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Parintins 2017
Celebração e ansiedade

Garantido vive a 'expectativa vermelha' da primeira noite do Festival

Destaques tradicionais, anônimos e artistas falam sobre o que esperam desta primeira noite do Boi-bumbá Garantido 23/06/2016 às 21:54 - Atualizado em 24/06/2016 às 11:34
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Neto de Lindolfo Monteverde, fundador do Garantido, Reque Monteverde aguarda com expectativa a noite de hoje (fotos: Márcio Silva)
Paulo André Nunes Parintins (AM)

Artistas de ponta, destaques tradicionais e operários anônimos do Boi Garantido comentaram estar bastante ansiosos, mas confiantes, para a primeira noite de apresentação no 51º Festival Folclórico de Parintins. Para a alegria da galera vermelha e branca, que espera o ano inteiro para ver o boi de pano da Baixa do São José, a associação traz para o Bumbódromo o tema “Celebração”, que enfoca a espiritualidade e a regionalidade na Arena.

Os tradicionais Kaçauerés, que fazem o translado das alegorias dos galpões da Cidade Garantido para a concentração do Bumbódromo, representam bem os trabalhadores anônimos do boi. “Desde o galpão nós observamos os detalhes das alegorias, vamos acompanhando esses detalhes. O Boi Garantido vem muito bonito e a nossa expectativa é a melhor possível para ganhar esse título”, disse o kaçaueré João Maurício, um dos coordenadores do grupo de 140 fundamentais guerreiros vermelhos e brancos.

Neto de Lindolfo Monteverde, fundador do Boi Garantido, o ritmista do surdo de marcação da Batucada, Gilcimar Monteverde, mais conhecido como Reque Monteverde, de 46 anos de idade, está completando neste  Festival 32 anos ininterruptos de apresentação pelo vermelho e branco, sendo 24 deles como o marcador da tradicional contagem, uma das tradições da associação folclórica.

“O Garantido está preparado para a primeira noite. Estamos trabalhando há três meses e a expectativa é muito grande para a apresentação. Fica aquela ansiedade. Estamos embalados para sermos campeões e só esperando a hora para encarar o Festival de frente”, conta ele. Reque frisa que a 1ª noite é o termômetro dos outros dois dias  na Ilha.

“Como dizem, a primeira impressão é a que fica. Então estamos preparados para o início”, relata ele, sobrinho de João Baptista Monteverde, o segundo Amo da história do Boi Garantido – o 1º foi Lindolfo Monteverde e o atual é Tony Medeiros. Para Roberto Reis, coordenador da Comissão de Artes e artista de alegoria e fantasia de cunhã-poranga e pajé, além de responsável pela alegoria de uma das lendas amazônicas guardadas a sete chaves, a expectativa para o primeiro dia é muito grande, pois o “Garantido vem bonito, bem acabado, forte como sempre veio”.

“A expectativa é muito grande não somente de nós artistas, mas de torcedores em meio a esse momento de adversidade, mas o Garantido sempre foi um Boi grande e imponente e não vai fazer diferente agora. Viremos muito fortes na 1ª, 2ª e 3ª noite.  A nação vermelha e branca pode ficar feliz e contente que o Garantido está preparado e pronto”.

Independente da ordem

Na Comissão de Artes a primeira noite é tratada como fundamental e a união é a marca da organização.  

“Estamos preparados, independente de ser primeiro ou segundo. O boi está muito bem fundamentado e elaborado com ideias também de várias pessoas e artistas. A Comissão não é apenas uma pessoa, são várias, por isso que o nome é comissão. Nós discutimos e chegamos a um denominador comum para que seja melhor para o Boi, e não para o artista, para chegarmos naquilo que queremos. Cada ano tem um tema e neste ano é ‘Celebração’, que é o que vamos promover  nessas três noites”.

Boi cênico, plástico e musical

Mencius Melo, parintinense com a função de criar arte no mundo, compositor e assessor de imprensa do Garantido, tendo feito parte da Comissão de Artes da associação folclórica no ano passado, ressaltou que a primeira noite do Festival de Parintins sempre diz muito do que será o desenrolar do Boi durante a trinca que compõe as três noites de disputa do Festival.

“A primeira noite sempre é a mais nervosa, a mais experimental, onde o Boi não pode errar, mas também é a noite que o Boi lança mão da sua proposta de conexão do espetáculo, do discurso e da emoção. O Boi é plástico, musical, cênico e literal. Plástico por causa das alegorias e fantasias, musical em virtude das toadas, cênico pelas interpretações dos inúmeros atores, dos seres humanos envolvidos na parte cênica junto com todos os recursos técnicos, e literal pelo discurso que o Boi vai vender para os jurados e torcedores. Essa noite é que vai dizer o que será o nosso Boi”, revelou ele, que aguarda com expectativa o ‘Garantido 2016’.  

“E asseguro uma coisa: com certeza será um espetáculo maravilhoso porque o boi tem, por hábito, fazer uma grande apresentação sempre, com elementos que o marcam ao longo de sua trajetória de mais de100 anos que é, particularmente, a emoção à flor da pele”, declarou ele.

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