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Minha Manaus
GUERREIRA

Dificuldades da vida não tiram a alegria dela, que já passou por muitos dramas em Manaus

Mãe de sete filhos, sendo um falecido, e desempregada, Rosana conta já ter passado por muitos apertos, mas mantém o sorriso no rosto e a esperança no coração para vencer na vida 24/10/2017 às 00:07 - Atualizado em 24/10/2017 às 09:32
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Rosana Silva, moradora do Beco Boa Vista e de frente para  a fábrica da Cervejaria Miranda Corrêa, um dos símbolos da cidade / Fotos: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Me chamo Rosana Serra Silva, tenho 37 anos e sou dona de casa. Moro em um apartamento no Beco Boa Vista, em São Raimundo. Sou daqui de Manaus e nasci na Matinha (Presidente Vargas). Meus pai é de Belém e minha mãe de Alter do Chão (PA), e se chamam José da Silva Serra e Palmira Nogueira Serra. Eles vieram a Manaus em busca de melhorias. Ambos moram aqui em Manaus e se conheceram após o papai trabalhar no hospital São Braz.     

Eu tive sete, sendo que uma faleceu com 1 ano e 1 mês, a Rianda Ketlen e outra está morando com o pai na cidade de Borba, a Mickele Lane, de 12 anos. Tenho três morando comigo - eles se chamam Richard da Silva Leite, 8, Reisson, 6, Renan Bryan, 4, e um casal reside com a mamãe, o Alex Serra, de 14 anos, e a Ana Carolina, 18.

O que eu mais gosto em Manaus é de olhar para o rio daqui da vista do local onde eu moro. Gosto de olhar a arquitetura dos prédios antigos da cidade. De olhar pras bandas do Porto, também. Moramos nesta casa, nos mudamos e voltamos novamente até agora há cinco anos. Somos em quatro irmãos: além de mim tem a Ana Lúcia, José Henrique e João Carlos.

Quando vim morar na primeira vez a minha filha que tem 18 anos tinha apenas 1 ano. Viemos do Mutirão aqui pro São Raimundo. Moramos em várias pessoas aqui no prédio.

Eu gosto de ir em balneários, como aquele que se formou depois da ponte Rio Negro, ou no Porto da Balsa do São Raimundo, onde lota. E às vezes pro outro lado da cidade. Geralmente vamos em família.

O que eu menos gosto na cidade é o clima quente e os casos de roubo, violência, esses casos assim. Já fui assaltada, aqui mesmo na rua Boa Vista, no São Raimundo, quando eu ia buscar meu filho no colégio. Eram 17h e eu estava com o celular, quando tocou e um rapaz vestido de mototaxista me olhou. Ele parou na minha frente e disse pra mim passar o aparelho e fez menção que tinha uma arma na cintura. Ano passado fui assaltada no Centro, na Matriz. Eu estava com um amigo que foi agredido. Corri pra pedir ajuda da polícia, mas eles disseram que não poderiam fazer nada.

Tenho saudade da beirada do São Raimundo, antes das obras da orla, quando havia um flutuante. Era uma diversão que tínhamos. Outro momento marcante da minha vida foi a perda da minha filha, dia 17 de junho do ano passado. Ela ficou internada quase um mês com pneumonia, foi pra UTI e faleceu.

Um lugar que gosto de sair pra me divertir aqui em Manaus é um local chamado Mários Bar, aqui na Glória, onde todo sábado vou lá. Não vou a shoppings. Quero trabalhar. Meus filhos recebem bolsa-família. às vezes empresto dinheiro da mamãe e recebo ajuda do meu namorado. Gosto de baião-de-dois, feijão, arroz, jaraqui ou tucunaré frito, tambaqui.

A Manaus que eu quero é uma cidade mais segura, pois a gente não pode sair pra alí. Crianças não podem brincar, há muitas delas sumindo. A violência tá demais. É um entra e sai de prefeito, um entra e sai de presidente e não melhora nada aqui no Brasil.

Perfil

 Nome:  Rosana Serra Silva
 Idade: 37 anos
 Natural de: Manaus
 Profissão: Dona de casa
 Curiosidade: Ela mora em um apartamento no Beco Boa Vista, em São Raimundo, Zona Oeste da cidade, defronte à famosa Cervejaria Miranda Corrêa. Filha de paraenses, o pai dela, José da Silva Serra, é de Belém e a mãe, Palmira Nogueira Serra, nasceu em Alter do Chão (PA).

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