Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
Itens do festival

Tempo de carreira e polivalência marcam estradas do Tripa e Amo do Boi Garantido

Denildo Piçanã é artista plástico no Carnaval carioca, e Tony Medeiros respira arte e política



paga0703-21f.JPG Tony Medeiros é também vice-prefeito de Parintins (Fotos: Evandro Seixas)
02/07/2017 às 18:15

Quando pequeno, Tony Medeiros era uma criança um pouco difícil de agradar. Por volta dos sete ou oito anos, a “manha” do menino o levou a um amor imensurável. “Nós brincávamos de boi na casa de dois estivadores e eles perguntavam o que eu queria de presente, e eu dizia que queria o Garantido brincando na porta de casa. Eles fizeram uma fogueira e o Garantido veio brincar na porta da minha casa”, relembra ele, graduado em Artes pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O tempo passou e Tony, hoje com 52 anos e 22 só de boi-bumbá, admira-se do caminho trilhado. Vice-prefeito de Parintins, ele também é Amo do Boi - o dono do Garantido no Auto do Boi. Mas a sua caminhada começou quando ele passou a compor toadas para o bumbá, por volta de 1985. “Nesse ano, ganhei o Festival da Canção de Parintins e comecei a compor para o Garantido nessa época. Tenho dezenas de sucessos, divididos por momentos. Na década de 90, todo ano tinha cinco toadas de boi. Meu maior sucesso individual foi a ‘Dança do Banzeiro, que vendia mais de 100 mil CD’s na época”, conta ele.



Sempre versador, Medeiros, que é Amo do boi vermelho desde 95, destaca que o ano do centenário foi o mais marcante da sua vida. “Eu praticamente dei a vitória para o Garantido, porque a maior diferença de pontos entre todos os itens era minha”, ressalta ele, que, apesar de ter sido deputado, secretário e agora vice-prefeito, não mistura as coisas. “Cumpro meu papel como Amo do boi porque é minha válvula de escape, é o momento que esqueço dos problemas”, conta o católico e parintinense apaixonado. “Andei por 30 países, mas há muito tempo acho que vivo no melhor lugar do mundo”, declara.

O tripa

O boizinho que o Amo do Boi vivido por Tony Medeiros tanto exalta é aquele que Denildo Piçanã carrega há 24 anos no Festival de Parintins. Aos 44, ele relembra a trajetória, iniciada em 95, quando o Garantido estava sem tripa – a pessoa que carrega o boi na Arena. “A diretoria resolveu fazer o concurso. Como eu já trabalhava nos galpões de artes, o Valdir Santos e Jair Mendes me ‘empurraram’ para fazer o tripa, dizendo ‘vai, você consegue’. Não sabia para onde ia, como era feito o boi. Fiquei em segundo lugar no concurso, mas como eu tinha um pouco mais de experiência, o presidente na época me passou o cargo”, destaca.

Duas semanas após o fim do Festival, Denildo viaja ao Rio de Janeiro, para trabalhar na confecção das alegorias do Carnaval carioca. “Em 95 começamos a trabalhar na Salgueiro, quando a escola de samba representou o Amazonas. O samba-enredo dela falava de Parintins e eu fui para lá representar os dois bois”, pontua ele, celebrando o respeito que recebe dos artistas cariocas. “Somos respeitados no Rio pelo movimento que concedemos às alegorias. Lá eles ficam impressionados sobre como tudo fica real”, completa ele.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.