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Parintins 2017
RAINHA

Apaixonada pelo Garantido, Isabelle Nogueira leva o folclore à arena

A resiliência, o senso de inteligência e o caldeirão de lendas de Isabelle Nogueira em seu terceiro ano na arena 27/06/2017 às 16:17
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Isabelle Nogueira tem 23 anos e é professora de espanhol (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Laynna Feitoza Parintins (AM)

O dito “brinquedo de criança” se encaixa perfeitamente na vida de Isabelle Nogueira, 23. O Boi Garantido parecia um bichinho de pelúcia aos olhos dela, na infância. “A minha mãe me levava muito no ensaio do boi que acontecia no Sambódromo, em Manaus, quando eu tinha cinco anos. Quando o Garantido aparecia, que parecia um ursinho, eu ficava muito apaixonada”, destaca a professora de espanhol.

Antes de assumir o cargo, a Rainha do Folclore do Boi Garantido dançava no grupo de dança tribo Kaçaueré e sempre encantou a todos com a performance cheia de personalidade e destreza. Em 2012, ela disputou o posto de porta-estandarte, o mesmo que consagrou Verena Ferreira, eleita à época. “Quando eu perdi, fiquei muito mal. Minha mãe me disse que eu tinha que me preparar para perder, antes de tudo, e eu não estava pronta. Quando competi de novo (em 2014, ao item atual), disse a mim mesma que estava preparada para perder, e dessa vez eu ganhei”, relembra.

Isabelle nunca fez distinção em relação aos itens. Seu sonho sempre foi ser item do Garantido, não importando qual. Por estar no cargo que representa a manifestação folclórica no boi-bumbá, as lendas e mitos se entrelaçam em sua existência – e ela tem até um favorito.

“Tem a lenda da sereia Iara. Ela era uma índia e os tuxauas queriam matá-la por inveja, por ela ser guerreira. Eles a amarraram e a jogaram no rio para morrer. Os peixes a soltaram e a salvaram. Aí ela começou a reinar nas águas. A Iara começou a ser temida pelos inimigos, fizeram de tudo contra ela, mas a sereia se tornou como Ajuricaba e foi considerada imortal”, conta Nogueira, com verdadeiro domínio sobre o que fala.

Fora do boi-bumbá, Isabelle milita fortemente a favor do ensino. “Quero fazer mestrado em Educação. Depois do Festival vou me dedicar especificamente a isso. Também vou fazer outra pós, a de metodologia do ensino superior”, declara ela. Por ser professora, a profissão muito a auxilia como item do boi. “A profissão me ajuda a ser mais dedicada, ouvir a opinião do próximo, diferenciar o que é crítica construtiva do que é comentário maldoso. Fazer parte da liderança e me envolver com meu item”, assegura.

Aliás, Isabelle não se envolve somente com seu item, mas com todos os organismos ao redor dele, como fantasias, alegorias, entre outros. “Sou tachada de chata porque estou sempre presente falando sobre fantasia, alegoria... estou sempre ali, dando dicas e sugestões sobre como tudo pode melhorar. Quando eu ganho no meu item, as pessoas me idolatram, compreendem as minhas sugestões e dedicação”, completa.

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