Publicidade
Parintins
NOITE AZUL

Caprichoso encerra festival folclórico cantando a revolução do saber popular

A noite fecha o projeto de 2018 intitulado “Sabedoria Popular: Uma Revolução Ancestral”. Foco do Touro Negro é conquistar o bicampeonato 01/07/2018 às 14:23
Show caprichoso 123
Foto: Márcio Silva
Alexandre Pequeno Parintins (AM)

No último dia de apresentações, domingo (1º), Caprichoso fecha a noite do 53º Festival Folclórico de Parintins com a temática “Arte, a revolução pelo saber popular”. É a conclusão projeto de Arena do bumbá “Sabedoria Popular: Uma Revolução Ancestral”.

“Tecido de palha e cipó, nasceu o artista de Parintins, forjado nas várzeas da floresta ganhou asas dos deuses antigos e voou longe indígenas, negros Bantos, Nagôs e Yorubás, portugueses e espanhóis, japoneses e judeus a força de seus traços culturais”, destaca Ericky Nakanome, presidente do Conselho de Artes do Caprichoso.

No primeiro momento, Caprichoso apresenta o item 15 – Figura Típica Regional com a alegoria “A Cabocla Artesã”, confeccionada pelos artistas Makoy Cardoso, Glemberg Castro e equipe. Na alegoria, uma grande mulher forte, sábia e resistente é o destaque. “Maria do povo é esteio da cultura universal. São todas as mães que tecem o povo. A Arena será invadida pelo povo de Parintins, tricicleiros, pescadores. A Marujada entra tecida a palha e cipó”, diz Ericky.

Histórias do povo

Na lenda amazônica, Caprichoso apresenta “Boto Romanceiro”, com alegoria confeccionada pelo artista Márcio Gonçalves e equipe. A canção homônima de Ronaldo Barbosa do CD 2018 ganha vida na Arena do Bumbódromo.

De acordo com a mitologia, nas noites enluaradas de agosto, os amazônidas costumeiramente reúnem-se em ocasiões festivas. Vestindo seu traje de encanto, todo em linho branco, com seu enigmático chapéu na cabeça, surge o “boto romanceiro”, ávido para dançar e seduzir.

Da alegoria, uma arraia irá conduzir a Rainha do Folclore Brena Dianná em sua última aparição no boi Caprichoso. Brena se despede da associação folclórica após dez anos de história.

Conscientização ambiental

Da esperança do Caprichoso por dias melhores, o bumbá traz a alegoria “Boitatá, cobra de fogo”, módulo confeccionado pelo artista Juarez Lima e equipe. “Caprichoso traz a lenda não como um Boitatá que aparece nas noites escuras, rastejando nos campos, e sim um animal que aparece de uma Manaus abandonada, dos peixes podres, das pessoas à margem da sociedade, sujeira, lixo. O Boitatá será nossa tocha de revolução”, explica Ericky Nakanome.  Da alegoria surgirá a cunha-poranga Marciele Alburquerque.

Encerrando a noite e o festival, Caprichoso encerra sua ópera com o “Ritual de Transcendência Makurap”, em alegoria confeccionada pelo artista Jucelino Ribeiro e equipe.

“A sabedoria ancestral dos velhos pajés Makurap, dos vales do Guaporé e Rio Branco, no estado de Rondônia, que após inalarem o rapé de angico, ensinaram que após a morte, a alma deixa o corpo, e inicia uma épica epopéia rumo a maloca ‘dowari’, a morada dos mortos”, afirma Ericky.

Em busca do bicampeonato, Caprichoso possui um projeto de proporções maiores que o de 2017. É a renovação para a evolução do festival folclórico.

“Pensamos no turista para que a manutenção dos nossos saberes seja mantida. Não podemos entender o festival como algo dos nossos avôs batendo palmas na rua. Podemos usar a tecnologia para contar as nossas histórias bem como os indígenas já fazem uso das nossas tecnologias”, finaliza Ericky Nakanome.

Publicidade
Publicidade