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Parintins 2017
LETRA E MÚSICA

Inspiração divina para criar as toadas que guiam o Touro Negro no Festival

Simão Assayag e Ronaldo Barbosa integram o Conselho de Artes e formam time de peso de compositores do Caprichoso 27/06/2017 às 13:55 - Atualizado em 27/06/2017 às 14:16
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Uma das inspirações de Simão Assayag é a vida sobre as águas: memórias da infância alimentam as ideias (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Paulo André Nunes Parintins (AM)

Membro do Conselho de Arte do Boi Caprichoso, o engenheiro civil Simão Assayag é figura identificada com o azul e branco de Parintins. Ele é o criador do Conselho de Arte do Boi e nunca saiu do Caprichoso, tendo ficado à frente do comando produtivo da associação folclórica por  alguns anos.

Neste ano, ele aparece com três toadas no CD oficial do Touro Negro, além de participação em outras. “Braço da Francesa” é uma das duas de Assayag classificadas para o CD de arena do Caprichoso. A inspiração principal foi a infância do compositor.

“Essa toada tem muito da minha infância. Meu pai tinha motor (embarcação) e eu passava o dia me escondendo da hora pra voltar pra casa. Fui contando isso para o César Moraes e fomos construindo letra e música juntos”, explica ele.

Com Ronaldo Barbosa, ele fez “Para o Amigo, um Sorriso, uma homenagem para o ex-apresentador e ex-levantador do  Caprichoso, Arlindo Jr., antes do mesmo ter problemas de saúde, com um câncer. “O Arlindo gravou essa toada como demo, com som abafado, e acabamos colocando ela desse jeito mesmo no no CD oficial. Na época ele não havia tido o problema. Acabou sendo uma espécie de premonição, foi meio maluco. Fiz a letra viajando de barco de Manaus para cá para Parintins, conversando no rio. Escrevi, guardei e o Ronaldo gostou”, relembra o membro do Conselho de Arte do Caprichoso.

“Barro, Fé e Catedral”, uma parceria com Neil Armstrong e Silvio Camaleão, é ligada diretamente ao forte elo que Simão Assayag tem com a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. “Sempre fui ligado às coisas  culturais, então fui nomeado, sem papel, uma espécie de consultor cultural na Catedral. Tudo que é feito de obra e mudanças passa por mim. Antes, todo pároco que entrava queria fazer modificação na estrutura da igreja. Teve um padre, chamado Benedito, que queria pintar a igreja de azul, imagine só. Outra ligação minha com a Catedral é que o papai, Elias Assayag, que era judeu, transportava as pedras para fazer a Catedral”, disse ele. A inspiração para fazer toadas é divina, diz ele.

“Não há uma fórmula para fazer toada. Não sou músico, sou inclusive desafinado. A coisa, quando vem, vem pronta. Se eu construir com violão não sai nada. A inspiração vem. É o chamado Espírito Santo, uma  das formas dele se manifestar”, disse Assayag.

O 'centenário' de Ronaldo Barbosa

 Um dos maiores compositores do Boi Caprichoso, o antropólogo, odontólogo e filósófo Ronaldo Barbosa, tem duas toadas no CD oficial do azul e branco nesta temporada: “Presságio” e “Para o Amigo, Um Sorriso” (esta em parceria com Simão Assayag e que foi composta para homenagear o ex-apresentador e levantador do boi, Arlindo Jr.).    

Barbosa chega a um momento especial em sua vida: com essas duas músicas ele se transformou no compositor com o maior número de toadas no Boi Caprichoso em todos os tempos, com 100 delas. Destaque para clássicos como “Saga de Um Canoeiro”, “Catedral”, “Vale do Javari”, “Candelabros Azuis”, “Canto da Yara”, Pesalodelo dos Navegantes”, “Bicho Homem” e “Réquiem”, que ficaram imortalizadas na mente dos torcedores azulados.

“Meu sentimento é de dever cumprido, porque iniciei os rituais no Boi-Bumbá Caprichoso, tive a oportunidade de mostrar meus trabalhos graças a J. Carlos Portilho, que permitiu que tudo isso pudesse acontecer em uma época onde, na Arena, não se podia fazer uso de instrumentos. Nós conseguimos introduzir uma música minha pela primeira vez num ritual - “Fibras de Arumã (1995)” - com a presença do teclado através de Alceo Alselmo, e por aí fomos traçando uma malha diferente musical. Incorporei no Boi-Bumbá Caprichoso, ao longo desses anos, um estilo de toada chamada ‘toada, letra e música’, que seriam, as toadas clássicas, onde fiz dezenas e concorri vários anos. Me sinto gratificado por ter feito tudo isso no boi. E hoje, efetivamente participando do Conselho de Arte, juntamente com os colegas, elaborando junto e participando desse colegiado especial que o Boi-Bumbá Caprichoso reúne, estas mentes brilhantes, fazer um boi contemporâneo, histórico, folclórico, antropológico, e acima de tudo, um boi exuberante, onde a nação azul e branca vai ter uma  grande surpresa na Arena, em 2017, com certeza”, explicou a “lenda”.  

Natural do Recife, ele vive um ano especial: além de ter recebido o convite do próprio presidente Babá Tupinambá para integrar o Conselho de Arte do Caprichoso, ele vive, pela primeira vez,  a felicidade de estar na mesma associação folclórica que seu filho, Ronaldo Barbosa Jr., que é autor de “Templos de Ouro” e “Cativo”, que também estão no CD oficial.

Profundo conhecedor do folclore, Ronaldo Barbosa diz que  compor toadas vem da inspiração que recebe, e não propriamente de pesquisas. “Não leio nada, observo situações e vem a inspiração”, disse ele, que chegou ao Caprichoso em 1989, inovando e ganhando espaço cativo na constelação do Touro Negro de Parintins.

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