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Parintins 2017
coreografias

Dois pra lá, dois pra cá: as toadas que vão das rádios para o festival

Coreografias do Boi Garantido são inspiradas em pesquisa e em ‘hits’ como ‘Metralhadora’ e ‘Tá tranquilo, tá favorável’ 21/06/2016 às 12:53
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Para as coreografias de arena e tribais, a ordem é ousar e inovar. Na arena, os movimentos têm um nível de dificuldade maior (fotos: Márcio Silva)
Lorenna Serrão Parintins (AM)

Se tem uma coisa que contagia os admiradores do Festival Folclórico de Parintins são as toadas dos bumbás. E como não poderia deixar de ser, no mês de junho o ritmo que embala a Ilha Tupinambarana é o “dois pra lá, dois pra cá”. Mas você já se perguntou como surgem as coreografias? De onde vêm as inspirações para a criação de novas danças todos os anos? Fomos atrás dessas respostas no Garantido e descobrimos que lá pela Baixa do São José as influências são muitas e vão desde as toadas antigas até o hit do momento, independentemente do estilo musical.  

Mas antes de falarmos sobre os ritmos que inspiram o Boi do Povão, vamos entender quais são os tipos de coreografias. De acordo com o coordenador do “Garantido Show”, Pedro Evangelista, 42, no bumbá encarnado existem três tipos: de palco, de arena e a tribal. E cada estilo tem um processo de criação. No caso da coreografia de palco, a regra é ser o mais simples possível. Já nas de arena e tribal a ordem é ousar. Todas as coreografias são criadas por um grupo de coreógrafos profissionais do bumbá. 

“Nas coreografias de palco precisamos pensar em passos fáceis, principalmente na parte do refrão da toada. Tudo para que a galera não encontre dificuldades na hora de aprender. E também porque essas danças são apresentadas geralmente em palcos, ou seja, o espaço acaba sendo pequeno para tentar algo mais trabalhado”, explicou Evangelista.


O coordenador do  ‘Garantido Show’, Pedro Evangelista, explica que, na coreografia de palco, objetovo é ser ‘simples’

Inspirações

Sobre as inspirações para a criação das coreografias do boi do coração, Evangelista explica que os responsáveis pela montagem das danças sempre fazem uma pesquisa para buscar outras referências. E os ritmos que despertam novas ideias são os mais variáveis possíveis. “Nós sempre criamos uma nova coreografia a partir de coisas atuais. Como um funk do momento ou um axé.  

Este ano, por exemplo, foi impossível ignorar as coreografias das músicas “Metralhadora” e “Tá tranquilo, tá favorável”, disse Evangelista, que completou: “As antigas toadas também não podem ser ignoradas, é sempre importante pegar algo do passado e encaixar com algo mais moderno. Mas vale lembrar que não copiamos nada, apenas nos inspiramos para fazer algo diferente a partir de coisas que já existem”. 

‘Ousadia’ é a palavra de ordem

Esqueçam a simplicidade dos passos das coreografias de palco: nas tribais e nas de arena, que são apresentadas durante o Festival de Parintins, a ordem é justamente inversa. Por isso, na hora de escolher os movimentos da dança, a ideia é ousar e abusar da criatividade dos passos. Com um espaço maior para desenvolver as coreografias, os responsáveis pela criação investem em acrobacias.

“As coreografias de arena são mais dinâmicas. Normalmente os coreógrafos apostam em círculos, saltos, triângulos e movimentos que são desenvolvidos no chão”, disse Evangelista.

Para que nada aconteça fora do contexto na hora das apresentações, Pedro explica que os coreógrafos recebem da diretoria do boi informações privilegiadas sobre o tema escolhido para cada ano.

“Nós recebemos da comissão de arte uma pesquisa sobre o tema, algo sobre a história das tribos. E também buscamos informações dos rituais e das lendas. Além disso, vamos atrás de referências em outras festas folclóricas, como a ciranda de Manacapuru”.

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