Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020
LEVANTAMENTO

Zona Leste registra quase metade dos casos de malária em Manaus

Região com maior número de bairros na capital lista 48,2% nos casos da doença. Secretaria Municipal de Saúde indica que 17,3% dos casos registrados foram em ocupações desordenadas



show_DSCN0043_4B4191AB-8B0C-4D6B-B7AE-67B27918EF85.jpg Foto: Arquivo AC
22/01/2020 às 10:01

Cerca de 48,2% dos casos de malária registrados em Manaus durante o ano passado foram na Zona Leste, de acordo com levantamento divulgado nesta semana pela Prefeitura. Com 0,2% de notificações, a Zona Sul foi a que menos registrou casos. Ao todo, 6.522 procedimentos hospitalares decorrentes da doença foram realizados em Manaus. O número indica uma redução de 21,8%, comparado ao ano de 2018.

A malária é doença infecciosa produzida por protozoários do gênero Plasmodium, tendo como principal vetor de transmissão o mosquito Anopheles, e é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um grande problema de saúde pública nos países em desenvolvimento.

Em relação à distribuição por zona no município de Manaus, do total de casos registrados em 2019, 48,2% foram notificados na Zona Leste e 29,9% na zona Rural Terrestre, seguindo na zona Rural Fluvial (12,2%), Zona Oeste (6,9%), Norte (1,5%) e Sul (0,2%).



João Altecir, chefe do Núcleo de Controle de Malária da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), informa ainda que 17,3% dos casos de malária em Manaus foram registrados em localidades caracterizadas como ocupações desordenadas (invasões), com 1.123 notificações de janeiro a dezembro de 2019.

Altecir destaca que o Brasil é o país que mais registra casos de malária na região das Américas e atualmente os estados do Amazonas (43,24%), Pará (21,74%) e Roraima (11,94%) acumulam 76,92% dos casos notificados durante o ano de 2019.

“Mesmo com os bons resultados apresentados nos últimos anos, Manaus ocupa o 3º lugar no ranking nacional com 4,4% de participação no número de casos, e o 3º lugar no ranking estadual com 10,3%”, informa João Altecir.

Distribuição

“As áreas de floresta com rico manancial de água limpa são o habitat natural do mosquito transmissor da doença. Quando há invasão nessas áreas, normalmente na periferia da cidade, há um aumento na incidência de malária por conta do crescimento da população suscetível para a picada do mosquito infectado, potencializando o risco de transmissão e de surtos da doença. A Semsa realiza intervenção nessas áreas assim que identifica o risco de aumento de casos, procurando manter o controle da malária”, explica João Altecir.

Além das áreas de ocupação desordenada, João Altecir indica que a prática da piscicultura, abertura de estradas e ramais, balneários, retiros religiosos e outras atividades laborais em áreas de risco, despontam como os principais fatores determinantes para a manutenção e dispersão tanto da doença quanto do vetor de transmissão.

“Os responsáveis por essas atividades devem ter maior atenção para atuar com orientação técnica, avaliando o potencial malarígeno, e com regulamentação sanitária e ambiental adequada”, alerta João Altecir.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, pelo segundo ano consecutivo Manaus apresentou redução de casos de malária, já que em 2018 houve diminuição de 20,86% em relação a 2017.

Amazonas

De acordo com dados parciais da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), a malária teve uma redução de 12%, registrando 64.040 casos em 2019 contra 73.433 casos em 2018.

No ano de 2018 os 10 municípios com as maiores estimativas de casos de malária foram São Gabriel da Cachoeira com 15.504 casos, Manaus com 8.347, Barcelos com 6.417, Tefé com 3.923 casos, Santa Isabel do Rio Negro com 3.242, Coari com 3.132, Lábrea com 2.869, Atalaia do Norte com 2.162, Guajará com 2.043 e Tapauá com 1.889 casos.

Em 2019, São Gabriel da Cachoeira continuou liderando o ranking sendo o município com a maior estimativa de casos de malária, 8.582 no total, seguido por Barcelos com 8.048, Manaus com 6.503, Santa Isabel do Rio Negro com 4.273, Coari com 3.302, Lábrea com 3.271, Tefé com 2.589, Tapauá com  2.030, Carauari com 1.846 e Canutama com 1.803 casos.

Repórter

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