Terça-feira, 23 de Julho de 2019
DANÇA

Teatrólogo Fabiano Baraúna leva as artes cênicas para o Bumbódromo

Estreando como diretor cênico do Boi Caprichoso, o teatrólogo empresta técnicas teatrais para dar vida aos ritos e lendas do touro negro este ano



IMG_4320_DED038A6-7978-4536-BC2B-D75031D1CB3F.JPG O teatrólogo Fabiano Barúna (Foto: Raine Luiz)
26/06/2019 às 18:31

Com um cronômetro na mão, o teatrólogo Fabiano Barúna caminha atencioso por entre dezenas de brincantes no pátio principal do curral Zeca Xibelão como se concebesse naquele chão de concreto a  sua grande obra de arte. Sereno, dita como deve ser feito cada movimento, de passos de dança a expressões corporais, tudo sob o ritmo minucioso do relógio que não deixa um mísero segundo ser desperdiçado. 

O cuidado pode ser traduzido como foco no tão sonhado tricampeonato. Este ano, Baraúna faz sua estréia como diretor cênico do Boi Caprichoso a convite do Presidente de Artes da agremiação, Erick Nakanome. É dele a responsabilidade de elaborar as coreografias de todas as lendas e rituais que serão performadas durante os três dias do bumbódromo. 

Oriundo das artes cênicas, o teatrólogo trouxe para o touro negro um  trabalho com técnicas específicas do teatro. Para conseguir desenvolver o lado teatral dos brincantes, Baraúna contou com um trabalho de iniciação de março a maio, quando de fato iniciou os ensaios das coreografias que irão para a arena. 

“A gente está com um trabalho há quase três meses de preparação de atores. Quase 90% dos brincantes nunca tiveram contato com teatro então houve esse cuidado. Em Parintins essa adaptação não é difícil, eles já tem uma expressividade no corpo deles então eles se jogam mesmo. Lógico que tem alguns poucos que a gente precisa fazer um trabalho mais direcionado para tirar o que a gente quer, mas no geral foi bem didático”, revela Baraúna.

Este ano, estão sob o comando do teatrólogo cerca de 80 brincantes que performarão uma base de seis coreografias, duas por noite, além de surpresas que o Caprichoso levará para a arena. Para impressionar os jurados e garantir a nota máxima no ítem, Baraúna focou em um trabalho minucioso de expressão facial.

“A gente trabalha muito almejando alcançar o que eu chamo de teatralidade onde vai se complementar o teatro, a dança e a performance, isso tudo casado, junto as toadas e as músicas que eles criam. Desenvolvemos exercícios básicos, exercícios de careta e outros que envolvam tanto o corpo quanto o rosto porque o corpo ajuda a falar coisas, então pra mim, a expressão facial e corporal se complementam”, diz.


(Foto: Raine Luiz)

A poucos dias do festival, Baraúna avalia com otimismo o resultado do trabalho que vem desenvolvendo no boi da francesa e ressalta a que o trabalho conjunto com outros profissionais do Caprichoso vai ser fundamental para a conquista do título este ano.

“Além dos brincantes que vão atuar nas alegorias e no chão, temos o Falcão que é um coreógrafo que vai complementar o trabalho cênico. Os meninos que estão nesse elenco e também na figura típica com o Tuchê estão fazendo um trabalho ótimo. Temos alguns talentos que se revelaram e esse trabalho não pode parar. A expectativa é de que vamos conseguir impressionar o público”, crava Baraúna.

Receba Novidades

* campo obrigatório
Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.