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Parintins 2017
CELEBRAÇÃO

Garantido promete contar na arena a relação de espiritualidade e regionalidade

Em fase final de preparação para o 51º Festival Folclórico de Parintins e envolto em mistério, bumbá vermelho e branco vai contar na arena do bumbódromo a relação da espiritualidade e da regionalidade 20/06/2016 às 12:04 - Atualizado em 20/06/2016 às 18:27
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Diretor musical do Garantido, Fred Góes fez mistério sobre os detalhes das três noites de apresentação: ‘A gente precisa ter mais conhecimento da nossa religião’ / Fotos: Aguilar Abecassis
ACRITICA.COM Parintins (AM)

Contar a história da ancestralidade dos povos da Amazônia dentro do plano da espiritualidade e da regionalidade. É o que o Garantido vai fazer nas três noites do 51º Festival Folclórico de Parintins. Com o tema “Celebração”, definido no final do ano passado, o Boi do Povão vai mostrar a força da cultura espiritual na arena.

Fred Góes, membro da comissão de arte do boi da Baixa do São José e diretor musical, revelou o passo a passo de como foi feita a escolha do tema, mas preferiu não falar nada sobre como o bumbá encarnado irá detalhar isso no bumbódromo nos próximos dias 24,25 e 26. 

“O tema foi uma sugestão do Roberto Reis, coordenador da comissão de arte. Quando começamos a discutir sobre ele detectamos que ao longo desses 18 anos de comissão de arte nós já fizemos várias celebrações e a espiritualidade sempre esteve muito presente. Por isso, esse foi o nosso primeiro eixo na busca por elementos que fortalecessem o tema de uma forma muito mais contextual”, explicou Fred, que se afastou do boi em 2014 e está de volta este ano.

Ainda segundo o presidente da comissão de arte, o Garantido vai tratar a regionalidade que vem junto com a colonização, somada à espiritualidade indígena, através dos mitos, lendas e grandes rituais indígenas. “Tudo isso é uma parte muito forte da cultura da Amazônia, assim como da cultura de modo geral. Mas nós trabalhamos com os elementos mais focados na nossa região, porém, temos a consciência de que essa espiritualidade é universal. Todo mundo tem essa busca pelo DNA”, disse Fred Góes, acrescentando que o discurso do Garantido defende que somos frutos dessa ancestralidade espiritual e que, de alguma forma, acabamos nos distanciando dela.

“A ideia é mostrar na arena essa força que a cultura espiritual trouxe pra dentro do nosso folclore, pra dentro da cultura amazônica, o Festival de Parintins trocura ver isso. Então nós, esse ano,  focamos muito nisso. Eu não quero dizer que isso seja uma coisa só do Garantido, é uma coisa da cultura amazônica, parintinense, que está muito presente. Os momentos na arena estarão sempre muito interligados a essa leitura da espiritualidade, ancestralidade que nos formou, nessa mistura de muita gente. A gente precisa ter mais conhecimento da nossa religião, que é extremamente fantástica”, concluiu.

Segredos

Fred Góes não foi o único a guardar segredos sobre as apresentações das três noites do Garantido. A reportagem entrou em contato com Edwan Oliveira, outro membro da comissão de arte, mas,assim como o diretor musical, ele também manteve o sigilo. “Não posso falar nada sobre os resumos das três noites. Só posso falar sobre o contexto geral”, comentou Oliveira para, em seguida, falar sobre o tema “Celebração”, o máximo que ele “revelou”.

“O projeto ‘Celebração’ vai festejar a nossa identidade cultural com o próprio Festival, como o produto maior dessa diversidade cultural que culminou no boi-bumbá. A ancestralidade que é toda essa herança cultural, essa gênese cabocla. Vamos celebrar as nossas crenças”,  concluiu Edwan Oliveira, que  acumula a função de diretor de arena e figurinista do Boi do Povão. 

O retorno à Baixa do São José

Após um ano longe do Garantido, Fred Góes retornou ao Boi do Povão este ano com a missão de levar um espetáculo para a arena que garanta uma vitória encarnada. Para isso, Fred aposta na teatralização que, segundo ele, é um dos pontos que não tem como ser descartado nunca.

“Cada ano é um ano, claro que há as variantes de cada momento, mas todo ano temos que levar três espetáculos pra arena e precisamos entender que o teatro não tem mais como retroceder. Com a teatralização, a evolução na arena ficou mais ágil, o corpo cênico coreográfico tomou conta do espaço cenográfico. A interação do contingente humano com o alegórico é mais presente, antes era aquela coisa de só abrir o braço lá em cima como uma mera decoração, hoje é preciso você interagir teatralmente com cada momento”, comentou. 

Apesar de apostar na teatralização, Fred acredita que dentro do Festival de Parintins ainda há muita coisa a ser feita nesse sentido. “O boi é um grande musical, e como todo musical a teatralização é importante. O espetáculo de parintins tem a mesma grandiosidade de qualquer grande espetáculo do planeta. Estamos no caminho certo, dentro do nosso conceito de espetáculo temos que avançar muito ainda. Nós estamos no início. Eu ainda espero ver os espetáculos dos bois chegarem a um bom nível teatral e a um produto final de uma grande apresentação”, acrescentou. 

Fred fez questão de ressaltar que no boi não há espaço para amadorismo. “O boi se profissionalizou, não cabe mais amadorismo, não existe espaço para o saudosismo”.  

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