presidente do Sindicato das Indústrias Plásticas de Manaus, Claudio Antonio Barrela, confirma a legalidade de atuação da Transire ao obedecer todos os critérios de produção ditados pela Suframa.

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