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Parintins
PREPARADA

Boi Caprichoso conta com dançarina trans neste 53º Festival Folclórico da Ilha

Superar desafios é a vida da lutadora trans Anne Veriato, que este ano faz a sua estreia pelo Boi Caprichoso, mas que já se apresenta no Festival de Parintins há 4 anos 28/06/2018 às 01:09 - Atualizado em 28/06/2018 às 10:11
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Anne Veriato chegou a Parintins na última sexta-feira, integra o grupo de dança Wãncko Caçauaré, de Manaus, e já está na reta final de preparação para as apresentações neste 53º Festival Folclórico da Ilha Tupinambarana / Fotos: Antonio Lima
Paulo André Nunes Parintins (AM)

As tribos do Boi Caprichoso vão contar, a partir deste ano, com uma dançarina trans: a lutadora de MMA Anne Veriato, 22, está fazendo parte de um grupo de dança que vai se apresentar no Bumbódromo pela associação folclórica azul e branca.

Ela, que chegou a Parintins na última sexta-feira, integra o grupo de dança Wãncko Caçauaré, de Manaus, e já está na reta final de preparação para as apresentações neste 53º Festival Folclórico da Ilha Tupinambarana. Anne vai se apresentar na tribo coreografada nas três noites do 53º Festival Folclórico de Printins.

A dançarina esteve em duas oportunidades como visitante em Parintins, e desde 2016 se apresentava no Boi Garantido, até mudar de lado e ir parar no lado azul da Ilha Tupinambarana.

“Sempre dancei pelo Caprichoso mas agora será a minha primeira vez que vou pelo boi no Bumbódromo. Estou sendo bem recebida e a expectativa é grande”, acrescenta a lutadora/dançarina.

Anne Veriato sempre dividiu a atividade de lutadora com a de dançarina do Wãncko Caçauaré, isso desde os tempos em que disputava competições no jiu-jítsu – ela é faixa marrom da categoria palha (até 52kg) na Academia Mc Comb, localizada no bairro Cidade de Deus, Zona Leste de Manaus, e já conquistou títulos de Brasileiro, Mundial e Sul-Americano pela modalidade antes de fazer o MMA a partir deste ano: ela lutou dia 10 de março contra Raylson Paixão, de Coari, durante o Mr. Cage.

“Desde criança eu lutei e dancei também. Eu dividia as coisas, até ano passado, quando não deu mais pra fazer isso. Nesse ano eu pedi duas semanas de folga da minha treinadora para poder vir a Parintins. E quando eu voltar pra Manaus já vai estar no tempo de viajar de novo desta vez pra Belém e disputar a próxima competição: o 2º Pittbull Fighter, em 14 de julho.

“Para mim, ser uma dançarina trans é uma coisa normal, tranquila. A dança é que faz a gente se sentir bem e à vontade. Meus amigos me apoiam, estão sempre comigo, gostam muito de mim”, conta Anne Veriato.

A maratona de ensaios dela tem sido intensa, com atividades, nesta reta final, sendo realizadas pela manhã e à tarde. Um dos locais é a quadra da escola estadual Dom Bosco, próximo ao Curral Zeca Xibelão, do Boi Caprichoso, sempre sob o comando do professor Fabiano Alencar.  

A vaidade está na vida de Anne Veriato desde os tempos em que ela se dedicava apenas ao jiu-jítsu, antes de ingressar no MMA. E como dançarina, claro, ela se acentua: o cabelo tem compridos apliques esvoaçantes em tom claro que a deixam ainda mais feminina. A roupa ela prefere guardar segredo: primeiro porquê não sabe qual é, segundo, mesmo se soubesse não diria por conta do sigilo.

A cada vez que dança ela conta gastar bastante energia, perde peso e depois tem que comer para repôr o que foi perdido

Sem preconceito

Ser uma dançarina trans nunca causou qualquer problema de discriminação para Anne. Na luta, preconceito só no início quando ela começou a praticar, quando era necessário mostrar a sua carteirinha da academia de jiu-jítsu ou até mesmo chamar seus mestre, Roney, para confirmar sua identidade.

O esporte é aliado de Anne na hora de dançar: várias coisas que ela faz no seu treino, na parte física, ela usa para a dança. “Treinar rolamentos e mortais são importantes para mim na dança”, ilustra ela.

Mesmo já tendo se apresentado outras vezes no Bumbódromo, a dançarina/lutadora conta que sempre há uma expectativa para as apresentações.

“É uma emoção muito grande, né? Uma adrenalina muito boa. Sempre é bom estar aqui. Quando entramos na Arena e vemos aquela multidão torcendo, cantando e dançando é muito bom. Eu me arrepio toda , sempre. É uma produção muito boa. Todos os grupos, tanto de fora quando daqui de Parintins estão se empenhando bem para fazer o melhor e representar nosso boi azul”, relata ela.

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