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Parintins
ARREPIOU

Choro, 1º auto do boi e noite de lição cultural: assistimos o ensaio técnico do Garantido

Pela primeira vez e com total inexperiência em Parintins, "turistas" tiveram realização pessoal e frisson com a "pré-festa" do boi vermelho 27/06/2018 às 16:42 - Atualizado em 27/06/2018 às 17:27
Show sem t tulo
Felipe Gramajo e Isabella Pina Parintins (AM)

Israel Palauim é o item número um do Garantido. Eu e Felipe sabemos como? Sim, amigos, após longos seis dias em Parintins, finalmente tivemos um “petisco” do que será a nossa primeira vez no festival. Passamos a noite desta terça-feira dentro do Bumbódromo, no nosso primeiro - e incrível - Ensaio Técnico. É basicamente um ensaião oficial, com batucada e toda a encenação do que vem pelos próximos dias. Mas era muito mais.

Isabella, Felipe... Todo mundo sabe quem é Paulaim e como funciona a programação do pré-festival. Não nós, amigos! Passamos a semana evitando o Google para que, nesse dia, sob a toada do Auto da Resistência Cultural, pudéssemos sentir o gostinho mais puro e sincero do que viria pela frente.

Passeamos por camarotes, arquibancadas e pelo mundo subterrâneo do Bumbódromo. Mas vocês acharam mesmo que não íamos terminar do ladinho da batucada? Aliás, enquanto isso, tirava “lasquinha” do Pajé, que acompanhava atentamente cada coreografia sob a voz de Sebastião Júnior, levantador de toadas. Mais conhecido como Sabá. Sim, a gente finge intimidade com ele e todo mundo por aqui.

E tudo ia bem animado. Como deveria. Mas começou o auto do boi. Esse eu cheguei a pegar spoiler, mas não fazia ideia do que me esperava. Nem Felipe, que se perdeu pela Arena enquanto tentava os melhores ângulos da história.

Meu chefe cantou, na noite anterior, que eu (Isabella aqui, viu?!) choraria. Chorar eu chorei quando passei mal de manhã e fui parar no hospital - assistam o vídeo!. Enquanto via o boi morto, esparramado no chão, e o Amo clamando contra Pai Francisco (sim, tô aprendendo), eu desabei. Imagine bem que, nunca, em 24 anos, pensei que tal cena cultural, escondidinha nessa tal Ilha da Magia, poderia mexer tanto com os ânimos. O Felipe acabou se emocionando junto, num encontro rápido. Depois cada um seguiu seu rumo. A noite foi de descobertas pessoais. Cada um de um lado.

Abre aspas para o Felipe, que apareceu depois de uma longa jornada pela arena:

"O momento que mais me emocionou foi, também, o de quando o boi morreu. Eu não sabia se era algo novo. Fui pego de surpresao. Me deu dó. Me senti pequeno diante da grandiosidade dessa história. Depois, quando o vi gingar, viver, é lindo. É uma espécie de um abraço que ele dá na galera. Não é só o momento de eles verem o boi deles, é momento de verem um nos outros". PS: "A cunhã beijando o boi foi emocionante demais". 

Seis dias em Parintins e ainda não tínhamos depositado toda a fé do poder que um folclore impõe sob um povo. Fanatismo é muito, muito menor que isso. 

E aí voltamos à programação normal. Item por item, o Garantido fez, sem grande aparato qualquer, uma festa pra lá de linda. Só para deixar aquele gostinho de quero mais na boca de quem acabou de descobrir como é gostoso esse tal de Boi Bumbá.

A torcida, tão fiel, tomou conta de todo o Bumbódromo, até do lado azul. A festa seguiu. E o arrepio deve durar por mais ou menos um ano. E olha que a festa só começa na sexta-feira (29). Ainda é terça. Haja coração (vermelho, claro).

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