Domingo, 21 de Julho de 2019
PLANEJAMENTO

Em tarde de emoção, Caprichoso apresenta dinâmica de Arena

'Um Canto de Esperança para a Mátria Brasilis' vem com a proposta de resistência contra todo tipo de opressão e de intolerância



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26/06/2019 às 22:17

O Boi Bumbá Caprichoso apresentou a dinâmica da arena para as três noites de apresentação do 54º Festival Folclórico de Parintins, em uma coletiva marcada pela emoção que levou às lágrimas o presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome. Mentor intelectual do espetáculo, ele recebeu o carinho e foi abraçado por todos os itens do boi azul e branco. “Vocês não sabem como é bom ter esse homem como presidente do Conselho”, disse Prince, o Amo do Boi.

Nakanome exaltou o trabalho e principalmente o apoio que o presidente Babá Tupinambá proporcionou a ele para reestruturar o Conselho do Bumbá e lembrou que enfrentou muita resistência. “Foram três anos de muita luta, noites sem dormir, pressões de vários lados, e houve momentos que achei que não conseguiria. Mas com a ajuda de todos conquistamos dois títulos e vamos forte brigar pelo terceiro”, destacou.

O Caprichoso vem com a proposta de resistência contra todo tipo de opressão e de intolerância. “O tema é um canto de esperança. Um canto de resistência que convoca o povo brasileiro a se empoderar e lutar e se reconstruir para construir um Brasil melhor para todos”, avaliou Ericky.

O presidente explica que a proposta do Caprichoso é fazer do Festival uma mensagem de reconstrução para o Brasil e a primeira noite começa dessa forma, com um canto de esperança para a Mátria Brasilis.

“Vamos iniciar nossa apresentação com o tema Mátria Brasilis: do caos à utopia, que simboliza o nascimento da cultura brasileira que carrega a herança de muitos genes, dores e enfrentamentos. E mostramos que as mulheres, negras e índias, foram violadas e dessa dor nasceu o povo brasileiro”, destacou Nakanome.

A alegoria que abre a noite é Yêba, a deusa brasilis, do artista Lenilson Bentes e traz a criação do mundo pela visão da etnia Dessana. Ela introduz na arena o Boi Bumbá e a Porta-Estandarte, Marcela Marialva.

Na sequência entra na arena a alegoria do artista Ferdinando Carivardo, a Mura-Pirahã: três preces de esperança. Essa alegoria é a Lenda Amazônica, que representa o cuidado que os homens devem ter com a natureza e com todas as suas coisas, que são sagradas. É um alerta para a preservação e mostra que se a natureza for maltratada, esses males voltam para o homem. A alegoria trará a Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque.

A Exaltação Folclórica trará a Festa de Um Boi Brasileiro, do artista Glaucivan Silva. Neste momento o boi-bumbá Caprichoso leva à arena a miscigenação e toda a dor infligida pelo colonizador e desse caos e dor surge a cultura brasileira com todas as suas nuances e características.

“Nessa alegoria vamos tratar da miscigenação que causou tanta dor às mulheres negras e índias e que é romantizada. Dessa dor nasceu a nação brasileira”, ressaltou Ericky.

A penúltima alegoria é o Mateiro da Amazônia, que defenda a Figura Típica Regional, é de autoria do artista Alex Salvador, e simboliza o herdeiro dos saberes tradicionais, que mesmo miscigenado brutalmente, se torna um colaborador das expedições ao longo do tempo. É a representação dos povos da floresta. A alegoria vai trazer a Rainha do Folclore, Cleise Simas.

Presença ilustre

O encerramento da 1ª noite vai trazer uma atração mais que especial na alegoria Yanomami, A Cura da Terra, do artista Jucelino Ribeiro: o pajé e líder indígena Davi Kopenawa Yanomami. O líder está em uma cruzada mundial pela preservação da sua etnia que quase foi dizimada no século passado. “Estamos sofrendo ataques novamente de garimpeiros que querem nos expulsar da nossa terra. Eu vim aqui, a convite do Caprichoso para pedir ajuda e união para essa luta, que é de todos nós”, destacou o pajé.

A alegoria será o clímax da noite do Caprichoso pois ela traz o Ritual Indígena, que vai tratar da cura da terra no ritual Yanomami.

Segunda noite

A segunda noite de apresentação do Caprichoso vai trazer a religião, “mas não a tradicional, a oficial, mas sim todos os credos e sincretismos do Brasil”, explica Ericky Nakanome.

No Braseiro da Fé, Esperança é Minha Luz, mostra toda a religiosidade do povo brasileiro, representado pelas Mátrias da Fé, do artista Aldenilson Pimentel.

Nela estão simbolizadas a religião cristã com Nossa Senhora Aparecida, Nhandecy divindade do povo Tupy e Yemanjá da nossa herança afro.

A figura típica regional traz o carro O Sacaca da Floresta, do artista Nei Meireles, e intensifica o sincretismo. Onde o caboclo, herdeiro dos velhos pajés, é representado por São Sebastião.

Depois surge na arena o Boi de Encantarias, como Exaltação Folclórica, do artista Nei Meireles, que apresenta a conexão Parintins-Maranhão para o surgimento do boi-bumbá.

Na segunda noite, o bumbá Caprichoso passeia pela encantaria e traz as lendas e histórias que construíram a fé e religiosidade amazônica.

Terceira noite

O Caprichoso leva para a terceira noite a proposta de reinvenção do País e da resistência e luta contra as injustiças pelo empoderamento feminino, que simboliza todas as lutas. Com o tema, O Brasil Que a Gente Quer Reinventar, o bumbá traz um questionamento e conclama o povo a resistir contra todas as injustiças e desmandos. “O Brasil vive um momento que é preciso definir qual rumo tomar para preservar as liberdades e convocamos o povo para um grito de resistência”, destacou Ericky.

A última noite traz também a história das Lavadeiras da Francesa como sinônimo de força e tenacidade feminina na condução de suas famílias e exaltam três figuras de guerreiras indígenas.

É nessa noite que será apresentada a alegoria Matriarca, do artista Makoy Cardoso, representando as Mestras do Saber.

Marujada

Na última noite também acontece uma inovação, a Marujada de guerra vai mudar de traje na arena e usará as cores do arco-íris, representando a diversidade de cultura, gênero, religião e o direito de ser respeitado pelas diferenças. “O Caprichoso manda um recado de resistência contra a intolerância em todos os sentidos, seja religiosa, política ou de orientação sexual. É preciso resistir”, ressaltou Nakanome. 

 

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