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Parintins
PAIXÃO AZUL E BRANCO

Apaixonado pelo Caprichoso, fotógrafo viaja mais de 20 horas para assistir Festival

Morando na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, Wigder Frota enfrentou horas de viagem para assistir pelo segundo ano consecutivo o Festival de Parintins 26/06/2018 às 10:31
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O fotógrafo comenta que encontrou originalidade, autenticidade e simplicidade em Parintins (Fotos: Márcio Silva)
Amanda Guimarães Parintins (AM)

O olhar atento do fotógrafo Wigder Frota para as ruas relata uma admiração a originalidade, autenticidade e simplicidade encontrada apenas na cidade de Parintins. Morando na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, há 32 anos, o carioca de 54 anos enfrentou mais de vinte horas de viagem para chegar à terra do Caprichoso e Garantido e presenciar pelo segundo ano consecutivo o Festival Folclórico. Desde o ano passado, o fotógrafo escolheu um lado. Na verdade, segundo ele, o Touro Negro o escolheu para fazer parte do seu lado.

Ligado ao folclore brasileiro há mais de 30 anos, pois trabalha como fotógrafo oficial do Carnaval no Rio de Janeiro, Wigder relata que nunca viu evento parecido com o Festival de Parintins. Ele abre um sorriso gigante no rosto ao lembrar da primeira vez que conheceu a Ilha Tupinambarana. Na época, o sentimento era de encontrar “algo diferente”, mas o que encontrou na cidade do interior do Amazonas o surpreendeu.

“Conheci o Festival por meio do Carnaval. Muita gente lá é envolvida com o Festival e as pessoas sempre me falavam que precisava visitar Parintins. Sempre achei que era apenas um evento, como tantos outros, que cubro no mundo inteiro, mas nunca vi nada parecido. Conhecer Parintins foi mágico. Fiquei encantado com a paixão do parintinense pelo Boi. A rivalidade entre Caprichoso e Garantido é sensacional. Tudo isso desperta uma magia”, comentou Wigder.

O fotógrafo não considera apenas o Festival como mágico, mas toda a estrutura que o envolve. Emocionado, ele relata que sente um encanto pelos Bois. Mas a torcida e o seu coração é do Boi Caprichoso. O amor pelo Touro Negro surgiu de uma forma inesperada.

“Fico emocionado de lembrar, mas o Caprichoso me escolheu de uma maneira sobrenatural. Eu já vim dos Estados Unidos apaixonado por ele. Antes de conhecer o Festival, precisei estudar as histórias dos Bois, escutei algumas toadas e ali o amor surgiu. No ano passado, a apresentação pelo Caprichoso me deixou sem palavras. Eu chorei o Festival todo”, lembrou.

Utilizando uma camiseta do Boi Caprichoso, o fotógrafo rasga elogios para a associação folclórica que tenta o bicampeonato neste ano. Mesmo questionado, ele não consegue descrever o sentimento que possui pelo Boi de cores azul e branco.

“A estética do Caprichoso é sensacional. As toadas são emocionantes e o David Assayag é a Uirapuru do Brasil, se não for do mundo. A paixão pelo Caprichoso me arrepia. Não consigo descrever esse sentimento que surgiu do nada. O Touro Negro me escolheu. O meu coração bateu azul e se azula a cada vez mais”, destaca o fotógrafo.

Viajaria até 48 horas

Wigder passou mais de vinte horas viajando para chegar até a cidade Parintins. Pegou um voo em Nova York e se encaminhou até a cidade de Miami. De lá, pegou um avião para Manaus. Quando chegou na capital do Amazonas, esperou ainda mais para pegar outra aeronave com o destino a Ilha Tupinambarana. Se fosse para fazer tudo novamente, ele faria. Até se fosse com mais horas de duração.

“Eu faria todo novamente, mesmo se fosse 48 horas de viagem. Isso não me incomodaria, porque amo o festival. Fiquei ansioso um mês antes e agora nesses últimos dias, antes de viajar, fiquei sem dormir direito. Eu não gosto de perder nada que acontece em Parintins, porque essa Ilha é muito rica”, disse.

O fotógrafo comenta que o processo de viagem para Parintins é muito diferente do resto do planeta. Mesmo citando que troca de roupa três vezes por dia, por conta do intenso calor registrado na cidade, Wigder comenta que a cidade é “mágica”.

“O processo de viagem para Parintins é longo, árduo, mas mágico. Você sobrevoa sobre a Floresta Amazônica. Além da cidade ter um ar de simplicidade, originalidade e autenticidade. Você consegue ver aqui algo que não encontra nas cidades grandes, como um casal de velhinhos saindo de casa e sentando em frente de casa para conversar”, destacou o carioca.

Documentário

Este ano, o fotógrafo espera preparar um documentário chamado: O Povo da Ilha da Magia. A expectativa é que o material seja apresentado na cidade de Nova York, nos Estados Unidos. “Estou fazendo esse documentário que vai falar sobre o amor do Parintinense pelo Boi. No dia do Festival vou fazer fotos. Quero pegar imagens dos itens e de todo o evento”, disse.

Depois do material ser finalizado e apresentado para a população americana, Wigder espera conseguir uma parceria para levar um pouco do Festival de Parintins até os Estados Unidos. “Quero levar o festival dentro da sua originalidade para Nova York. Não quero que seja um showzinho. Eu quero levar a Banda, que pode ser misturada entre Batucada e Marujada. Quero levar dois cantores e todos os itens”, afirmou o fotógrafo.

O homem de 54 anos também comenta que o americano se encanta com as belezas amazônicas. “Quando o americano ouve falar do Festival ele fica encantado, por causa de todo o processo que o envolve. Eles acham super exótico viajar sobre a floresta”, relatou.

Torcida

Para produzir o documentário, o fotógrafo visitou os gualpões dos dois Bois de Parintins. Ele acredita que este ano o Boi Caprichoso ganhe novamente o Festival. “Tenho respeito pelo Contrário, porque eles sempre me receberam super bem no gualpão. Mas pelo o que tenho visto, este ano será mais uma vitória nossa”, completou Wigder Frota.

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