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Minha Manaus
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Arquiteta sul-mato-grossense alcança sucesso profissional e espiritual em Manaus

Adriana Elisandra Kovalski Verão nem imaginava que, um dia, ficaria tão apaixonada e atraída pela capital do Amazonas 24/10/2017 às 14:42
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Arquiteta vislumbra, do alto, a Manaus que a acolheu (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Me chamo Adriana Elisandra Kovalski Verão, tenho 42 anos, sou arquiteta e empresária. Sou de Dourados, no Mato Grosso do Sul, filha de gaúcho e mato-grossense. Mas só nasci em Dourados, pois passei a minha vida toda em Campo Grande. Estou em Manaus desde 2 de janeiro de 1999 e em 2018 eu faço 19 anos aqui na cidade.

Vim casada com um militar que eu conheci em Campo Grande e meu ex-marido, que é carioca, tinha entre Manaus, Boa Vista e uma terceira opção que eu não me lembro para escolher se transferir. Na época eu tinha 23 anos, nunca havia saído de Campo Grande e queria ir para um lugar novo. Aí ele me falou que havia saído a transferência para Manaus. A primeira coisa que eu fiz foi pegar o Guia Quatro Rodas que, de Manaus, só tinha uma folha. Não sabia o que eu ia encontrar aqui. Vim super na expectativa. Minha família toda lotou o aeroporto pra me despedir. Viemos eu, meu ex-marido e minha filha, Luiza Verão, que na época tinha 8 meses. E a bebezinha vai fazer 20 anos no ano que vem, em abril. Foi muito legal vir pra cá, parece que quando tem que vir, vem. Não foi nada planejado, não tínhamos parentes aqui. Parece que já éramos daqui.

Quando cheguei estava recém formada em arquitetura. Há 20 anos esta parte de arquitetura e decoração estava dando os primeiros passos em Manaus. Fui em uma loja e a gerente era de São Paulo, e falei que eu trabalhava com interiores, fazendo meu marketing, e dei meu cartão. Não percebi que o dono estava escutando a nossa conversa. No outro dia recebi uma ligação e era da MS Casa à época na Cachoeirinha.

Vi aquela loja grande e o dono me perguntou o que eu achava dos ambientes, e eu falei que não estava bom e que, pra melhorar, tinha que estudar o ambiente pois estava bagunçado. Naquele mesmo dia eu consegui a vaga. Comecei arumando a loja, colocando sofá aqui e alí e as coisas foram acontecendo muito rápido. Eu tenho vontade de trabalhar e a cidade era carente de profissionais dessa área. Ninguém precisa pedir pra fazer: se você vê a necessidade, vai lá e vai atendendo, independente de ser seu trabalho ou não. Às vezes se perde a oportunidade de conhecer alguém.

Após três anos morando aqui eu me separei. Eu poderia ter voltado pra mamãe, com 27 anos, mas eu quis ficar. A MS Casa foi uma escola pra mim onde cheguei a ser gerente geral e fiquei sete anos. Aprendi muito lá. Recebi convites para ir para Boa Vista, mas não entramos num acordo e voltei. Não era Boa Vista o negócio, e sim Manaus. Depois montei meu próprio escritório de arquitetura, já que as outras lojas não tinham o mesmo padrão da MS. Aí quando eu fiz 31 anos, no dia 31 de janeiro, eu fui a São Paulo para pensar num negócio que eu teria condições de abrir. Teria que ser uma coisa que complementasse. Fiz uma lista de coisas que não haviam aqui e essa coisa de quadros e molduras eram um dos itens que tinham, mas eu achava que, como arquiteta, poderia ter coisas melhores. Aí acabei trazendo a franquia da Fast Frame que vai fazer 11 anos em 2018. De irmãos somos eu, Fabrícia, Róbson e Amélia. Só a Fabrícia não veio a Manaus me visitar.

Em vários lugares eu me sinto bem em Manaus, mas há locais como o pier do Hotel Tropical que eu vou para olhar o rio e que é mágico. Tem uma energia diferente. Já me peguei correndo para olhar o pôr do Sol lá. Gosto de um café regional lá da Torquato Tapajós. E do Teatro Amazonas também: parece que eu já vivi nessa época antiga. Lá tem uma energia maravilhosa. Acho o povo de Manaus muito acolhedor. Em Manaus se mistura muito quem não é da sua família. Acho que o pessoal já é acostumado. É simples. É gostoso. Eu gosto de juntar as pessoas.

Não gosto em Manaus da desorganização de nomes das ruas da cidade. Há muitos nomes iguais e fica confuso. Andei em ônibus quando cheguei em Manaus e acho que transporte público poderia ser melhor. Há muitas quedas de energia na cidade. Quando eu ou parentes precisaram de serviços da área de saúde fomos bem atendidos.

Ter o primeiro negócio, o Fast Frame, foi uma coisa bem marcante. A inauguração da segunda loja, há cerca de 6 anos, que ficava no Vieiralves, foi marcante porque ela era uma loja muito bonita, montada nos padrões mais altos das moldurarias do Brasil, e na inauguração eu entreguei pessoalmente 200 convites e praticamente todos foram. A rua Pará parou, as pessoas pararam pra ver a inauguração. Foi muito legal. Outra coisa legal é que a nossa franquia da Fast Frame sempre fica entrre 1º e 2º lugar do País em meio a 50 lojas. Isso significa que o lugar é especial. Neste ano fiz minha primeira exposição de arte, que eu tinha muito esse desejo, com materiais artísticos de São Paulo de gravura assinada.

Nós temos riquezas maravilhosas. Conheci há pouco a história do Moacyr Andrade, e tive acesso através de uma pessoa de um vídeo da vida dele. Fiquei encantada com a história dele. Quero até saber se alguém tem vontade de fazer uma exposição dele. Assim como eu muitas pessoas não sabem a verdadeira história dele, que foi um dos únicos a ganhar prêmios fora do Brasil como artista plástico. Nós conhecemos muito essa coisa do índio, do regional, mas eu sinto que é necessário um intercâmbio. E falta aos artistas a cultura de valorizar a arte monetariamente. Como o manauara é muito dado, até o próprio artista ou te dá ou faz mais barato.

Meu prato favorito é o tambaqui assado e a tapioca. Minha mais nova paixão é o x-caboquinho, que é o pão, banana, tucumã e queijo. É muito bom.

A Amazônia tem uma energia em nível de progresso do planeta Terra. Não tenho apêgo, sou de qualquer lugar. Às vezes dá uma baqueada por causa da família. Não posso dizer que sou manauara, mas tenho muito respeito pela cidade. Eu procuro sempre fazer pelas pessoas, trazer palestras para os próprios arquitetos, arrumar alianças pois sozinha eu não consigo.

A Manaus que eu quero é com mais infra-estrutura básica como luz e água para todas as pessoas. Tenho comigo um valor que é o desenvolvimento profissional, então hoje eu contrato quem está na faculdade. Essa questão da educação poderia ser mais desenvolvida. Depende de todo mundo. A arquitetura evoluiu muito, e está cada vez mais evoluindo. Você vê os restaurantes temáticos. Quando eu cheguei aqui só havia o Amazonas Shopping, com sua 1ª etapa, e o Cecomiz. Manaus tem tudo. Às vezes tem gente de lá de fora que pensa que não tem".

Perfil

Nome: Adriana Elisandra Kovalski Verão 

Idade: 42 anos

Natural de:Dourados (MS)

Profissão: Arquiteta e empresária, franqueada da molduraria Fast Frame. Passou boa parte da vida em Campo Grande até chegar a Manaus, em 2 de janeiro de 1999, e não sair mais. Em 2018 ela faz 19 anos na cidade e é apaixonada por locais onde pode ver o pôr-do sol.

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