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Parintins 2017
Emoção vermelha

Com 'Tradição e Fé', Garantido dá espetáculo na 2ª noite na arena do Bumbódromo

Na noite dedicada à tradição e à fé, o boi da Baixa de São José começou trazendo para a arena do Bumbódromo a padroeira de Parintins, Nossa Senhora do Carmo, e a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, numa composição artística que une a fé dos parintinenses num grande momento de emoção e arte 25/06/2016 às 22:44 - Atualizado em 25/06/2016 às 22:55
Show boi
Foto: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Parintins (AM)

Tradição e fé sempre estiveram presentes na rica história do Boi Garantido. E na apresentação deste sábado (25), no segundo dia do 51° Festival Folclórico de Parintins, o bumbá da Baixa do São José trouxe esses dois expoentes religiosos em suas mais significativas formas como subtemas do tema oficial “Celebração”. A fé foi necessária para apresentar um grande espetáculo após a “acelerada” exibição do primeiro dia, quando a associação deixou a Arena às pressas por conta do tempo e o gigantismo de seu conjunto folclórico.

Na noite dedicada à tradição e à fé, o Boi Garantido trouxe para a arena do Bumbódromo a padroeira de Parintins, Nossa Senhora do Carmo, e a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, numa composição artística que une a fé dos parintinenses num grande momento de emoção e arte.

Romeiro 

A tradição religiosa de Parintins determinou o surgimento da mais celebrada figura típica regional: os Romeiros de Nossa Senhora do Carmo, que participam todo dia 16 de julho, da grande procissão em louvor à padroeira da cidade. Pela genialidade dos artistas Júnior Feijó e Francinaldo Guerreiro, o Garantido retratou os romeiros, que vêm das cidades vizinhas e das comunidades rurais do Município, suas oferendas, os moradores que enfeitam suas casas, com fitas e imagens da padroeira, além da grande procissão que arrasta, a cada ano, uma multidão maior de devotos.


Foto: Márcio Silva

O Boi Garantido veio à arena trazido por uma garça, bem como o levantador de toadas Sebastião Junior. O conjunto alegórico trouxe até o “Belezão”, como é chamado o Garantido em versão gigante. E erguida num grande anjo entrou em cena a porta-estandarte Daniela Tapajós. Logo depois, nova aparição do Garantido encarnado pelo tripa Denildo Piçanã: o boi saiu debaixo da réplica gigantesca. 

Na base de provocação, o Amo do Boi Tony Medeiros entoou vários versos contra o Caprichoso, um deles até citando que a operação Lava-Jato deveria investigar o “boi contrário”.

Tradição de fé

A própria “Tradição e Fé”, subtema deste sábado, representou a “Celebração Folclórica”, novamente com concepção do artista Júnior Feijó. Nela, foi simbolizada a identidade religiosa da Baixa do São José, vila humilde de pescadores onde o Boi-bumbá Garantido nasceu de uma promessa a São João Batista feita pelo seu criador, Lindolfo Monteverde, descendente de negros vindo do Maranhão.

Na alegoria, foram retratadas as igrejas de São Benedito, São José Operário e nas manifestações de fé nas festas juninas em louvor a Santo Antônio, São João e São Pedro.

Junto com os tuxauas-luxo, assim como ontem, o Pajé André Nascimento fez uma grande evolução junto com as tribos coreografadas, arrancando muitos aplausos de todos os presentes ao Bumbódromo (exceto, claro, a torcida adversária, que mesmo assim acompanhou a exibição com seus celulares).


Foto: Aguilar Abecassis

Macacos vermelhos

Um dos momentos mais esperados deste Festival ocorreu na exibição da Lenda Amazônica “Macacos Vermelhos”, retratando a grandiosa batalha entre dois bandos de macacos guaribas: os vermelhos e os pretos, estes últimos que levaram a primata mais bela da aldeia rival. Ao final da batalha, o guariba preto é derrotado, e a primata libertada é ninguém menos que a Cunhã-Poranga Verona Ferreira, que chegou com arrojo e garra de uma india guerreira. Destaque especial para a galera vermelha e branca nas arquibancadas: durante a encenação dos macacos, os torcedores entraram no clima, se dividiram em dois grupos e “duelaram” amistosamente entre sí, com urros e braços imitando primatas. Um show à parte.

O artista responsável por dar vida aos grandiosos primatas foi Zilkson Reis.

Para que o internauta do ACRITICA.COM se situe geograficamente: a lenda citada povoava o imaginário dos primeiros nordestinos que vieram para a exploração da borracha nos seringais da Amazônia.

Ritual Kanamari

Antes do esperado ritual, quem chamou muita atenção pelo gingado e beleza foi a Rainha do Folclore Isabelle Nogueira, que foi conduzida à Arena em cima da cabeça de uma imensa cobra. 

O povo indígena Kanamari, que habita a região do Juruá e parte do Vale do rio Javari, na região oeste do Estado do Amazonas, veio artisticamente para a Arena do Bumbódromo mostrar o Ritual Indígena Kanamari, numa criação dos artistas Manuel Sorin e Pingo de Souza. Foi a batalha dos Kanamari contra as entidades Kohaha Dyohko (espíritos de animais que vagam pelas florestas e que atiram flechas enfeitiçada nos viventes).

O Boi Garantido encerrou sua apresentação com a galera vermelha e branca cantando com a Batucada, feliz, consciente do dever cumprido. A associação folclórica está na briga pelo título!


Foto: Márcio Silva

Terceira noite

Neste domingo (26), o Garantido encerra o Festival desenvolvendo o subtema Folclore Amazônico.

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