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Parintins 2017
MEMÓRIAS DO FESTIVAL

Artista plástico Antônio Cansanção inova há três décadas nas alegorias do Garantido

Pioneirismo do artista já abrilhantou diversas noites de apresentação do bumbá vermelho e branco 29/06/2017 às 11:57
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Antônio Cansanção mostra algumas de suas criações para as apresentações do Garantido (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Jhonny Lima Parintins (AM)

Com mais de três décadas dedicadas à criação de artes para tribos indígenas, rituais e lendas, o artista plástico Antônio Cansanção é muito conhecido no Boi Garantido devido ao seu talento e história de vida relacionada ao boi, que abrilhantaram diversas noites de apresentação do bumbá vermelho e branco, com muitas inovações que refletiram no próprio festival.

O ano 2000 foi um marco para a carreira de Cansanção, com o ritual Casa das Flautas. “Também foi uma virada de página. Antigamente as alegorias entravam como módulos soltos na Arena e o restante ficava diretamente no chão do bumbódromo. A diretoria não queria que a evolução tribal e a coreografia cênica ficassem no piso, mas em cima da alegoria. Foi a primeira grande estrutura alegórica que surgiu no Festival de Parintins”, recorda.

No ano seguinte, outro trabalho teve uma grande repercussão com o ritual Cupendiepes. Cansanção conta que a alegoria contava a história cosmopolita indígena relacionada às origens da tribo e ao cotidiano sobre as forças da natureza e os seres superiores.

Nesse contexto histórico havia uma tribo de homens-morcegos que assolavam outra tribo. Houve então, um combate para que as tribos se libertassem dos homens-morcegos. Foi o momento da aparição do pajé e o morcego principal tinha uma grandiosidade, com impacto na Arena. A alegoria defendia tanto a lenda como o ritual. Era uma alegoria “colossal”, conta ele.

“O ritual foi a primeira alegoria que chegou a ter 40 metros de largura por 26 metros de profundidade dentro do Bumbódromo”, ressaltou o artista plástico de alegoria.

Sufoco

Outro momento marcante para Antônio Cansanção foi durante a grande cheia de 2009, quando o Garantido teve alegorias prejudicadas por conta da enchente. A do ritual Deni foi uma delas: os danos foram tantos que ela só foi concluída no dia da apresentação e levada às pressas para o Sambódromo, horas antes do início. “Já existe uma ansiedade ao retirar as alegorias com dias de antecedência, imagine no mesmo dia de apresentação. Conseguimos, com empenho, montar esse ritual, e foi um ritual que estourou na Arena”.

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