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Parintins 2017
IMAGINÁRIO CABOCLO

Caprichoso quer usar a inovação como arma para vencer o Festival

Ex-aluno da escolinha de artes do boi é o presidente do Conselho de Arte e promete um azul e branco diferente 26/06/2017 às 08:30
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Ericky Nakanome é uma das apostas do Bumbá da Francesa para o Festival Folclórico (Foto: Márcio Silva)
Paulo André Nunes Parintins (AM)

Sob nova presidência, tendo reformulado a direção do Conselho de Arte e em busca do campeonato perdido ano passado, o Caprichoso foi “provocado” a pensar um boi novo e, ao mesmo tempo, a experiência pede que a associação folclórica tenha pé no chão.

E é no comando de desenvolvimento do tema “A Poética do Imaginário Caboclo” que a associação folclórica  deu um dos maiores exemplos dessa reformulação: a confirmação de Ericky Nakanome, 32 anos, formado na Escola de Artes do próprio Caprichoso, para a presidência do Conselho de Arte. “O Caprichoso já foi buscar a Amazônia na biodiversidade, falando até dos insetos que estão submergidos na terra, mas nunca mostrou coisas que estão muito presentes no cotidiano parintinense, na rua,que nós vamos mostrar. Mistérios que nunca foram mostrados em livros, mas na cultura nós vivemos diariamente, com nossos avós. Nosso compromisso está em mostrar o novo, o ousado e com pé no chão”, disse o parintinense, graduado em artes plásticas e com mestrado em artes visuais - ele morou na Bahia, onde fez também  mestrado em História da Arte.  

“Tivemos, ano passado, um festival em queda, assim, que ficou fragilizado, e nós entendemos que para o evento voltar a crescer esse ano o artista parintinense precisa dizer: eu sou diferente, eu tenho que voltar a ser o artista que ousa, eu tenho que voltar a ser a mente mais criativa do Norte do Brasil, eu tenho que fazer valer os méritos que as pessoas colocaram nos artistas parintinenses. É o momento que o boi necessita trazer o novo. Escolhemos três lendas inéditas, vamos fazer rituais inéditos e o que não for inédito vamos fazer de maneira super ousada e diferente. Vamos estrear tecnologias como o MAP (espécie de projeções) para trazer uma diferença, uma novidade pra um festival que foi pensado desde a construção da ficha técnica dentro do Caprichoso como o novo”, revelou Nakanome.

“Sou um curumim que vem da escolinha, que foi embora daqui cedo, e que voltou e tem um desafio gigante hoje, e com itens novos, com coordenadores novos, então o boi se apoiou em pessoas  da tradição: 40% são da tradição e 60% são de pessoas novas que conhecem o boi de dentro da base, desde lá de baixo”, comentou Ericky Nakanome, em meio ao corre-corre para finalizar os trabalhos.

Resgate

Para o festival de 2017, segundo o presidente do Conselho de Arte, o Caprichoso foi pensado dentro da lógica “de fazer um boi novo que não vire Carnaval”. “Que esse boi novo não seja apenas espetacularização, mas que seja cultura popular e folclore mostrado com base e de maneira ousada para trazer o turista de novo a Parintins e reafirmar o compromisso dos artistas parintinenses. E para fazer com que o ego e a auto-estima do torcedor Caprichoso seja restaurado”, declarou.

Isso começa, diz ele, com coisas que muitos pensam que não fazem parte da Arena, como a reestruturação do espaço do Conselho de Arte com bureau, sala-cofre, sala de desenhistas, o curral, a escolinha... “Mas todas essas estruturas foram mexidas justamente para que agora, nesta reta final, nós tenhamos um foco na Arena e que tudo isso possa convergir para o espetáculo de Arena. Pensando nisso, o Caprichoso vem um boi novo, pautado na tradição, que aposta nas cabeças novas e que reafirma o compromisso com a sua tradição, um boi que desde a  pesquisa foi pensado de maneira nova. Todo o festival já conseguiu se expandir para falar até da Amazônia internacional, mas nunca falou da Amazônia negra. E o Caprichoso vai falar da Amazônia negra”, revelou.  

Expectativa

Ele falou da responsbilidade de assumir um dos cargos mais importantes do boi da Estrela. “É muita responsabilidade. Cresci aprendendo com artistas como Juarez Lima, Simão Assayag, Ronaldo Barbosa, Oséas Bentes, Karu Carvalho e hoje estou no comando deles. Pra mim a responsabilidade é de quem  tem que  vencer, de quem tem que acertar e não tem direito a erros”, destaca ele.

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