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Parintins 2017
Bastidores

Na concentração do Bumbódromo, batuqueiros falam da ansiedade para Festival

Entre o time da Batucada, houve quem demonstrasse paixão pela galera, quem dançasse enquanto toca e quem anunciou candidatura à presidência do boi vermelho, como no caso de Maria Monteverde, filha do fundador do bumbá 01/07/2017 às 02:05
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Maria Monteverde anunciou candidatura à presidência do boi (Fotos: Laynna Feitoza)
Laynna Feitoza Parintins (AM)

Na concentração do 52º Festival Folclórico de Parintins, os batuqueiros não escondem a emoção de participarem de mais um festival, defendendo um item do Boi Garantido, que vai abrir a festa no primeiro dia de apresentações. Entre o time da Batucada, houve quem demonstrasse paixão pela galera, quem dançasse enquanto toca e quem anunciou candidatura à presidência do boi vermelho, como no caso de Maria Monteverde, filha do fundador do bumbá.

Batuqueira há 68 anos, Maria Monteverde, 79, se emociona sempre com as vitórias do boi fundado por seu pai, Lindolfo Monteverde. “Temos 31 vitórias depois que começou a disputa em Parintins. Então, para mim esses momentos são marcantes, não tem coisa melhor do que receber elogios”, declara ela, que começou na Batucada tocando palminha, migrando depois para o rocar e hoje ela está no cheque-cheque, porque quebrou o braço há dois anos devido a uma queda.

Aproveitando o ensejo, Maria anunciou que vai se candidatar à presidência do Boi Garantido, que terá novas eleições em agosto deste ano. “Tive essa vontade ultimamente. Não tenho ganância por dinheiro, quero ajudar o trabalhador a ter um salário digno no Garantido”, pondera ela.

A agente de turismo Vanessa Albuquerque, 38, toca rocar há 10 anos, e já está acostumada. “Mas são três noites... todas as vezes que nós batuqueiros nos emocionamos mais é na hora de entrar na arena, porque a galera emociona demais”, pondera ela.

Segundo Vanessa, tem batuqueiro que chora, treme e arrepia ao tocar no Bumbódromo. Mas tudo tem que ser ensaiado com muito primor, para funcionar na arena. “Como somos todos um item só, temos que ter o cuidado para não errar. Ensaiamos três meses direto”, destaca ela.

O toque instrumental que mais emociona os batuqueiros, segundo ela, é o ritual – que costuma tocar na hora das tribos indígenas e pajé. “Por causa dos toques que são diferentes, e da paradinha. Mas todos os momentos do boi emocionam, cada toada é tocada pela galera com muito amor”, coloca ela.

Há 26 anos o pedreiro brincou na vaqueirada. Hoje, aos 65 anos, ele brinca na Batucada do Garantido, há cerca de 22 anos. “Desde os 14 anos eu brinquei na vaqueirada e tinha vontade de brincar na Batucada. Uma vez bati o surdo no teste e bati direito, e então comecei a brincar. Saber tocar na Batucada não é fácil, fazer animação, ritmo, graças a Deus isso envolve muito a Batucada’ diz ele.

Como a Batucada do Garantido é conhecida pelas coreografias que os batuqueiros desempenham nas apresentações,  ele garante que a idade não é problema para isso. “Todo o tempo vamos para o ensaio. O movimento de bailar, dançar cada música é sempre repetido com calma. Repetimos tudo para não dar errado”, encerra o pedreiro.

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