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Vaqueiros da vida real se juntam à Vaqueirada do Caprichoso durante o Festival

Quando chega o mês de junho eles trocam a rotina no campo pela arena do bumbódromo 21/06/2016 às 12:19
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O vaqueiro Marcelo Farias Silva percorre 7km para os ensaios da Vaqueirada (foto: Márcio Silva)
Paulo André Nunes Parintins (AM)

As vaqueiradas representam uma das maiores tradições dos bois-bumbás de Parintins, abrindo alas para a evolução de Garantido e Caprichoso e participando, com muita emoção, da parte cênica das associações folclóricas. O encantamento proporcionado em plena floresta amazônica por esses integrantes da trupe, que são os vaqueiros é, ano a ano, um dos grandes momentos do Festival da Ilha Tupinambarana e retrata uma realidade de Parintins, cidade de economia pecuarista.

A CRÍTICA entrevistou vaqueiros de verdade que são, ao mesmo tempo, da vaqueirada do seus bois. Marcelo Farias Silva, 31, é um deles. Ele está no Caprichoso desde 2008 e todo mês de junho se une a outros vaqueiros da comunidade de Parananema, Zona Rural de Parintins, para se apresentar no Festival Folclórico pelo Boi Caprichoso.

“Nós convocamos os vaqueiros, aí se forma aquela turma pra brincar pelo Caprichoso. O trabalho de vaqueiro consiste em conduzir o gado, prender à tarde e soltar de manhã, tirar leite, ir nas vaquejadas... Não acho muito pesado”, relata o vaqueiro, montado no cavalo “Lourão”, no pasto do Clube do Vaqueiro de Parananema, próximo ao Sítio Shao Lin.

Ele afirma que não herdou a profissão de ninguém da família.“Ser vaqueiro foi uma coisa minha mesmo. Meus pais nem gostam que eu faça esse serviço. Eles brigam comigo, mas eu gosto”, destaca ele. No boi da Francesa a única função que exerceu, além dessa, foi a de jogador pelo time de futebol do Caprichoso.

Sacrifício diário

Mas não pense que é fácil a vida do vaqueiro Marcelo na época do festival, quando ele precisa ir diariamente ao Curral Zeca Xibelão, a 7 quilômetros do Parananema, para ensaiar. Ele e outros vaqueiros do Parananema se reúnem nas noites definidas pela coordenação para ir até a Francesa e “afinar os passos” do tradicional item. “Nós reunimos a turma e vamos de bicicleta, motocicleta ou carro, de carona com o outro. O que nos move é o amor ao Boi Caprichoso”.

A liberdade de sair por aí a cavalo não tem explicação, diz ele. “Eu sinto uma sensação de liberdade muito grande. É muito bom ter esse contato com a natureza. E quando me apresento na Vaqueirada do Caprichoso tenho a mesma sensação de quando estou no campo. É emocionante”. 

Preparação exige mais dedicação

Segundo o coreógrafo de Vaqueirada, Celebração e Item do Caprichoso, Marcos Antônio dos Santos Silva, o “Marquinhos”, os ensaios começaram no dia 10 de maio. “Nossos ensaios estão a todo vapor, apesar dessa crise. Estamos preparados, estão prontas as três coreografias e vem surpresa por aí. Será uma coisa que nunca foi feita no Festival, assim como no ano passado, quando nós conseguimos  desenhar a cabeça do Caprichoso com a ajuda dos vaqueiros”, contou ele.

A princípio, Marquinhos conta que comandar um dos setores mais tradicionais itens do boi é uma tarefa um pouco complicada, mas muito gratificante pelo retorno dos participantes.

“É o meu segundo ano comandando a Vaqueirada. Coordenei a do lado do contrário por 15 anos. É um setor do boi no qual a gente tem que se dedicar mesmo. Os vaqueiros não são dançarinos, nunca fizeram dança na vida e além deles os participantes  são tricicleiros e pescadores.  Pela força de vontade que eles têm, acabam passando pra gente essa energia, que mandamos de volta em forma de coreografia”.

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