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Parintins 2017
HISTÓRIAS DE PARINTINS

Apaixonados pelo Caprichoso ultrapassam barreiras para participar do festival

Músico disse que ia à padaria e só voltou dias depois para curtir a festa. Enquanto isso, amor pelo boi pode estar na cabeça, literalmente 29/06/2017 às 08:00
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Músico afirma que saiu de casa para comprar pães e acabou parando na Ilha (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Lídia Ferreira Parintins

Paixão se vive, não se explica. E quando o assunto é boi-bumbá, os apaixonados pelo Caprichoso ultrapassam qualquer barreira para participar do Festival Folclórico de Parintins. Vale atravessar o País ou mesmo ir à padaria e só voltar para casa depois da apuração.

Parece, mas não é história para boi dormir. O músico Didi Redman saiu de casa, de manhã cedo, para ir à padaria e acabou parando na ilha tupinambarana. Sem cerimônias, ele revela ter sido necessário esse “jeitinho” para conseguir a liberação da patroa, a esposa Ana Cláudia. “Eu guardei duas mudas de roupa no portão, falei que ia ali comprar pão e saí de casa. Quando ela viu eu já estava na telinha dando entrevista”, conta. Mestre de bateria da escola de samba Vitória Régia, de Manaus, ele participa da Marujada de Guerra há 20 anos. “Como eu era conhecido do Carnaval, pisei na ilha e fui flagrado pela TV e ela me viu. Fui perdoado porque naquela época nem tinha celular, era difícil telefone em Parintins. É uma rainha, estamos até hoje juntos”, declara.

A loucura pelo Caprichoso não parou por aí. Anos depois, Didi tinha se convencido de não ir ao festival. Mas, uma semana antes da disputa, foi parar no Porto de Manaus e entrou no primeiro barco que apareceu, uma tentativa de não tentar desistir da aventura. “O comandante nem ia para Parintins, eu o convenci. Era um barco de linha, que parou em sete cidades. Ele nem sabia a rota para ilha, fomos ‘na marra’, perguntando onde era Parintins. Saí segunda e só cheguei no destino na quinta”, relembra. “Pior foi na volta. Roubaram os refletores, mas viajamos assim mesmo, e felizes por termos ido”.

Caprichoso na cabeça

O bumbá azul e branco literalmente não sai da cabeça do carioca Fausto de Assis. Todos os anos, ele faz um corte de cabelo dedicado ao Caprichoso. “Pintar de azul já nem é mais novidade, já virou tradição”, diz. E é em Parintins, com o amigo e cabeleireiro Hercules Pantoja  que ele muda o visual a cada edição do evento. “Eu gosto de parecer com o caboclo, já cortei igual índio, desenhei o boi no cabelo, fiz de tudo”, destaca.

Funcionário público, ele morou em Parintins de 1980 a 1995, quando a  Universidade do Estado do Rio de Janeiro tinha um campus no município. “Comecei a brincar no boi e não parei mais, me apaixonei e faço de tudo para estar aqui”, conta.

Integrante da equipe Figura Típica há 32 anos, depois que voltou a morar no Rio de Janeiro, só tira férias no período do festival. São 23 anos em que o destino é Parintins. “No meu trabalho, todo mundo sabe que junho é meu mês de férias, não tem jeito, tem que ser”, destaca.

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