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Parintins
RESISTÊNCIA

Garantido retratou o respeito à diversidade cultural e religiosa nas primeiras duas noites

Na primeira alegoria do Boi Garantido no Festival foi feita uma homenagem a figuras importantes de obstinação cultural 01/07/2018 às 16:15 - Atualizado em 01/07/2018 às 16:19
Show resist ncia agora
Na primeira noite, o Boi Garantido fez um tributo à consciência negra. Foto: Euzivaldo Queiroz
acritica.com Parintins (AM)

O Boi Garantido apresentou com louvor o projeto Auto da Resistência Cultural nas duas primeiras noites do Festival Folclórico de Parintins 2018. Ainda na sexta-feira (29), o Boi do Povão levantou no Bumbódromo a importância da resistência cultural. Já na segunda noite o boi da Baixa do São José trabalhou como subtema "Diversidade e Resistência".

Na primeira alegoria do Boi Garantido no Festival foi feita uma homenagem a figuras importantes de obstinação cultural, como o cacique indígena Ajuricaba e o seringueiro Chico Mendes, que deram suas vidas em defesa dos povos da floresta.

O Boi do Povão também retratou a história de resistência do guerreiro Ajuricaba, um tuxaua da tribo Manaó que preferiu se jogar no Encontro das Águas para se deixar carregar pela morte, ao invés de ser escravizado pela colonização portuguesa, teve destaque na Lenda Amazônica da noite dessa sexta-feira (29). Da alegoria surgiu a Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira que estreou no item nesta edição do festival. Antigamente, a bela era Rainha do Folclore.

Um dos momentos mais esperados da apresentação aconteceu quando o Garantido fez um tributo à consciência negra. Mesmo sem alegoria, a coreografia assinada pelo carioca Patrick Carvalho emocionou os presentes no Bumbódromo. A toada de Paulinho Dú Sagrado ganhou o acompanhamento de 15 bailarinos. Chamada “Grito da Liberdade”, a comissão de frente apresentava negros acorrentados, de modo a questionar o fim da escravidão do Brasil.

O Garantido encerrou a primeira noite com o Ritual Araweté – Sonho de Kanipaye-RO. A alegoria assinada por Oséas Bentes foi a esteticamente com mais elementos de movimentação. Marca registrada das alegorias de ritual são as cores com tons fortes e chamativos.

Segunda noite

Utilizando o subtema “Diversidade e Resistência”, o Boi Garantido buscou a retratar a identidade construída de forma miscigenada. O apresentador Israel Paulain iniciou a defesa do primeiro item cantando a dançante toada “Miscigenação”.

A primeira alegoria da segunda noite veio com a Celebração Folclórica Cores da Fé, trabalhando com o sincretismo religioso. O Garantido celebrou a fé como tradição e composição da arma cabocla de Parintins, cuja história é visivelmente marcada pela religiosidade imposta pela colonização cristã européia, pelas crenças dos africanos trazidos escravizados e pelas celebrações dos ritos espirituais indígenas.

O momento trouxe uma bela evolução da sinhazinha da fazenda, Didja Cardoso, que "trocou de roupa" em pleno Bumbódromo. Ela surgiu de vermelho, que escondia um traje todo branco e cercado de pequenos boizinhos do Garantido.

Durante o Tributo a Lindolfo Monteverde, uma singela homenagem ao fundador do Garantido, a cantora Márcia Siqueira, chamada de Rosa Vermelha, incorporou uma Catirina na Arena e, junto de João Paulo Faria, o Pai Francisco, animaram ainda mais a segunda noite de apresentações do Boi da Baixa do São José.

Um dos pontos altos da apresentação do Garantido na noite desse sábado foi a encenação da lenda amazônica Matintaperê, que fala sobre a bruxa que se transforma em rasga-mortalha, coruja de assobio assustador que traz presságios de morte para as pessoas pelas quais ela sobrevoa os lares. 

A Porta-Estandarte Edilene Tavares, que defende o item nº 5 do bumbá Garantido, surgiu da Figura Típica Cabocla Sacaca. A sua aparição foi ao som de “Estandarte da Baixa”, homenagem feita pelo compositor Paulinho Dú Sagrado.

O boi da Baixa do São José concluiu a apresentação com a alegoria Matintaperê, que fala sobre a bruxa que se transforma em rasga-mortalha, coruja de assobio assustador que traz presságios de morte para as pessoas pelas quais ela sobrevoa os lares.

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