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Parintins 2017
Itens do festival

André Nascimento já fez estudos em aldeias para viver pajé do Garantido

O início da sua trajetória, porém, marcou ele e o bumbá: André foi o primeiro dançarino de coreografias do boi vermelho 02/07/2017 às 17:19 - Atualizado em 02/07/2017 às 17:21
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(Foto: Evandro Seixas)
Laynna Feitoza Parintins (AM)

Como profissional da saúde atuante na fisioterapia, o parintinense André Nascimento, 38, costuma receber pacientes indígenas com um carinho especial. “Sou fascinado pela raça indígena. Já fiz estudos dentro de uma aldeia”, declara. Todo mês de junho, ele passa a ser, além de um cuidador de pessoas, um cuidador indígena-espiritual. É ele quem vive o Pajé do Boi Garantido há 19 anos, com 17 vitórias e apenas dois empates, sendo o item que mais venceu entre os dois bumbás atualmente.

Os estudos feitos na aldeia foram justamente para analisar como ele poderia levar certas características indígenas para suas performances no Bumbódromo. “Como temos um Festival Folclórico, ele nos traz a liberdade de buscar essa mistura entre a dança mais folclórica com a rústica, a pisada que o índio faz”, justifica André, que brinca de boi desde novo.

O início da sua trajetória, porém, marcou ele e o bumbá: André foi o primeiro dançarino de coreografias do Garantido. “Antes era só o dois-pra-lá e dois-pra-cá. Como eu fazia parte do grupo de dança de Parintins, eu era um dos poucos que era Garantido, e isso despertou nos coordenadores essa atenção. Estava numa competição quando recebi o convite para ser o coreógrafo do Garantido", conta ele.

Nascimento lembra que, antigamente os pajés do boi vinham todos de Manaus. "Mas em 98 participei do concurso para ser pajé e fiquei em segundo lugar”, conta ele. Mas a diretoria do bumbá, na época, chegou à conclusão de que, por já ser atuante no setor de dança do touro branco, André merecia ficar com o cargo.

Em 1999, o fisioterapeuta foi chamado para ser item oficial. “Como o Garantido mudava sempre de pajé, para mim eu só viria naquele ano. Eu me dediquei, estudei, fiz teatro... meu ponto forte era a dança, mas eu precisava de cênica e fui buscá-la”, pontua. Na sua estreia, Nascimento ganhou com um ponto de diferença, uma larga vantagem. “Meu orgulho é ter essa trajetória de vitórias. Tive dois empates e nunca perdi nesses anos”, celebra ele.

Outra vertente

Quando deixa de lado a indumentária de pajé, ele adora cozinhar. “Faço uma torta chamada ‘Miscigenação’. É uma torta com a base de cupuaçu, mas leva três cores. O índio é representado por uma geléia de cor mais morena, e o negro é simbolizado pelo brigadeiro. Quando você come, mistura as três cores”, pondera. Ele também é um supersticioso tradicional.

“Vim de família católica. Quando meu módulo alegórico está sendo empurrado para a Arena, eu faço uma oração”, diz ele. E, pelo número de vitórias como item e por ser o pajé um líder espiritual da tribo, só nos resta crer que os deuses tribais dizem “Amém”.

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