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Minha Manaus
LEMBRANÇA

Manauense recorda de uma capital antiga tomada por igarapés limpos

Maria Amália Castelo Branco relembra momentos da infância e critica acessibilidade política e cultural de gestão 24/10/2017 às 12:22
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Amazonense carrega na memória lembranças de uma Manaus antiga (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Meu nome é Maria Amália Castelo Branco Afonso, tenho 65 anos, sou amazonense de Manaus nascida na rua Leonardo Malcher, e tenho uma visão de igarapé muito nítida na minha memória pois eu fui praticamente que educada entre os fundos da Leonardo e o igarapé do São Raimundo. Naquela época fazíamos todas as atividades recreativas, tomávamos banho, atravessávamos de catraia para o outro lado, rumo ao antigo matadouro do São Raimundo. Minha visão de criança era de um Centro positivo no sentido que a criança brincava, não tinha grandes obstáculos do ponto de vista humano, como a pedofilia. Você corria de uma rua pra outra. Sou advogada atualmente e docente aposentada do curso de Direito da Universidade Federal do Amazonas.

Meus pai Mário Afonso, já falecido, nasceu na rua Alexandre Amorim, onde minha avó, Amália Afonso, exercia a função com meu avô Porfírio, que até hoje tem a casa deles que é um patrimônio tombado, de verdureiro. E minha mãe, Margarida Castelo Branco, também amazonense, todos nós fomos moradores da Alexandre Amorim.

Manaus tem me surpreendido como cidade, eu gosto muito daqui embora ainda veja que a grande dificuldade seja a questão da acessibilidade política e cultural de gestão. Eu gosto muito do Centro, que me revela a minha história e escolho, inclusive, como lazer aos domingos, ir visitar o Centro, a avenida Eduardo Ribeiro, o Porto de Manaus, as partes mais históricas. Trabalhei no Teatro Amazonas quando jovem e fui, inclusive, candidata ao Miss Amazonas quando trabalhava na extinta Emantur. O que me fascinava era aquele entorno do Teatro, e na época não era vivenciada culturalmente como é hoje, mas me revelava a arte nouveau daquele monumento da Praça São Sebastião e o próprio Teatro e o Palácio da Justiça. O Relógio da Eduardo Ribeiro me dá boas ideias. O que falta é uma política que possa conciliar o lado cultural do Centro com o lado comercial.

Não gosto na cidade muitas vezes da falta de zelo e a ausência do próprio cidadão em valorizar a sua cidade. Seria a omissão desde a falta de educação em jogar um papel na rua, pixar monumento, a relação dos gestores públicos em não saber trabalhar na área de recursos humanos a educação ambiental da cidade, de como se pode gerir a cidade.

Meus momentos marcantes foram os vividos no Centro, entre elas os festivais folclóricos no estádio General Osório, e na Eduardo Ribeiro com os desfiles escolares. O civismo trabalhava a valorização do Centro, que se deveria deixar a rua limpa.

O canto favorito é o entorno do Teatro e o próprio.

Sou apaixonada por qualquer coisa que tenha farinha, ou seja, o peixe frito, jaraqui com limão, o pato no tucupi.

Quando eu era jovem eu reclamava mais e não observava muito. Hoje, com meu grau de cultura e experiência, vejo que a acessibilidade do ponto de vista de gestão pública ainda está muito a desejar. Gostaria de um pacto entre o prefeito, que é o gestor da cidade, e a população. Vejo uma distância e uma falta de interesse pelo cidadão em geral. Os acessos ao gestor público da Prefeitura são muito por área de privilégio. Tipo: aqui na Zona Leste, na alameda Cosme Ferreira, não há calçadas. Mas se eu for na avenida Paraíba (atual Umberto Calderaro) ou na Ponta Negra, o nível de acessibilidade é maior porquê o prefeito serve às castas sociais mais altas. Não sou menos alta ou mais alta, porquê me sinto classe média, mas acima de tudo sou cidadã.

Quero uma Manaus mais humana do ponto de vista de relacionamento que o prefeito ouvisse o cidadão. Eu, por exemplo, estou com uma promessa de pintura da praça próximo do conjunto onde eu moro aqui no Coroado que leva o nome de um filho meu já-falecido, Adriano da Silva Ferreira, desde maio! A qualidade do serviço do gestor público é muito ruim: eles tapam os buracos com um material muito ruim, e no outro ano todos abrem.

Perfil

Nome: Maria Amália Castelo Branco Afonso

Idade: 65 anos

Profissão: advogada  e docente aposentada do curso de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Natural de: Manaus

Curiosidade: Passou praticamente a vida toda entre os fundos da rua Leonardo Malcher e o igarapé do São Raimundo, no Centro da cidade.

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