Publicidade
Parintins 2017
segunda noite

Boi Caprichoso fecha segunda noite de Festival com homenagem à floresta 

O grande momento da noite azulada ficou por conta do ritual “Monhagaripi”, alegoria do artista Jucelino Ribeiro, que é uma cerimônia de passagem e ao mesmo tempo de cura 26/06/2016 às 01:27 - Atualizado em 26/06/2016 às 01:43
Show 2noi
Foto: Márcio Silva
Rafael Seixas Parintins (AM)

Na segunda noite de apresentação, o Caprichoso prestou uma homenagem à natureza por meio do espetáculo “Viva nossa floresta”, que também teve de ser reformulado porque a alegoria Lenda Amazônica “Tandavú – A fera dos rios”, dos artistas Nei Meireles e Márcio Gonçalves, foi utilizada na estreia do boi-bumbá da estrela após “Juma” quebrar horas antes da abertura do 51° Festival Folclórico de Parintins (a 326 quilômetros de Manaus).  

A apresentação iniciou com a Figura Típica “O Pescador”, de Karú Carvalho, mostrando o cotidiano dos ribeirinhos que encontram na pesca a subsistência. O pajé Waldir Santana, que completou 30 anos à frente do item n° 12, fez uma grande evolução coreográfica, contando ainda com a beleza dos tuxauas. 

Ainda para a surpresa do público presente, a índia mais bela da aldeia, a cunhã-poranga Maria Azêdo, saiu das asas de uma arara azul. Ela fez uma apresentação imponente, levando todos, inclusive a própria Marujada de Guerra, à “loucura”. 

O levantador David Assayag deu o tom da festa e o resultado refletiu de forma positiva, por meio de toadas como “Viva a Cultura Popular”, “Amazônia nas Cores do Brasil”, “Rostinho de Anjo”, “Negro da América”, Os pescadores”, “Viva Parintins” e “Sentimento Caprichoso”. 

Já Adriane Viana mostrou que ainda traz os trejeitos da sinhazinha e a capacidade de renovação, afinal, retornou ao item após dez anos. O Boi Caprichoso também deu show no meio da galera junto com Fabiano Neves, que estreou como apresentador no Festival Folclórico de Parintins. 

História da terra

A Lenda Amazônica encenada foi “Paitunaré – O cavalheiro das águas”, do artista Emerson Brasil, que seria originalmente da terceira noite. A obra conta a história do jovem cavaleiro que montava um galante cavalo negro com ambas as patas brancas e parecia pisar a um palmo de chão. Além disso, usava uma armadura e um manto cor de púrpura, era um estranho e misterioso ser, vindo de mundos desconhecidos. 

Seu manto mudava de cor ao piscar dos olhos, sua voz tinha dimensões líricas, cabelos cor de fogo e olhar ofuscante e enigmático. Era um ser híbrido de estrutura confusa parecendo um anjo celestial e outra do próprio demônio. Tinha aparência de uma cobra grande encantada que, em passe de mágica, tomava forma humana. Como um belo cavalheiro, aparece para encantar as caboclas nos beiradões e nas festas de santo do interior. 

Da alegoria surgiu a rainha do folclore Brena Dianná, que mostrou que está bastante preparada para enfrentar a sua adversária do Boi Garantido, Isabele Nogueira. 

Poder xamânico

O grande momento ficou por conta do ritual “Monhagaripi”, alegoria do artista Jucelino Ribeiro, que é uma cerimônia de passagem e ao mesmo tempo de cura. Quando um Tuxaua, uma sacerdotisa ou mesmo um pajé morria, os índios tapajós faziam uma cerimônia fúnebre, um culto aos mortos, que demorava dias ou até meses se o morto tivesse alto prestígio entre os índios. 

Os ossos eram moídos e colocados em bebidas fermentadas, servidas aos parentes próximos do morto, aos tuxauas, pajés e convidados ilustres do grande ritual. A comunhão dos ossos era realizada na “Casa do Paricá”, onde os tapajós bebiam os entes queridos, cantavam e oravam aos ancestrais, os monhangaripis. Durante o ritual, o pajé Waldir Santana se transformou numa cobra e depois se metamorfoseou novamente, tornando-se outro xamã no meio da arena do Bumbódromo. 

Encerramento

Na última noite de apresentação no Festival, o Boi Caprichoso abre o evento, que terá um peso de responsabilidade maior para alguns itens, pois somente aqueles que compõem o bloco A serão julgados. Fazem parte do grupo apresentador - item 1; levantador - item 2; Batucada ou Marujada - item 3; amo do boi - item 6; boi-bumbá evolução - item 10; toada, letra e música - item 11;  e galera - item 19.

Publicidade
Publicidade