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Parintins 2017
'Viva nosso folclore'

Com superação, boi-bumbá Caprichoso fecha primeira noite na arena do Bumbódromo

Parte do espetáculo do Caprichoso teve de ser reformulado horas antes da apresentação, após a quebra da alegoria Lenda Amazônica 'Juma' 25/06/2016 às 02:44 - Atualizado em 25/06/2016 às 02:48
Rafael Seixas Parintins (AM)

Na sua primeira noite de apresentação, o Caprichoso mostrou que veio se superar na arena do Bumbódromo.  Após um problema de última hora com a alegoria Lenda Amazônica “Juma”, do artista André Amoedo, que quebrou algumas horas antes da estreia no 51° Festival Folclórico de Parintins (a 326 quilômetros da capital), o Conselho de Arte resolveu o contratempo de forma rápida e prática. A medida adotada foi substituir a alegoria pela “Tandavú – A fera dos rios”, que seria da segunda noite. O susto não tirou em nenhum momento o brilho do espetáculo “Viva Nosso Folclore”, primeiro pilar da tríade criada para o tema “Viva Parintins”.

O Boi da Francesa começou a sua apresentação mostrando como foi a chegada do grande folclore na Amazônia. É o nordestino entrando em Parintins, se metamorfoseando com os elementos que encontram e aprendendo a cultura e os costumes, moldando-os dentro do que entendem como boi-bumbá.

A partir dessa fusão de experiências e vivências surgiu o boi-bumbá de Parintins. Tudo isso foi retratado por meio da alegoria Figura Típica Regional “Benzedeiras – A cura e a fé”, do artista Juarez Lima, que presta também uma homenagem ao falecido curandeiro Valdir Viana. A rainha do folclore, Brena Dianná, saiu da alegoria e desenvolveu uma coreografia que remete aos ritmos nordestinos, levando à “loucura” a nação azul e branca.

A grande surpresa ficou por conta da Lenda Amazônica “Tandavú – A fera dos rios”, dos artistas Nei Meireles e Márcio Gonçalves, que conta a história da fera Tandavú,  lançada há muito tempo nos rios, nas regiões mais abissais e remotas das águas. Quando chega a noite, as águas começam a sussurrar fúnebres melodias, fortes ondas começam a ser formadas para bater ribanceiras e, na aldeia dos parintintin, todos se recolhem por medo.

Da peça saiu a cunhã-poranga Maria Azêdo, que também investiu numa coreografia inusitada, contando com participação ativa do Corpo de Dança do Caprichoso. Outro destaque foi a Marujada de Guerra que saldou em 360° o público presente na Arena do Bumbódromo.

A noite foi encerrada com a alegoria Ritual Indígena “Tocaia Kagwahiva”, do artista Júnior de Souza, que faz um resgate ao ritual de cura da tribo parintintin. O pajé Waldir Santana entra em transe e chega a uma maloca transcendental onde se reúnem os velhos espíritos desse plano sobrenatural. No local, eles conversam sobre o que foi encontrado na natureza que promove a felicidade e a cura. O pajé, como numa tocaia, escuta os segredos e leva esses conhecimentos para a aldeia parintintin, restabelecendo a felicidade e curando as enfermidades presentes na tribo. O item n°12 mostrou uma desenvoltura exímia, digna das suas três décadas como pajé.

Roteiro de alegorias não está definido

No segundo dia de apresentação, marcado para este sábado (25), na arena do Bumbódromo, o Boi da nação azul e branca fecha a noite com o espetáculo “Viva nossa floresta”.  De acordo com o roteiro de apresentações, o Caprichoso contaria com três alegorias, mas a Lenda Amazônica “Tandavú – A fera dos rios”, dos artistas Nei Meireles e Márcio Gonçalves, teve de ser utilizada na primeira noite do evento, após a alegoria Lenda Amazônica “Juma” quebrar na manhã de sexta-feira (24), na Praça dos Bois.

“Primeiro, um tubo rompeu e, depois, os outros também e, por isso, nós decidimos soldá-los. Até o momento ainda não sabemos se a alegoria irá ser apresentada na segunda ou na terceira noite do Caprichoso. Quem decidirá será o Conselho de Arte”, declarou Amoedo em entrevista.

Até agora estão certos na apresentação de hoje a Figura Típica Regional “O pescador” e o Ritual Indígena “Monhagaripi”, respectivamente dos alegoristas Karú Carvalho e Jucelino Ribeiro. O responsável pela concepção do espetáculo, Chico Cardoso, informou que o ritual será uma grande homenagem à floresta.

“Porque é ela e os nossos rios que nos dão matéria prima para esse nosso imaginário louco dos artistas parintinenses que criam umas coisas que a gente tem que correr atrás pra poder colocar na Arena. Nessa noite, vamos levar o ritual Monhagaripi, que é um ritual de passagem e, ao mesmo tempo, de cura”, disse o integrante do Conselho de Arte do Caprichoso.

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