Domingo, 15 de Dezembro de 2019
ABERTURA

Com a cura pelas mãos do sobrenatural, Caprichoso encerra primeira noite

Touro Negro executou o enredo "Mátria Brasilis: Do Caos À Utopia" durante o tempo de 2h20



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29/06/2019 às 02:48

A exaltação da figura feminina, dos ritos de cura vindo das mãos dos seres sobrenaturais ou do homem da floresta deram a tônica da primeira noite de apresentações do boi Caprichoso, no 54o Festival Folclórico de Parintins. Sem maiores intercorrências, o Touro Negro finalizou sua apresentação dentro do tempo de 2h20. Na abertura dos festejos, o apresentador Edmundo Oran adentrou na arena sendo carregado na cabeça de uma cobra, em meio à Marujada de Guerra, que também se posicionava na arena.

O boi Caprichoso surgiu na galera, levando os presentes ao delírio. A primeira alegoria, "Yêba: Deusa Brasilis", é conhecida como a avó do mundo por ter criado o universo. Durante a evolução da alegoria, um grupo de cinco paraquedistas sobrevoou a arena com fogos de artifício, simbolizando estrelas cadentes. Logo após, a alegoria revelou a porta-estandarte Marcela Marialva, em uma indumentária nas cores azul marinho, turquesa e violeta sob a toada "Deusa da Constelação".



Na lenda, Yêba fez surgir o universo no formato de um balão. O bumbá explicitou isso na arena ao soltar mini balões pretos, simbolizando a criação de Yêba. Ao fim da execução da primeira alegoria, a galeria caprichosa hasteou flores nas cores laranja, verde, branca, amarelo e azul e, sua superfície, o que impressionou os presentes. A evolução logo após trouxe o amo do Boi, Prince do Caprichoso.

A segunda alegoria da noite trouxe para avaliação no item "Lenda Amazônica" a alegoria "Mura-Pirahã: Três Preces de Esperança". A introdução foi feita por três cantorras, simbolizando as três mulheres salvadoras do mundo, da lenda que deu enredo à alegoria. No módulo frontal vieram as cobras, cujo Criador do mundo retirou os olhos para formar uma tocha e ajudar as três mulheres a reconstruírem a terra devastada. O grupo folclórico interpretava a tribo que tentava se desvencilhar das pragas que caíram sobre a terra, ocasionadas por um tuxaua que flechou a lua, fazendo a sangrar.

Com a ajuda das três mulheres, o Criador repovoou a terra e as feras da floresta que devoravam os índios deram lugar às aves na arena do Bumbódromo. O módulo central trouxe a cunhã-poranga Marciele Albuquerque sob a toada "Cunhã-poranga Yaci". A parte superior da costeira de Marciele se transmutava em uma cobra.

Em seguida, entrou na arena um módulo alegórico simbolizando uma caravela. Foi quando a toada antológica "Pesadelo dos Navegantes" ganhou voz por meio de Arlindo Jr., ex-levantador de toadas do boi Caprichoso e que fez muito sucesso com a toada nos anos 90. Ao término da música, Arlindo Jr. foi ovacionado pela torcida azul e branca após curvar-se na lateral do Bumbódromo, em referência aos torcedores.

A terceira alegoria, "Festa de Um Boi Brasileiro", trouxe o Brasil Colonial e todo o sistema de opressão dos brancos aos índios e negros, tanto fisicamente quanto ideologicamente. No solo. os grupos folclóricos representavam os orixás do panteão africano, os cangaceiros e lampiões do Nordeste e os negros escravizados ao som da toada "Um Canto de Esperança Para Mátria Brasilis".

Lopo depois, a sinhazinha da fazenda Valentina Cid vestida com um vestido cuja superfície da saia retratava uma cidade no período de São João nordestino. Dançarinos puxaram alguns fios do vestido que viraram bandeirolas de festa junina. Após o ato, que tirou o fôlego dos torcedores, ela trocou de vestido para a indumentária clássica de sinhazinha.

A toada "Vale do Javari" foi o pano de fundo do momento em que a cunhã-poranga Marciele Albuquerque recitou os primeiros versos da música, escritos em dialeto indígena. Enquanto ela recitava, coordenava os índios de sua tribo para mais uma coreografia. A alegoria "Mateiro da Amazônia", que fala dos homens nativos da floresta que usam as ervas para curar, trouxe o grupo folclórico interpretando os mateiros. Cada um deles segurava uma gaiola com folhas brotando do interior, simbolizando a matéria-prima do trabalho.

O módulo principal da alegoria trazia a mãe-natureza jorrando uma cascata de água em seu rosto. Na parte superior da alegoria, dançarinos encenavam a coleta e tratamento de ervas e folhas coletados da floresta. No chão, módulos menores representavam a figura de sapos e besouros, simbolizando os desafios que os mateiros encontravam pelo caminho até chegar às folhas e ervas ideais para os remédios.

Antes da última alegoria da noite entrar na arena, o líder indígena Davi Kopenawa leu um texto em sua língua nativa, pedindo a preservação da natureza. A última alegoria foi "Yanomami, A Cura da Terra". O módulo principal representava a soberania do pajé - único capaz de chegar à morada dos espíritos - derrotando o espírito invisível da morte. A caveira controlava um gigante escorpião, de onde saiu o pajé Neto Simões, que fez sua evolução na arena sob a toada "Waia Toré".

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