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Parintins
1ª NOITE

Em sua primeira noite do Bumbódromo, Caprichoso exalta a ancestralidade cabocla

Na noite de abertura do 53ª Festival Folclórico de Parintins, o Caprichoso olha para as suas raízes 28/06/2018 às 22:21 - Atualizado em 29/06/2018 às 15:52
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Foto: Euzivaldo Queiroz
Alexandre Pequeno Parintins (AM)

Ancestralidade, o ethos do saber popular. Essa é a temática da primeira noite de apresentações que o boi-bumbá Caprichoso pretende defender no Centro Cultural Bumbódromo de Parintins. O festival folclórico ocorre em 29 e 30 de junho, 1° de julho de 2018 e o Touro Negro é o primeiro da noite a se apresentar. Nos dois últimos dias, o bumbá fecha as apresentações.

"É uma sabedoria coletiva, plural, de muitos povos, muitas pessoas. E é nesse sentindo que o Caprichoso vai levar o boi para a Arena. Dividimos nossa apresentação nas três noites de forma didática e compreensiva", explica Ericky Nakanome, presidente do Conselho de Artes do Caprichoso.

De acordo com o artista, o Caprichoso entra no Bumbódromo para falar não só de ancestralidade, mas de um sentimento histórico de justiça. "É uma noite mais indígena, em consonância com as matrizes africanas. O Caprichoso falará sobre os milhões de povos indígenas que aqui habitavam e as nações afro-descendentes que formaram nosso sentimento enquanto Caprichoso", completa.

Uma das novidades do Caprichoso este ano é a estreia do aplicativo Constelação Azul, que cria verdadeiros mosaicos por meio da telinha do celular e já está disponível para download por meio da PlayStore. A meta é que a Galera Azul e Branca baixe o aplicativo e utilize durante o festival para formar mosaicos, letreiros e uma série de efeitos especiais na apresentação.

Alegorias da noite

Com o sentimento de superar a grandiosidade da apresentação do ano passado, o Caprichoso abre as apresentações com a alegoria "Terra - Mãe Ancestral", confeccionada pelo artista Nei Meireles e equipe como ponto de partida pelas veredas ancestrais do saber popular.

A alegoria traz divindades femininas importantes das culturas de diversas partes do planeta, como Amaterasu (deusa da fertilidade para os orientais), Hera (deusa da família para os ocidentais), Ráume (deusa da fecundidade para os povos do Hawai) e Iemanjá (mãe das mães para os africanos), que unem-se para formar Ceucy, a índia virginal, a estrela-mulher, que fecunda Jurupari, o mensageiro ancestral do espetáculo "Sabedoria Popular: Uma Revolução Ancestral".

A segunda alegoria a entrar em cena faz parte do item 15 - Figura Típica Regional. Intitulada "O Caboclo Curador", a alegoria foi produzida por Francinaldo Guerreiro, Alex Salvador e equipe. Ela exalta o profundo conhecimento do poder milagroso das muitas ervas medicinais, a cura das doenças do corpo e da alma, a íntima ligação entre os mistérios do mundo terreno e o mundo metafísico, são dons natos do caboclo curador.

No ritual indígena, Caprichoso trará a alegoria "Ritual de Iniciação Tariana", confeccionada pelo artista Júnior de Souza e equipe. Nela, acontece uma cerimônia de passagem de conhecimento de Yuripari a jovens homens da tribo. “Uauri”, o primeiro Tariana a receber esses ensinamentos comete o erro de trair o seu mestre e é transformado em pó por Yurupari.

No final da noite, a lenda amazônica reforça ainda mais a mitologia de "Yurupari, o Terror das Noites". De acordo com o projeto de Arena do bumbá, historicamente, a Igreja Católica distorceu a imagem de jurupari diante dos indígenas Aruak, transformando o personagem num demônio do sono. A meta do Caprichoso é desmistificar esse estigma do personagem folclórico.

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