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Parintins
PAJÉ DOS PAJÉS

Duas décadas de ritual: André Nascimento celebra mais um ano como Pajé do Garantido

O artista de 39 anos de idade completa no 53° Festival Folclórico de Parintins 20 anos à frente do item n° 12 26/06/2018 às 11:53
Show andr  nascimento
Pajé André Nascimento durante um dos ensaios do boi vermelho e branco na Cidade Garantido. Foto: Euzivaldo Queiroz
Rafael Seixas Parintins (AM)

Duas décadas defendendo o mesmo item não é para qualquer um. André Nascimento completa na edição deste ano do Festival Folclórico de Parintins 20 anos à frente do item n° 12 do Garantido. Perreché da Baixa do São José, o parintinense iniciou a sua carreira aos 19 anos de idade, viu mudanças e venceu muitas batalhas que renderam o apelido carinhoso de Pajé dos Pajés. Isso é prova de amor às cores do boi do coração.

Orgulho da caminhada é o que não falta. André observou parte da metamorfose pela qual passou o festival em si. Mesmo com as alterações, segundo o artista, a festa não perdeu a magia de emocionar e transformar. “Muita coisa evoluiu. Há 20 anos o festival era mais simples, mas a magia sempre foi a mesma, com essa paixão maravilhosa do artista parintinense que transforma a Arena em um grande espetáculo onde mostra para o mundo a brincadeira do boi-bumbá”, destaca André que, mesmo com a experiência, ainda sente aquele friozinho na barriga antes de entrar no Bumbódromo.

“A experiência conta bastante, mas o nervosismo não tem como ficar de fora. O momento de pressão, de ficar no camarim esperando a hora de entrar, mas, quando piso na Arena, com nervosismo e a dose de amor que tenho pelo Garantido, eu vou embora”, garante.

A reportagem não podia deixar de perguntar sobre os momentos marcantes dessas duas décadas. André riu e disse que passaria o dia inteiro citando momentos maravilhosos da sua trajetória como pajé. “Vou ficar aqui o dia todo falando (risos). Vou resumir com o ano de 2004. ‘A Mística do Pajé’ foi uma das toadas que alavancaram mais o meu sucesso. Fiz uma transformação excelente de pajé, do ser humano, para uma serpente, o ser animal. Foi tão maravilhoso que até a galera do contrário [Caprichoso] aplaudiu”.

E se engana que vida de pajé é fácil. André destaca que é preciso ter força para usar as fantasias do item. “Elas são pesadas. Como o pajé é o ser mágico da Arena, ele vem sempre trazendo algum elemento e isso traz um peso a mais. Tem que ter resistência, um trabalho físico e sem esquecer o lado cênico e coreográfico”, explicou André, se referindo aos rituais que são realizados durante suas apresentações nas noites de festival.

Na preparação física, o artista aproveita para testar passos novos e se aquecer em eventos pré-festival e na alimentação tem o apoio da irmã, Rose Nascimento, que é nutricionista desportiva. “Conto na preparação com os espetáculos que fazemos em Parintins, Manaus, outros países e Brasil afora. Com isso vou aperfeiçoando passos novos e, quando chega nos meses que antecedem o festival, intensifico a preparação com a academia e treino funcional. Também sou atleta desde novo, jogo basquete e isso ajuda demais junto com a alimentação. Graças a Deus tenho uma irmã maravilhosa, a Rose Nascimento, que é nutricionista desportiva e me passa uma dieta muito boa. Você pode observar que perdi mais de 10 quilos do festival do ano passado para cá”, explicou André, mostrando o corpo mais “enxuto”.

Aos 39 anos, o Pajé dos Pajés ainda tem muita energia e espera postergar sua aposentadoria por mais um tempo. “Estou completando 20 anos de pajé e espero que Deus possa me dar energia para ficar mais alguns anos defendendo o item n° 12. E eu conto com a energia da galera que é a única que sabe transmitir muito bem essa energia para todos os itens que estão na Arena”.

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