Publicidade
Parintins 2017
RECORDAÇÃO

Memórias do Festival: lembranças da garra de um tuxaua histórico

Gudú, como é conhecido Fernando Oliveira, defendeu o item 14 entre 1975 e 1991 e guarda grandes histórias 28/06/2017 às 17:24
Show g062801
Gudú foi responsável pela criação das primeiras fantasias (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Jhonny Lima Parintins (AM)

Aguentar quarenta quilos de uma fantasia, sustentada praticamente apenas com a cabeça, não é para qualquer pessoa. Mas para um tuxaua do boi-bumbá, o amor pelo boi supera qualquer obstáculo. A situação era ainda mais desafiadora na década de 70, quando os recursos eram escassos e o material utilizado era ainda mais pesado.

Muito conhecido na Baixa do São José, Fernando Sérgio Marques de Oliveira, o “Gudú”, 62, recorda com saudosismo dos momentos em que defendeu o item 14 do Festival Folclórico de Parintins pelo Boi Garantido, entre 1975 e 1991. Sem eleger um só momento de destaque enquanto defendeu o posto de “Chefe da Tribo”, Gudú afirma que cada ano foi especial a seu modo e teve suas peculiaridades, mas todos tiveram uma coisa em comum: a expectativa de ser anunciado pelo então apresentador, Paulinho Farias.

“Pra mim, todos foram momentos bons, não teve um melhor que o outro, principalmente quando chegava na Arena e o Paulinho chamava e anunciava a entrada dos tuxauas. Era o momento que dava aquele ‘tic tac’ da maneira que você vai conduzir as coisas”, declarou  Gudú.

Ele ressalta que a responsabilidade aumentava na hora em que ele passava pelo portal para entrar na Arena. “Era a minha parte, a responsabilidade de defender o item. O ator se prepara para não ter falhas. E eu tinha essa maneira de ir preparado, de fazer tudo sustentando os quarenta quilos. O peso vinha e se concentrava todo nas pernas”, frisou o ex-tuxaua, que hoje atua como aderecista no Garantido.

Da criação à liderança da aldeia

Antes de ser tuxaua do Boi Vermelho e Branco, Gudú fez as fantasias das tupinambás por quatro anos. As “cunhantãs” eram escolhidas a pedido dos próprios pais. “Quem era loira pintava o cabelo de preto para poder ficar parecida com índias, isso ainda em meados da década de 1970”, disse.

O convite para representar a liderança de uma aldeia partiu do artista José Américo. Na época, Gudú não “botava muita fé”, mas foi só ter os primeiros contatos com o item que ele passou a gostar. “O José Américo disse: ‘Vamos participar dos tuxauas, é legal, tu vai ver só’. Fui com ele, conversamos muito com o  líder João Batista, fiz os testes fazendo o capacete. Não existia cola, então usamos goma. O primeiro desmontou todo”, contou, ao ressaltar que os tuxauas eram quem confeccionavam as próprias fantasias, utilizando pena, papelão, goma, cola, agulha, tesouras, facas, entre outros produtos, demorando até dois meses para finalizá-las.

Para incrementar e deixar a fantasia mais luxuosa, ele utilizava a parte brilhosa das embalagem de carteiras de cigarro e também as bolinhas de enfeites natalinos, que ele pilava para fazer de gliter.

 Gudú lembra da rivalidade que existia entre os bumbás no item 14. Enquanto ele e os demais tuxauas estavam do lado do Garantido, Zeca Xibelão defendia as cores do contrário. “Eu sempre ganhava ou empatava, mas nunca perdia”.

Publicidade
Publicidade