Publicidade
Parintins
SENTIMENTO VERMELHO

Em ano de festival simbólico, Amo do Boi reafirma seu amor ao Garantido

Terceiro Amo do Boi da história do bumbá vermelho e branco, Tony Medeiros diz que o 53° Festival Folclórico de Parintins tem um gostinho especial 28/06/2018 às 01:11 - Atualizado em 28/06/2018 às 10:10
Show boi
Tony Medeiros durante ensaio técnico do bumbá Garantido no Bumbódromo. Foto: Antonio Lima
Rafael Seixas Parintins (AM)

É notório que o 53ª Festival Folclórico de Parintins tem um gostinho especial para o Amo do Boi do Garantido, Tony Medeiros. Neste ano, o palco da manifestação folclórica mais difundida do Amazonas, o Bumbódromo, completa três décadas. E amor é o que não falta em cada membro da associação folclórica que dá vida ao boi de pano e o faz Garantido. Com Tony, não poderia ser diferente. “Sou o único que nunca recebeu salário. Talvez eu seja o último caso de amor entre o boi e o item”, disse o artista.

“Se não tiver emoção não tem razão para estar aqui. A responsabilidade aumentou. (...) Os 30 anos do Bumbódromo é especial. O Garantido ganhou em 1988 e, se Deus quiser, vai ficar em 2018 com a vitória”, complementou.

Sobre o ano simbólico, ele rememora que sua geração fez o espetáculo ultrapassar as fronteiras da Ilha chegando a outros estados brasileiros e ao restante do mundo.  “Nós passamos um momento de transição entre a velha guarda e a minha geração. Tiramos o boi de Parintins e o colocamos no mundo. Foi importante conviver com grandes nomes desse Bumbódromo. Vem na minha cabeça pessoas que já foram. Também nomes como Joel Gama e tantos outros compositores da antiga, como o Braulino Lima, Emerson Maia, que é meu amigo, irmão e referência de uma geração”.

Aproveitando o mote da transição de gerações, o Amo do Boi respondeu se começa a pensar na aposentadoria, afinal são quase 24 anos defendendo o mesmo item na Arena do Bumbódromo. Confira a resposta: “O Garantido tem histórico de ter três amos. Primeiro Lindolfo Monteverde, segundo João Batista Monteverde e por terceiro eu. Então tem longevidade o Amo do Boi Garantido. É um item que não exige plástica. Não precisa ser bonito de rosto”, brinca o defensor do item n° 6.

“Agora para item feminino, sim. Exige jovialidade, plástica, beleza, muita dança, movimento. Sempre brinco com o Sabá [Sebastião Júnior, Levantador] e o Israel [Paulain, Apresentador] que podemos durar muitos anos porque não precisamos ser novinhos e ‘gatinhos’. Só precisa cumprir a função”, complementou Tony, que, apesar das brincadeiras, vê como processo natural ser substituído um dia, assim como seus antecessores. “Mestre Lindolfo, grande fundador, foi; João Batista, que para mim é o maior referencial vivo dessa terra, também; e vai chegar o dia que devo passar meu posto”.

Tony defende o item desde 1995. Ele é o item mais antigo da nação vermelha e branca, acompanhado do Tripa, Denildo Piçanã. É o terceiro Amo da história do bumbá da Baixa do São José a versar e a fazer o papel do dono da fazenda no contexto folclórico do Auto do Boi. E Tony é disciplinado. Continua acordando às 4h e até as 7h faz suas caminhadas pelas ruas, sempre com um bloco de papel e uma caneta no bolso. A inspiração para um novo verso pode surgir e é preciso estar preparado.

“Alguns faço na hora, mas aqueles mais inteligentes, rebuscados, geralmente são pensados antes. Mas faço sim um trabalho de pesquisa. Ocupar a quase 24 anos uma mesma função e ter que mandar um verso novo não é simples, não é fácil, é complicado. Neste ano, a gente vem pé no chão. Se Deus quiser com a vitória”, vibra o Amo do Boi. Caso saia consagrado com o espetáculo “Auto da Resistência Cultural” no 53° Festival Folclórico de Parintins, será o 32° título do Garantido.

Publicidade
Publicidade