Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
TÍTULO ESPECIAL

Diretor do Iphan explica significado do título de Patrimônio Cultural para o boi-bumbá

Registro também abrange manifestações culturais do Médio Amazonas, segundo Hermano Queiroz. Título será entregue nesta sexta-feira (28) em pleno Bumbódromo



Capturar_C97A6493-11DA-4EB6-A8D9-F78FA7DDC3B0.JPG Foto: Márcio Silva
28/06/2019 às 07:07

As danças de boi-bumbá do Amazonas passam, a partir desta sexta-feira (28), a ter um importante significado a nível nacional: o de Patrimônio Cultural do Brasil. Em entrevista ao Portal A Crítica, o diretor de Patrimônio Imaterial do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Hermano Queiroz, explicou o que o novo título representa para as tradicionais brincadeiras de boi do Médio Amazonas e de Parintins.

“A inscrição do boi-bumbá no Livro de Registros das Celebrações do Ipham reconhece, de forma oficial pelo Estado brasileiro, que essa cultura está entre as mais importantes do país. A partir de agora, as famílias daquela região passam a apresentar ao mundo uma parte importante da diversidade cultural brasileira”, comentou o diretor.

O certificado será entregue pelo próprio diretor, às 19h deste primeiro dia do Festival Folclórico de Parintins, que segue até o domingo (30). A cerimônia contará com a presença da superintendente do Iphan no Estado do Amazonas, Karla Bitar; do governador do Amazonas, Wilson Miranda Lima; do vice-governador, Carlos Almeida; do secretário de cultura do Estado, Marcos Apolo Muniz; e do Prefeito de Parintins, Bi Garcia.

Integração

Segundo Hermano Queiroz, na prática, o título oficial integra as tradicionais danças de boi-bumbá de rua, de terreiro e de arena, que fazem parte da história das famílias da região do Médio Amazonas. A partir de agora, segundo ele, cada uma das danças terá a sua história preservada, incentivada e disseminada, de modo a perpetuar a tradição no local.

“Por reunir influências tradicionais de diversas etnias, a brincadeira do Boi se caracteriza como importante referência cultural. As origens da manifestação remontam às missões jesuíticas do século XVII, que trouxeram consigo tradições do Mediterrâneo europeu. Por sua vez, essas tradições com o tempo absorveram elementos das culturas afro-brasileira e indígena”, explicou.

“Parintins é o último momento de uma complexa série de fases em que o boi é inserido na cultura local, proveniente do bumba meu boi das raízes nordestinas, que acabaram sendo sincretizadas com a cultura local. A nossa ideia é abranger todas as outras expressões de boi-bumbá das famílias daquela região”, pontuou o diretor.

O Médio Amazonas integra os municípios de Silves, Itapiranga, Urucurituba, Urucará, Itacoatiara e São Sebastião de Uatumã.

Ideia antiga

Conforme Hermano Queiroz, a ideia de registrar a tradição dessas danças no livro de celebrações já vem desde a década passada. Segundo ele, valores universais como o cognitivo, estéticos, éticos e, ligados a construção de memórias sociais, são os principais pontos a serem levados em conta na hora de classificar uma celebração como Patrimônio Imaterial.

“O processo de pesquisa e de estudo das celebrações são feitos com a participação direta da própria população do local, pois são eles quem vive aquela realidade. Todos os povos tem diversos costumes e tradições, mas há, entre elas, aquelas que eles reconhecem como as mais importantes, as que definem a sua história. Foi o caso das danças de boi-bumbá do Médio Amazonas e de Parintins”, disse.

Após a fase de estudo, um dossiê foi elaborado por representantes do Iphan e avaliado tecnicamente por uma equipe de 20 pessoas com notórios conhecimentos culturais e históricos da região, onde foi decidido, em novembro de 2018, pelo registro do Patrimônio Imaterial do boi-bumbá, convergindo na entrega oficial do certificado nesta sexta-feira (28).

Mudanças

Conforme o diretor, a partir de agora, o dossiê com o plano de salvaguarda que visa preservar os costumes e a cultura do boi-bumbá da região passa a ser executado na prática. Ele conta com a participação ativa dos próprios moradores e populares das regiões características dos bumbás.

“A parceria com os próprios moradores é fundamental para que nós possamos realizar atividades que apoiam aquela cultura. Ações como a elaboração de documentários sobre as toadas, apoio para a realização de festivais, com estrutura, locais para apresentação, além de incentivos para a transmissão de conhecimento dos mais velhos aos mais novos, podem fazer com que aqueles costumes e saberes não se percam com o tempo”, destacou.

A criação de um Centro de Referência do Complexo de Boi-Bumbá do Médio Amazonas já esta em pauta no Instituto. Segundo Queiroz, a ideia é construir um local que sirva de referência para a dança, com a exposição de materiais, vídeos, textos, salas de ensino cultural, que funcionem como um centro de interpretação do agora patrimônio nacional.

“O Iphan também pode ajudar fazendo articulações de demandas públicas desses moradores, servindo como uma espécie de ponte entre os órgãos e autoridades do poder público e os populares que vivem naquela região”, concluiu o diretor.

O 54º Festival Folclórico de Parintins inicia nesta sexta-feira (28) e irá até domingo (30). O evento terá cobertura completa da Rede Calderaro de Comunicação (RCC).

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