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Parintins 2017
ECONOMIA E ENCANTO

Com palha e cipó, Caprichoso resgata origens naturais na preparação das alegorias

Assim como nos primórdios, quando Roque Cid e Luiz Gonzaga usavam materiais da floresta, boi aposta na sustentabilidade em 2017 29/06/2017 às 12:33
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Artista Glaucivan Silva é um dos que aderiu à "economia criativa" no boi Caprichoso (Foto: Márcio Silva)
Paulo André Nunes Parintins (AM)

Em tempos de crise, a utilização de materiais recicláveis e a aposta na natureza viraram tônica no Boi-Bumbá Caprichoso. A associação folclórica passou a incluir, pincipalmente nas suas alegorias, materiais como folhas autênticas, juta, bambu e palha como elementos que substituem outros e dando um efeito muito impactante para o tema “A Poética do Imaginário Caboclo”.

Um dos artistas mais importantes do azul e branco, o experiente Juarez Lima comentou que a alternativa era necessária em face, principalmente, do que aconteceu nos últimos dois anos de Festival, com a crise econômica.

“Na verdade, a necessidade é a mãe de todas as coisas. E o Festival, durante dois anos, passou por uma extremidade. Vem lá dos nossos galardões Roque Cid e Luiz Gonzaga, que faziam essa brincadeira com materiais simples, usando palha, cipó”, contou.

Inspirado neles, há 10 anos ele foi um dos primeiros artistas a usar materiais orgânicos, como serragem e palha de canarana, usada na alegoria karamanaé.“E, com a necessidade de novo que o boi passou, houve a possibilidade de buscar isso, prova que a maioria dos artistas está usando a folha, a serragem. Isso é muito bom porque interage com a nossa Amazônia e a maioria das pessoas, com esse espetáculo, querem ter uma identidade nossa. Nossa personalidade cultural é uma festa que defende os elementos da floresta, o índio, o branco, e o que mora nas florestas? As ervas, as fibras, as palhas, os cipós, esses elementos eles vão integrar fortemente o boi”, explica ele.

Economia criativa

O artista vai levar para a Arena do Bumbódromo uma embarcação que promete empolgar por ser quase totalmente feita de um material bem curioso. “Estou fazendo uma jangada de camburão, por conta da crise. Vocês vão ver. É a chamada economia criativa. Tivemos que usar a nossa capacidade imaginativa. Até o próprio tema pede, não é? A ‘Poética do Imaginário Caboclo’”, afirma, citando Albert Einstein, que dizia que “só a imaginação é mais importante do que o conhecimento”.

“Você tem que se imaginar, na adversidade, no caos, que vai haver uma solução. E Deus sempre dá para aqueles que têm fé e creem nele, a solução para vários problemas. Não importa o extremo. Sempre há uma luz e ele sempre nos dá a capacidade de termos no olhar e nas mãos um toque de Midas para transformar o caos em lixo, com a beleza que Ele sempre nos proporcionou, que é a grande arte que fazemos”, explica.

Juarez sonha com o dia em que a utilização de materiais recicláveis vire uma tendência no Festival de Parintins. “Quem sabe nós não podemos, no futuro, pegar essa matéria-prima da região e nem comprar materiais sintéticos fora, mas sim usar o que temos, esses recursos naturais na nossa Amazônia, principalmente morando nesse jardim bucólico que é essa terra sagrada, esse santuário amazônico que nos propicia tantas possibilidades”.

Alegorias trarão folhas de verdade

Um dos artistas de ponta do boi azul e branco que vêm realizando inovações este ano é Glaucivan Oliveira da Silva. Há 28 anos na associação folclórica, ele é um dos artistas que vai utilizar materiais naturais nas alegorias.

“O artista sempre inova. E o Caprichoso sempre inovou e estamos trabalhando com materiais alternativos, como folhagens da natureza, sem tirá-las das árvores, mas reaproveitando-as e usando elas como penas de pássaros, decoração de folhagens da natureza, de árvores, colocando novamente esse materiais para decorar alegorias, como era no passado.Trabalhamos com palha, juta, garrafa pet e outros materiais alternativos também para reduzir custos”, explica ele.

Entre as folhagens naturais utilizadas pelos artesãos parintinenses do Caprichoso estão as das espécies de cajueiro, castanheira e de mangueira.

A folha natural substitui materiais emborrachados, plásticos e outros artificiais. “Decidimos voltar às origens”, ressalta ele, em meio às suas alegorias que prometem surpreender na Arena.

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