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NEGÓCIO

Amante da área central da cidade revela como cresceu em meio à crise financeira

Aos 44 anos, o empresário Marco Antônio Bento da Silva é herdeiro do Bar Calçada Alta, um dos mais tradicionais da cidade, e viveu a vida toda no Centro, onde tem as suas maiores lembranças 24/10/2017 às 15:39 - Atualizado em 24/10/2017 às 15:41
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Marco Antônio cresceu no Largo São Sebastião, entre brincadeiras de bola no gramado e ‘investidas’ na cúpula do Teatro Amazonas / Fotos: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Sou Marco Antônio Bento da Silva, tenho 44 anos e sou empresário. Sou herdeiro do Bar Calçada Alta, empreendimento iniciado em 1989 no intuito de termos uma renda. Na época meu pai, Antônio Silva, nascido em Póvoa de Varzim, em Portugal, tinha uma oficina de lanternagem, e como minha mãe, conhecida como Dona Kelé, que nasceu em Manaus filha de português, cozinhava muito bem, abrimos a lanchonete ‘Doce Sabor’ que só vendia docinhos moranguinhos, olhos-de-sogra, casadinhos, pudim de leite, bolo de chocolate, bolo tentador, sanduíche americano e salgadinhos como coxinha, risole de carne e camarão e kibe. Vendíamos eu e meus irmãos vendendo merenda por aqui pelo Centro entregando em bancos como o antigo Citybank e o Bic Banco. Quem administrava era o meu irmão Luiz, que trabalha e é prefeito de uma cidade no Rio Grande do Norte.

O calçada Alta foi crescendo, e os jantares já eram servidos de hora em hora na sala de jantar antiga da nossa casa com 10 lugares, a cozinha era a nossa mesma, num Fogão 7 bocas. As pessoas não conseguiam chamar o local de Doce Sabor, e sim de Calçada Alta, ‘aquele lugar que tem a calçada alta’. E mudamos nome e lá se vão 28 anos, mantendo as tradições portuguesas e com os pratos servidos realmente como são feitos em Portugal, mantendo as tradições das receitas da minha mãe como bacalhau, frutos do mar, paella, trabalhamos com feijoadas de frutos do mar a la carte, aos sábados com carneiro assado e guisado e as tripas a moda do Porto, que é uma feijoada portuguesa feita com feijão branco conhecida no Brasil como dobradinha. Sou sócio com a minha cunhada Tânia Ladislau. Abrimos a segunda unidade do Calçada Alta no Parque Dez Mall e até dezembro deveremos abrir a terceira unidade na estrada da Ponta Negra. 

Meus pais se conheceram no aeroporto, no dia em que o papai voltou do aeroporto de Ponta Pelada após o avião que ele iria viajar para São Paulo ter pegado fogo. Somos quatro irmãos homens - Marcos, Luís, Adriane e Carlos. Morando em Manaus só eu e o Carlos. Meus pais morreram em 2015 - ela com 76 anos em 26 de agosto e ele com 77 em 21 dezembro.

O que eu gosto de Manaus é a receptividade do povo, principalmente da antiga, e também sou apaixonado pelo Centro, que alavancou essa cidade. E os locais preferidos são a Ponta Negra e o Teatro Amazonas. No Teatro tenho laços afetivos e recordações da infância: joguei futebol no gramado, subi na cúpula, ajudei às vezes nas peças, na igreja de São Sebastião também. São momentos maravilhosos que não dá pra apagar. 

O que eu menos gosto é a área da Manaus Moderna, que deveria ser mais limpa e explorada. Nossa orla precisa ser melhor explorada. Também há insegurança no Centro da cidade, e deveria ter policiamento eficaz até 22h ou 23h principalmente nas paradas de ônibus e onde há furtos. Há também falta de higiene nos alimentos vendidos nas ruas. É desleal para nós comerciantes.

Meu momento marcante no Centro da cidade foi a Copa do Mundo de 2014, onde vi uma cidade alegre, ativa, e vivi isso com alegria pois recebemos pessoas de vários povos, raças, etnias, e que nós pudemos mostrar um pouco dessa receptividade que eu falei anteriormente sobre o nosso povo caloroso e que sabe receber.

O prato favorito é caldeirada de tamoatá, é diferente, e fiz até aqui no restaurante recentemente.

Desejo uma manaus mais limpa, segura, e que sinceramente os governantes parem de olhar só para os próprios umbigos e olhem para o povo. Quero uma Manaus com emprego, que o homem tenha dignidade, que possa correr atrás e batalhgar pelo salário dele. Sei que nada justifica, mas muito da nossa violência é em função da crise. Veio muita gente de fora pra cá. É como diz a música: ‘Porto de lenha tu nunca serás Liverpool’. Mas a cidade virou Liverpoll. Nós aproveitamos a crise para ganhar dinheiro. Antes da crise eu estava quebrado, e na crise eu consegui crescer, trabalhando, que é o que eu sei fazer, criando pratos alternativos executivos de peixe regional tipo costela de tambaqui com arroz, feijão, farofa e vinagrete a R$ 16, filé de pirarucu ao mesmo preço, tucunaré de 600 gramas a R$ 18, bife por R$ 14, peito de frango a R$ 13. E peguei meus pratos mais caros e criei executivos deles com a mesma qualidade.

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