Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
MÚSICA

'Os Baiás’ emplacam quatro toadas no CD do Garantido e falam sobre suas composições

Composto por Marcos Moura, Enéas Dias e João Kennedy, os ‘Baiás’ do boi vermelho emplacaram quatro canções no CD oficial de toadas do boi Garantido desde ano



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20/06/2017 às 21:50

Anualmente, centenas de toadas são inscritas por compositores com o intuito integrar a lista oficial de músicas dos CDs dos bumbás Garantido e Caprichoso, porém, só algumas são selecionadas. Para o 52º Festival Folclórico de Parintins, que ocorre em 30 de junho, 1 e 2 de julho, o boi Garantido, cujo tema é "Magia e Fascínio no coração da Amazônia", traz 21 toadas inéditas, quatro delas compostas por Marcos Moura, Enéas Dias e João Kennedy, os ‘Baiás’ do boi vermelho.

Enéas Dias fala sobre o início do projeto musical. Ele explica que, no CD “Vida” de 2015, o trio completo não emplacou nenhuma canção. “Tinha minhas toadas com Marcos Moura, e João Kennedy, separados, mas não foram aprovadas”, diz. Enéas ainda emplacou “Balanço do Norte”, em parceria com Jéssica Jacaúna no CD. “Apesar de o boi ter levantado essa bandeira dos 50 anos de festival, nenhuma das músicas tinha esse tema. Por isso, nós nos reunimos e fizemos a música ‘Garantido Boi do Festival’. Desde aí, decidimos que seríamos um trio”, explica.



De acordo com João Kennedy, que compõe para o Garantido desde 2006, o nome remete à linguagem tupi, onde os ‘Baiás’ eram os guardiões das tradições da tribo, responsáveis por passar o conhecimento para as futuras gerações. “Como compositor, temos o papel social para repassar os nossos conhecimentos através das nossas obras, que são as toadas”, afirma. Ao todo, o autor possui 32 toadas inclusas em CDs oficiais.

Contadores de histórias

No CD “Magia e Fascínio no Coração da Amazônia”, o projeto musical emplacou as toadas “A casa caiu”, “Eldorado o Ritual”, “Quilombolas da Amazônia” e “Pindorama pátria tribal”, sendo o recorde no álbum.

Para Enéas, o processo criativo dos ‘Baiás’, começa com muita pesquisa. “O processo é de muito estudo antes de decidirmos o que vamos falar, fazer, o que traremos de novo ao festival, e se for um assunto que já foi cantado, tentamos dar uma nova versão ao tema”, explica o compositor.

Segundo Marcos Moura, o trio procura sempre elaborar diferentes toadas de vários estilos. “A gente busca avaliar o festival anterior, tendências do espetáculo, propostas e rumos que o boi toma, aí definimos o projeto e definimos o número de toadas que faremos”, conta. Ele ainda diz que cada canção é única, e o trio elabora de forma que elas não precisem competir entre si.

Os “Baiás” explicam a ideia por trás de cada canção. Enéas Dias diz: “A toada ‘Quilombolas da Amazônia’ é uma figura típica inédita que reverencia a cultura negra que habita na nossa região. A música ‘Eldorado o Ritual’ fala da mitologia como um ritual, pois é sempre abordado como lenda. Ela foi feita por nós e Lucho Inka. Já ‘Pindorama Pátria Tribal’ é um grito de liberdade indígena contando as suas histórias, pois é uma toada que fala do descobrimento do Brasil na visão do índio”. Por último, o trio explica que a música “A casa caiu” surgiu diante dos últimos acontecimentos envolvendo o “contrário”. “Foi a última toada composta. Quisemos falar dos últimos acontecimentos do ‘contrário’, principalmente a questão dos itens que foram trocados, trabalhamos ironicamente sobre isso”, explica Enéas.

Marcos Moura ressalta a importância e responsabilidade de recontar grandes histórias. “Somos educadores, a responsabilidade de compor uma toada é grande. Temos que ter esse compromisso ético com o que fazemos. Algumas histórias não foram contadas da maneira que deveriam. É necessário o festival contar as histórias pouco faladas”, afirma. “Já que o boi tem uma grande repercussão mundial, nossa missão é repassar nossos conhecimentos”, complementa João Kennedy.


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